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09/08/2010 - 18h15

Israel ameaça deixar investigação da ONU sobre ataque a navio turco

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DE SÃO PAULO

Atualizado às 18h34.

Israel ameaçou deixar uma investigação internacional sobre o ataque a uma frota humanitária que tentava furar o bloqueio à faixa de Gaza, uma semana após ter aceitado participar do painel. A declaração foi feita porque o chefe da ONU (Organização das Nações Unidas) negou que exista um acordo liberando os soldados israelenses de prestar depoimento.

O ataque de Israel contra a embarcação turca que tentava furar o bloqueio israelense à faixa de Gaza resultou na morte de nove ativistas turcos pró-palestinos, e gerou protestos internacionais.

A ação de 31 de maio provocou danos nas relações entre Israel e Turquia e forçou o governo israelense a amenizar o bloqueio, que, segundo os israelenses, impedia que o Hamas aumentasse sua capacidade militar.

Depois de reagir com frieza à ideia de uma investigação internacional, o país acabou concordando em participar do painel montado pelas Nações Unidas.

Um comunicado divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro israelense no final desta segunda-feira afirma que "o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu deixa absolutamente claro que Israel não vai cooperar com e não vai participar de nenhuma investigação que procure interrogar os soldados israelenses".

O anúncio se seguiu a uma declaração do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em uma entrevista coletiva, sobre se tinha concordado em isentar os soldados israelenses de interrogatórios durante a investigação. "Não, não houve tal acordo nos bastidores", disse Ban.

CONDIÇÕES

Representantes israelenses disseram que a aceitação de Israel estava condicionada à investigação se basear nos relatórios da própria investigação militar israelense, e não no depoimento de soldados.

Um alto representante israelense disse que o acordo com Ban foi de que pedidos para informações adicionais ou esclarecimentos seriam tratados com representantes israelenses, e soldados não seriam chamados para testemunhar.

"Isso era e permanece sendo uma condição vital para a participação israelense na investigação", disse a autoridade, que falou em condição de anonimato.

ONU

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, nomeou no sábado (7) dois experientes diplomatas, um turco e um israelense, para o painel que investigará o ataque israelense.

Joseph Ciechanover vai ser o representante de Israel no painel, enquanto o integrante turco será Ozdem Sanberk. O ex-premiê da Nova Zelândia Geoffrey Palmer vai presidir o grupo, e Álvaro Uribe, da Colômbia, será o vice.

A primeira reunião do comitê será nesta terça-feira, e espera-se um primeiro relatório sobre o trabalho em meados de setembro.

COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

 

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