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Angelina Jolie pede que mundo não esqueça o Paquistão e critica queima do Alcorão
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Em visita ao Paquistão, a atriz Angelina Jolie pediu nesta quarta-feira ao mundo que dê mais atenção aos atingidos pelas inundações no país asiático, e cobrou melhorias nos mecanismos de emergência para agilizar a entrega de ajuda. "Temos de proporcionar assistência a todas essas pessoas. Não podemos esquecer os refugiados afegãos do conflito. Não é somente a devastação. Essas pessoas foram afetadas várias vezes", declarou a estrela de Hollywood.
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| Jason Tanner/AFP/UNHCR | ||
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| Angelina Jolie visita família desabrigada pelas enchentes, perto de Islamabad, no Paquistão |
Segundo dados oficiais, o Paquistão arrecadou apenas cerca de US$ 1,1 bilhão para oferecer ajuda imediata aos mais de 21 milhões de desabrigados pelas inundações. Desde o fim de julho, as enchentes deixaram pelo menos 1.752 mortos, alagaram 20% do território e seguem se alastrando pelo sul do país.
Jolie é embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Após visitar durante dois dias comunidades de desabrigados no noroeste do Paquistão e em Islamabad, a atriz disse que nunca viu uma catástrofe de tal dimensão e cobrou mais rapidez na entrega da assistência. "Apesar de toda a cobertura [da mídia], não estamos conseguindo respostas", ressaltou.
Vestida com trajes típicos do Sul da Ásia, a atriz se mostrou muito preocupada com a ineficácia da comunidade internacional para reagir diante de crises humanitárias e pediu a busca por novas fórmulas. "Como comunidade internacional, nossa preparação é muito pequena. O povo está esperando para sua sobrevivência. Tem de haver outra maneira de poder se preparar com antecedência, de ter fundos e ferramentas antes que os desastres ocorram", declarou.
A maior parte da ajuda da comunidade internacional, 74%, está canalizada por meio da ONU e de diversas ONGs, mas muitos especialistas atribuem a lenta chegada de doações à falta de confiança nas autoridades paquistanesas.
Para convencer os céticos, Angelina argumentou que a suposta falta de confiança com os governos não deveria "servir de desculpa" para não dar assistência. Ela fez ainda um apelo para que seja melhor compreendida a realidade do país asiático, sobre o qual "frequentemente se fala de uma maneira muito simplificada".
IMAGEM
Questionada, Angelina disse estar "aberta" a participar de um filme que mostre "aspectos positivos" sobre o Paquistão em prol de melhorar a imagem do país no exterior, e sugeriu enfoque na generosidade da nação ao acolher milhões de refugiados afegãos em seu território durante mais de três décadas.
| Jason Tanner/Efe - 7.set.10 | ||
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| Angelina Jolie (dir.) visita o Paquistão e tenta atrair mais doações internacionais aos 21 milhões afetados por catástrofe |
A atriz participou da produção "O Preço da Coragem", de 2007, na qual deu vida à esposa do jornalista do "Wall Street Journal" Daniel Pearl, que foi sequestrado e assassinado por um grupo extremista no Paquistão pouco depois do 11 de Setembro.
A nação asiática teve diversos percalços em sua história desde a independência, há 63 anos, com conflitos étnicos, sectários, conturbadas relações com a Índia e um pujante movimento fundamentalista, que constantemente recorre a atentados.
É também um país-chave para a estabilização do Afeganistão, já que os insurgentes talebans estão presentes em ambos os lados da fronteira afegã-paquistanesa.
Os Estados Unidos têm frequentemente recorrido a ataques com mísseis lançados por aviões não-tripulados a pontos das áreas tribais do oeste do Paquistão, tradicional reduto dos talebans.
QUEIMA DO ALCORÃO
Angelina Jolie também juntou-se a um coro crescente de oposição ao plano de um pastor americano de queimar cópias do Alcorão no aniversário dos ataques de 11 de setembro, temendo que a iniciativa possa incentivar o ódio religioso.
O evento de queima do Alcorão, planejado para o sábado pelo pastor Terry Jones, que chefia uma pequena igreja pouco conhecida da Flórida, está alimentando temores crescentes sobre o aumento nas tensões entre cristãos e muçulmanos nos Estados Unidos e também em outros lugares do mundo.
Jolie declarou que jamais seria favorável a planos desse tipo. "É claro que não. É claro que não", disse ela em entrevista coletiva, quando lhe foi perguntado se apoiava os planos do pastor Jones.
Jolie disse que "mal tinha palavras" para expressar sua oposição à queima do texto religioso de qualquer fé.
Ela saudou a oposição do governo americano aos planos, que já suscitaram protestos irados no Afeganistão, onde tropas americanas combatem militantes do Taleban.
Comandantes militares americanos em Cabul avisaram que a queima do Alcorão colocará vidas de americanos em risco no Afeganistão. A Casa Branca e o Departamento de Estado divulgaram advertências, deixando claro que o governo do presidente Barack Obama deplora o plano.
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