Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
05/08/2010 - 19h45

Iraniana condenada a morte agradece oferta de asilo de Lula, diz ONG

Publicidade

DE SÃO PAULO

Sakineh Ashtiani, a iraniana condenada a morte por apedrejamento por adultério, disse estar agradecida pela oferta de asilo feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse aceitá-la, informa em seu site a ONG Comitê Internacional Contra o Apedrejamento.

Ashtiani disse estar sob forte pressão das autoridades carcerárias, que continuam perguntando sobre seus supostos contatos com a mídia e pessoas de fora do país, informa a notícia.

Opine: Você apoia a iniciativa de Lula de oferecer asilo a Sakineh?
Vídeo pede ajuda de Lula no caso de iraniana condenada à morte
Corte do Irã rejeita reabrir caso de Sakineh e confirma apedrejamento, diz ONG

AP
Foto divulgada pela Anistia Internacional em Londres mostra Sakineh Mohammadi Ashtiani, acusada de adultério
Foto divulgada pela Anistia Internacional em Londres mostra Sakineh Mohammadi Ashtiani, acusada de adultério

Mais cedo, o Irã assegurou a um órgão das Nações Unidas dos diretos humanos que não tinha tomado ainda uma decisão sobre o destino de Ashtiani.

"Seu caso está sendo examinado e nada foi decidido por enquanto", afirmou o funcionário da justiça iraniano Mossadegh Kahnemoui ouvido por membros da Comissão da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD).

Lembrou que a mulher confessou a prática de adultério e a participação na morte de seu marido --atos punidos com a pena de morte, segundo a lei iraniana, insistiu.

"Esta mulher, além do duplo adultério, é também acusada de complô para matar o marido", destacou o iraniano.

SAKINEH

Mãe de dois filhos, Sakineh foi condenada em maio de 2006 a receber 99 chibatadas por ter um "relacionamento ilícito" com um homem acusado de assassinar o marido dela. Sua defesa diz que Sakineh era agredida pelo marido e não vivia como uma mulher casada havia dois anos, quando houve o homicídio. Mesmo assim, Sakineh foi, paralelamente à primeira ação, julgada e condenada por adultério. Ela chegou a recorrer da sentença, mas um conselho de juízes a ratificou, ainda que em votação apertada --3 votos a 2.

Os juízes favoráveis à condenação de Sakineh à morte por apedrejamento votaram com base em uma polêmica figura do sistema jurídico do Irã chamada de "conhecimento do juiz", que dispensa a avaliação de provas e testemunhas.

Um abaixo-assinado on-line lançado há dois meses devolveu o caso ao centro das atenções. Em julho passado, pressionada, a Embaixada do Irã em Londres afirmou que Sakineh não seria morta por apedrejamento --sem, no entanto, descartar que ela fosse morta, porém por outro método, provavelmente o enforcamento.

Dias depois, o chefe do Judiciário da Província de Azerbaijão do Leste, Malek Ezhder Sharifi, responsável pelo caso, foi a público afirmar que não só considerava a sentença ao apedrejamento válida como passível de aplicação instantânea. Disse ainda que essa pena estava relacionada não só ao adultério mas também à acusação de Sakineh de coautoria no assassinato do marido.

BRASIL

No sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que iria usar sua "amizade" com Ahmadinejad para propor que a iraniana tivesse asilo do Brasil. "Se vale a minha amizade e o carinho que tenho pelo presidente do Irã e o povo iraniano, se essa mulher está causando incômodo, a receberíamos no Brasil de bom grado", disse.

Só ontem o governo iraniano fez os primeiros comentários públicos --e negativos-- sobre a proposta. Ramin Mehmanparast, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, disse que Lula fizera a oferta, provavelmente, com base em informações erradas. Completou ainda que Sakineh "cometeu um crime". "Pelo que sabemos, [o presidente Luiz Inácio Lula] da Silva é uma pessoa muito humana e emotiva, que provavelmente não recebeu informações suficientes sobre o caso", afirmou.

Em San Juan (Argentina), onde participava da cúpula do Mercosul, o presidente Lula disse ontem ter ficado "feliz" por Teerã ter percebido que é "muito emocional". "Não fiz um pedido [de asilo] formal. Fiz um pedido mais humanitário. Pelo que se fala na imprensa, ou [Sakineh] vai morrer apedrejada ou enforcada. Ou seja, nenhuma das duas mortes é humanamente aceitável. Por isso, fiz esse apelo. Obviamente, se houver disposição do Irã em conversar sobre esse assunto, teremos imenso prazer em conversar e, se for o caso, trazer essa mulher para o Brasil", reiterou o brasileiro.

COM FRANCE PRESSE

 

Publicidade

Publicidade

Publicidade


 

Voltar ao topo da página