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16/08/2010 - 14h05

Grupo mundial de comércio de diamantes veta pedras do Zimbábue

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DA ASSOCIATED PRESS, EM HARARE (ZIMBÁBUE)

Em um gesto visto como sem precedentes na luta contra os "diamantes de sangue", a rede mundial de comércio de diamantes Rapaport Diamond Trading Network afirmou que vai banir todos os membros que comercializarem pedras vindas das minas do Zimbábue sob denúncia de exploração de crianças e assassinato de mineradores.

Rapaport disse que grupos de direitos humanos documentaram abusos severos nos campos de diamantes de Mutare desde sua descoberta em 2006.

O anúncio do Rapaport, que tem sede nos EUA, vem depois do Sistema de Certificação do Processo de Kimberley, organismo internacional que regula o comércio das pedras preciosas, aprovar a exportação dos diamantes do Zimbábue.

A liberação da venda, por enquanto, é relativa apenas aos lotes mais recentes, extraídos sob melhoras nos direitos humanos, segundo o Processo de Kimberley. A liberação resultou no leilão de 900 mil quilates de diamantes na semana passada, a um valor de US$ 72 milhões.

"Esta é a primeira vez que nós ouvimos falar de um grupo grande como o Rapaport está efetivamente assumindo uma posição forte", disse Tiseke Kasambala, especialista zimbabuano da ONG Human Rights Watch.

"Consumidores certamente farão questionamentos sobre as pedras que estão comprando", disse Kasambala.

O impasse sobre os diamantes do campo de Marange, no Zimbábue, se arrastava havia um ano. A venda havia sido suspensa depois de denúncias de que soldados mataram 200 pessoas, em 2008, em uma sangrenta repressão. Eles também teriam estuprado mulheres e obrigado crianças a trabalharem na exploração da mina.

Brasil, países africanos e outros emergentes eram favoráveis à retomada da autorização, mas EUA, União Europeia, Canadá, Austrália e ONGs faziam oposição, relatando contrabando e repressão no local.

Em uma medida de contenção, o Processo de Kimberley liberou a venda apenas de duas minas que estão operando segundo "padrões mínimos internacionais".

O Rapaport disse que o Processo de Kimberly merece crédito pelo banimento original dos diamantes e por garantir que as duas minas que autorizou estão sendo gerenciadas de maneira apropriada.

Grupos de defesa dos direitos humanos denunciam que os soldados zimbabuanos seguem maltratando os mineradores e, além disso, participam do contrabando de pedras preciosas.

Os diamantes são vistos como possível tábua de salvação para o ditador Robert Mugabe. Presidente há 30 anos, ele se viu enfraquecido recentemente, após grave crise econômica. Segundo as autoridades, o país possui 4,5 milhões de quilates em estoque, avaliados pelo governo em US$ 1,7 bilhão.

 

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