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Israelenses e palestinos devem retomar o diálogo direto na quinta-feira; entenda
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DA FRANCE PRESSE, EM JERUSALÉM
Israelenses e palestinos devem retomar as negociações diretas nesta quinta-feira (2), em Washington, após 20 meses de paralisação, quando Israel lançou uma grande ofensiva militar contra a faixa de Gaza, em 2008, deixando 1.400 mortos, a maioria civis. O processo de paz se arrasta há 62 anos.
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Os dois lados aceitaram o convite da secretária de Estado americana, Hillary Clinton para a retomada do diálogo direto. "Houve dificuldades no passado e haverá dificuldades agora. As conversas atingirão obstáculos e os inimigos da paz continuarão tentando nos prejudicar", disse Hillary, reconhecendo a dificuldade do processo.
Hillary afirmou ainda que as conversas tripartites devem acontecer "sem pré-condições, com boa fé e compromisso com seu sucesso". Ela falou ainda em um prazo de 12 meses, que o Quarteto para o Oriente Médio diz ser o suficiente para um acordo.
A secretária não deu mais detalhes, mas Mitchell afirmou em resposta às perguntas dos jornalistas que as negociações têm como premissa a criação de um Estado palestino, "vivendo lado a lado [com Israel], em paz e segurança".
As demais bases do diálogo, incluindo a fronteira do novo Estado, serão definidas por Israel e pela Autoridade Nacional Palestina.
Entenda o que está em jogo:
CRIAÇÃO DE UM ESTADO PALESTINO E SEUS PODERES
Os palestinos querem proclamar um Estado soberano no conjunto dos territórios palestinos ocupados por Israel em junho de 1967: Jerusalém Oriental, toda a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.
Israel reclama a desmilitarização deste Estado, o controle de seu espaço aéreo e de suas fronteiras.
TRAÇADO DAS FRONTEIRAS DO ESTADO PALESTINO, DESTINO DAS COLÔNIAS
Os palestinos exigem uma retirada israelense de todos os territórios ocupados desde 1967, mas estão dispostos a aceitar modificações fronteiriças menores com base em trocas de territórios equivalentes com Israel.
Israel descarta categoricamente voltar às fronteiras anteriores a 1967, mas está disposto a aceitar retiradas na Cisjordânia. Quer anexar os blocos de assentamentos onde vive a grande maioria dos 300.000 colonos judeus, à parte de Jerusalém Oriental.
Os palestinos exigem o congelamento da colonização, que compromete a continuidade territorial do futuro Estado. Já advertiram que a retomada das atividades de colonização marcaria o fim das conversações.
ESTATUTO DE JERUSALÉM
Israel considera Jerusalém, incluindo sua parte oriental, como sua capital "indivisível e eterna".
A Autoridade Palestina quer fazer de Jerusalém Oriental, cuja anexação nunca foi reconhecida pela comunidade internacional e onde vivem 260.000 palestinos e mais de 200.000 israelenses, a capital de seu Estado.
Israel insiste em manter o controle de toda a área da Cidade Antiga, sede de alguns dos principais locais sagrados das três religiões monoteístas (islamismo, judaísmo e cristianismo). Os palestinos são categoricamente contrários a isto.
DESTINO DOS REFUGIADOS
Há quatro milhões de refugiados palestinos, em sua grande maioria descendentes de 700.000 palestinos que fugiram ou foram expulsos de suas terras durante a criação do Estado de Israel, em 1948.
Os palestinos exigem que Israel reconheça um direito ao retorno dos refugiados em suas fronteiras, de acordo com resolução 194 da Assembleia Geral da ONU.
Na prática, os negociadores palestinos insistem sobretudo no reconhecimento do princípio deste direito mais que em sua aplicação, que de fato dependeria de Israel.
Israel rejeita categoricamente a aplicação do "direito ao retorno". O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu quer que os palestinos reconheçam Israel como "o Estado do povo judeu" para que, segundo ele, fique garantido que a questão dos refugiados será resolvida dentro do futuro Estado palestino.
CONTROLE DA ÁGUA
Israel se reserva grande parte dos lençóis freáticos no subsolo da Cisjordânia. Os palestinos reclamam uma distribuição equitativa.
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