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03/08/2010 - 09h58

Israel acusa Líbano por confronto na fronteira que matou ao menos quatro

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DE SÃO PAULO

Atualizado às 10h08.

O Ministério de Relações Exteriores de Israel acusou nesta terça-feira o Líbano pelo confronto na fronteira entre os dois países que deixou ao menos três soldados libaneses e um jornalista mortos. O ministério alertou ainda que vai apresentar uma queixa na ONU (Organização das Nações Unidas) contra o governo libanês.

As tropas de paz da ONU na região pediram que ambos os lados exerçam "cautela máxima" depois do incidente na fronteira --no mesmo local que as tropas de Israel e os militantes do grupo Hizbollah travaram violenta guerra em 2006.

Israel disse considerar a troca de tiros uma "flagrante violação" à resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que suspendeu as hostilidades entre os dois lados na guerra de 2006. A resolução pede a interrupção do tráfico de armas e proíbe armas não autorizadas na região entre o rio Litani e a Linha Azul, a fronteira monitorada pela ONU entre Israel e o Líbano.

Reuters
Soldado de paz da ONU agita bandeira branca na fronteira entre Líbano e Israel; troca de tiros matou quatro
Soldado de paz da ONU agita bandeira branca na fronteira entre Líbano e Israel; troca de tiros matou quatro

O país alertou ainda que haverá consequências caso a violência na região continue. "Israel vê o governo libanês como responsável por este sério incidente e está alertando das ramificações caso a violência continue", diz comunicado do ministério.

As tropas israelenses e libanesas trocaram fogo mais cedo na tensa fronteira entre os dois países, nos confrontos mais sérios desde o fim da guerra há quatro anos.

CONFRONTO

Os relatos sobre os confrontos são divergentes. As agências de notícias internacionais e a imprensa israelense afirma que ao menos três soldados libaneses morreram. O jornalista do "Al Akhbar" Assaf Abu Rahhal também foi morto ao ser atingido por um dos projéteis israelenses na vila de Edayseh.

Testemunhas disseram que os militares israelenses atiraram ao menos sete projéteis explosivos contra a vila de Edayseh. Um deles atingiu uma casa e deixou um civil e um soldado libanês ferido.

"Começou quando os israelenses quiseram cortar uma árvore dentro do Líbano. O Exército libanês atirou disparos de alerta e eles responderam com os projéteis", disse a testemunha, acrescentando que os ataques cessaram, mas a tensão ainda é alta.

Fontes das forças de segurança de Israel contam que as tropas dos dois países trocaram fogo. Segundo eles, engenheiros israelenses foram atacados pelos soldados libaneses enquanto trabalhavam na fronteira. As tropas israelenses devolveram o fogo.

Unidades de engenharia militar de Israel mantêm uma cerca de segurança ao longo da fronteira com o Líbano.

Já o Exército libanês afirma que os israelenses tiveram baixas no confronto e estavam se retirando do local. O canal de TV do Hizbollah, Al Manar, cita testemunhas dizendo que dois soldados israelenses ficaram feridos.

A porta-voz da Unifil, as tropas de paz da ONU na região, Andrea Tenenti confirmou que houve trocas de tiros entre os dois exércitos na região de Edayseh.

"A prioridade da missão no momento é restaurar a calma na área e o vice-comandante da Força, Santi Bonfanti, já está em contato com a Força Armada Libanesa e as Forças de Defesa de Israel para pedir por cautela máxima", disse.

"Eu ouvi alguns tiros e alguns projéteis explosivos. Mas eu não sei de que lado", disse outra testemunha citada pela agência de notícias Reuters. "Eu posso ver fogo em Edayseh e as tropas de paz da ONU e do Exército estão na área".

TENSA CALMA

No verão de 2006, depois da captura pelo Hizbollah de dois soldados israelenses na fronteira, uma guerra de 34 dias foi travada entre Israel e o partido xiita, matando mais de 1.200 libaneses, em maioria civis e 160 israelenses, em maioria militares.

Os confrontos desta terça-feira, contudo, não parecem envolver o Hizbollah.

Depois do confronto de 2006, a ONU enviou 12 mil membros de suas tropas de manutenção de paz, conhecidos como Unifil.

As tensões na fronteira aumentaram nos últimos meses. Israel alega que as guerrilhas do Hizbollah expandiram significativamente e melhoraram seu arsenal de foguetes desde 2006.

Entre outras coisas, membros do governo de Israel acusam a Síria e o Irã de dar materiais ao Hizbollah, incluindo mísseis Scud capazes de atingir qualquer ponto de Israel, uma acusação que o grupo libanês não nega nem confirma.

COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

 

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