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11/09/2010 - 11h07

EUA homenageiam vítimas do 11 de Setembro; Obama discursa por tolerância

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DE SÃO PAULO

Os Estados Unidos homenageiam neste sábado as 2.976 vítimas dos ataques terroristas de 11 de Setembro em cerimônias nos locais dos atentados: em Nova York, na Pensilvânia e no Pentágono. Em frente ao último, o presidente americano, Barack Obama, discursou em memória dos mortos e lembrou em um momento de tensão religiosa a importância da tolerância como um dos valores fundamentais dos EUA. "Não estaremos jamais em guerra contra o islã", afirmou.

"Eles [terroristas] podem tentar criar conflito entre as diferentes fés, mas nunca estaremos em guerra contra islã. [...] Assim como condenamos a intolerância e o extremismo no exterior, nos manteremos verdadeiros com nossa tradição aqui dentro [dos EUA]. Respeitamos os direitos das pessoas de escolherem sua fé", afirmou o presidente, em um recado direto sobre as duas polêmicas que envolvem este nono aniversário dos ataques e que opõe os americanos e cristãos ao islamismo.

Mark Ralston/AFP
Homem caminha por bandeiras americanas estendidas em homenagem às vítimas dos ataques de 11 de Setembro
Homem caminha por bandeiras americanas estendidas em homenagem às vítimas dos ataques de 11 de Setembro

A polêmica sobre a construção de uma mesquita e um centro de cultura islâmica a apenas duas quadras do Marco Zero, local do ataque a Nova York em 2001, e também a ameaça --já cancelada-- do pastor protestante Terry Jones, do Estado da Flórida, de queimar o Alcorão, livro sagrado do islã.

"Os que nos atacaram quiseram nos desmoralizar, destruir o que faz da América a América, a essência da liberdade", afirmou o democrata, em seu primeiro aniversário do 11 de Setembro como presidente. "Hoje declaramos mais uma vez que nunca daremos esta vitória, que manteremos vivas as conquistas que nos fizeram o que somos e o que devemos sempre ser", disse. "Como americanos, perseveremos".

Obama falou pouco depois de uma cerimônia em frente ao Pentágono, sede do dEpartamento de Defesa dos Estados Unidos e que foi atingida por um avião pilotado por um terrorista em 11 de setembro de 2001.

O almirante Mike Mullen disse que os sobreviventes dos ataques contra do ataque honram as vítimas com suas próprias vidas, incluindo os sacrifícios que os militares fizeram desde então na guerra contra a Al Qaeda. A cerimônia contou ainda com os familiares dos 184 mortos no ataque ao prédio.

Já em Nova York, sinos tocaram em uma solenidade acompanhada por parentes chorosos e que carregavam fotos das vítimas. Os militares tocaram ainda tambores para marcar a cerimônia que contou com breve declaração do prefeito Michael Bloomberg, relatos de familiares das vítimas e a leitura de todos os nomes daqueles que morreram.

"Mais uma vez estamos aqui para lembrar o dia que viemos a chamar de 11 de Setembro. Nós retornamos a este solo sagrado para unir nossos corações, os nomes daqueles que amamos e perdemos", disse Bloomberg. "Nenhuma outra tragédia pública atingiu nossa cidade tão profundamente. Nenhum outro lugar está tão repleto com nossa compaixão, nosso amor e nossa solidariedade".

Chris Hondros/AFP
Vice-presidente Joe Biden e outros políticos colocam flores em homenagem às vítimas dos ataques
Vice-presidente Joe Biden e outros políticos colocam flores em homenagem às vítimas dos ataques

Todos se calaram por um momento de silêncio exatamente às 8h46 (9h46 em Brasília), quando o primeiro avião sequestrado atingiu a torre do World Trade Center, em 2001.

Cerca de 40 minutos antes, o vice-presidente Joe Biden depositou uma rosa no Marco Zero, em cerimônia pelas vítimas.

Obama também deve participar de uma cerimônia em Washington. Enquanto a primeira-dama Michelle Obama deve se unir a antecessora Laura Bush em Shanksville, Pensilvânia, onde o quarto avião, o voo 93 da United, caiu depois que passageiros impediram os terroristas.

POLÊMICAS

Depois de confirmar que abandonou seus planos de queimar cópias do Alcorão "hoje e para sempre", segundo a rede de TV CNN, o pastor evangélico americano Terry Jones foi da pequena Gainesville, na Flórida, para Nova York para tentar convencer o imame Feisal Abdul Rauf a mudar o local de um polêmico dentro cultural islâmico e mesquita previstos para serem construídos a apenas dois quarteirões do local dos atentados de 11 de Setembro na cidade.

Responsável pelo projeto, Rauf negou nesta sexta-feira que tenha encontro marcado com o pastor da Flórida e ressaltou que os planos para o centro comunitário não mudaram. "Eu estou preparado para considerar um encontro com qualquer um que está seriamente comprometido em obter a paz. Nós não temos nenhum encontro do tipo planejado no momento", disse o imame.

Mary Altaffer/AP
Pastor Terry Jones é cercado por repórteres ao chegar em Nova York para tentar evitar mesquita
Pastor Terry Jones é cercado por repórteres ao chegar em Nova York para tentar evitar mesquita

O projeto da mesquita e centro cultural, orçado em US$ 100 milhões, opôs republicanos e democratas e dividiu até mesmo os familiares das vítimas do ataque às Torres Gêmeas, que matou quase 3.000 pessoas, entre elas cerca de 60 muçulmanos. Enquanto uns defendem a liberdade religiosa e o direito à construção --como Obama--, outros --como a republicana Sarah Palin-- dizem que se trata de desrespeito aos mortos pela Al Qaeda.

A maioria da população ficou do lado de Palin. Pesquisa divulgada quarta-feira pelo "Washington Post" mostra que dois terços dos americanos se opõem à construção. Enquanto 82% daqueles que são contra citam a localização como principal problema, 14% afirmam que se oporiam a uma construção como essa em qualquer parte do país. A pesquisa concluiu que 49% dos americanos têm uma visão negativa do islã.

Jones protagoniza há anos uma dura campanha contra o islamismo, que rendeu até mesmo o livro "Islam Is of the Devil" ("Islã É do Demônio", em tradução livre). Nele, Jones conta que a religião islâmica é um risco à liberdade de todas as nações e tem como preceito a opressão e a violência. Sua causa, contudo, ganhou o mundo após começar a divulgar na internet a proposta para a data anual de queima do Alcorão.

Após grande destaque na imprensa americana e mundial, Jones afirmou na quinta-feira que a condição para cancelar seus planos --condenados duramente ao redor do mundo e por todo o alto escalão dos EUA-- era que Rauf mudasse o local de construção da mesquita. Ele chegou a anunciar que o acordo havia sido concretizado, informação negada pouco depois pelos lideres muçulmanos.

Na sexta-feira, em uma sequência de confusas mensagens sobre seus planos, Jones disse que suspenderia os planos da queima do Alcorão se conseguisse um encontro com Rauf. Horas depois, voltou atrás e deu um ultimato de duas horas para que os muçulmanos concordassem em mudar a mesquita de lugar.

No fim do dia, Jones falou diante de um grande número de jornalistas de todas as partes do mundo que transmitiam as últimas informações ao vivo da frente da igreja que não haverá queima do livro sagrado muçulmano neste sábado. Ele ressaltou, contudo, que ainda "estamos muito confiante de que vamos encontrá-lo e continuamos convencidos, em razão das diferentes fontes de que dispomos e que não podemos mencionar no momento, de que este encontro ocorrerá amanhã".

 

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