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Sarkozy e presidente da Comissão Europeia discutem por causa de ciganos, diz premiê búlgaro
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DA FRANCE PRESSE, EM BRUXELAS
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, protagonizaram nesta quinta-feira durante uma cúpula da UE em Bruxelas uma discussão "violenta" em torno das expulsões de ciganos da França, afirmou o premiê búlgaro, Boyko Borisov.
"Houve uma discussão muito violenta entre o presidente da Comissão e o presidente francês sobre a questão dos ciganos", disse o búlgaro à imprensa.
A organização estima que a França possa estar violando a legislação comunitária sobre a liberdade de circulação de cidadãos da União Europeia com a decisão de deportar ciganos para a Romênia e a Bulgária -- que são membros do bloco desde 2007. A França pode ser denunciada diante da Justiça europeia.
Já Sarkozy disse diante dos líderes da UE que a comissão "ofendeu a França", ao fazer uma relação, por meio da comissária de Justiça, Viviane Reding, entre as expulsões de ciganos e as deportações da 2ª Guerra Mundial (1939-1945).
No início da semana, Reding classificou a política imigratória francesa como uma "desgraça". Em reação, Paris deixou claro que não suspenderá o programa de expulsões de ciganos.
Frente à inflexibilidade do governo francês, Reding teceu críticas ainda mais duras. "A discriminação por motivos de raça ou etnia não tem espaço na Europa", afirmou a comissária. "Pensava que a Europa não precisaria testemunhar mais uma vez uma situação como esta após a Segunda Guerra Mundial", disse Reding, se referindo à perseguição sofrida pelos ciganos na Alemanha nazista.
Em reação, Berlim apoiou a posição da comissária, mas defendeu que um tom mais moderado seria mais adequado. "O direito de livre circulação dentro da União Europeia (UE) é incondicional e nenhuma discriminação é permitida contra minorias étnicas", afirmou o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert.
Uma representante da Comissão Europeia "tem perfeitamente o direito de fazer uma declaração, como fez ontem. Mas essas declarações são às vezes mais úteis se tiverem um tom moderado", acrescentou.
O Executivo europeu apoiou nesta quarta-feira Reding ao afirmar que ela falava "em nome da Comissão", e Barroso deu seu apoio pessoal.
EXPULSÃO
O governo francês mandou cerca de mil ciganos de volta à Romênia e à Bulgária nas últimas semanas, como parte de medidas de combate ao crime e sob uma proposta de imigração. Sarkozy ligou os ciganos ao crime, chamando os campos em que alguns deles vivem de fontes de tráfico, exploração de crianças e prostituição.
Em 2009, 10 mil romenos e búlgaros foram levados para seus países, segundo as autoridades francesas, no que Paris considera um programa de repatriação voluntária.
Cerca de 400 mil pessoas, 95% delas francesas, fazem parte da comunidade cigana na França. O restante é formado por ciganos de origem búlgara, romena e de outros países dos Bálcãs, cujo número aumenta constantemente, segundo o governo. Calcula-se que haja 15 mil ciganos em situação irregular na França.
Como tanto a França como a Romênia são membros da União Europeia, seus cidadãos podem viajar livremente entre os dois países e permanecer legalmente por até três meses --o que dificulta o controle sobre a minoria. Mas os governos também podem, legalmente, mandar cidadãos para outros países da UE se eles não conseguem encontrar trabalho ou se sustentar.
Há entre 10 milhões e 12 milhões de ciganos na União Europeia, a maioria vivendo em circunstâncias de calamidade, vítimas de pobreza, discriminação, violência, desemprego e habitação precária. Cerca de 1,5 milhão vivem na Romênia, um país de 22 milhões de habitantes, que tem a maior população de ciganos na Europa.
As expulsões promovidas pelo governo de Sarkozy foram criticadas por várias instituições, como a Igreja Católica e a ONU (Organização das Nações Unidas), e até mesmo alguns membros do governo e do partido político de Sarkozy demonstraram preocupação.
Apesar das críticas, o governo está convencido de que todo este tema fortalece Sarkozy frente às eleições presidenciais de 2012, após o escândalo sobre as doações ilegais da mulher mais rica da França, Liliane Bettencourt, herdeira do grupo L'Oréal, à campanha do presidente em 2007.
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