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24/09/2010 - 12h57

Comentários de Ahmadinejad sobre 11/9 são "ofensivos" e "indesculpáveis", diz Obama

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Atualizado às 13h07.

O presidente americano, Barack Obama, classificou nesta sexta-feira de "ofensivos" e "indesculpáveis" os comentários feitos ontem pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sobre os ataques de 11 de Setembro.

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O líder do Irã enumerou teorias conspiratórias sobre o 11/9 durante seu discurso na 65ª Assembleia Geral da ONU, dizendo que "muitas pessoas" acham que o governo americano esteve por trás dos atentados, que mataram cerca de 3.000 pessoas.

Em entrevista à BBC Persa, Obama afirmou que as declarações foram "ofensivas" e "cheias de ódio", segundo a Casa Branca. "Para ele, fazer tais tipos de comentário é algo indesculpável", disse ainda a Casa Branca, que divulgou trechos da entrevista.

Em seu discurso na sede da ONU, em Nova York, Ahmadinejad explicou que há três teorias sobre os ataques de 11 de Setembro.

Mike Segar/Reuters
Presidente iraniano, Mahmoud Ahmnadinejad, discursa na ONU; declarações sobre o 11/9 causam polêmica
Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, discursa na ONU; para Obama, comentários são "indesculpáveis"

A primeira: que um "grupo terrorista poderoso e complexo" conseguiu passar pelos sistemas de inteligência e segurança dos EUA. A segunda: "que alguns segmentos dentro do governo dos EUA orquestraram o ataque para reverter o declínio da economia americana e seu controle no Oriente Médio, também para salvar o regime sionista" --segundo o iraniano, "a maioria do povo americano, bem como de outras nações, e políticos concordam com essa visão".

Foi a gota-d'água. Nesse momento, a delegação americana na ONU levantou-se e deixou o auditório sem ouvir a terceira teoria: de que o ataque foi obra de "um grupo terrorista, mas que o governo americano apoiou e tirou vantagem da situação".

Segundo Ahmadinejad, os atentados teriam servido como desculpa para invadir o Iraque e o Afeganistão. "Foi dito que cerca de 3.000 pessoas foram mortas em 11 de Setembro, o que nos deixa muito entristecidos. Porém, até agora no Afeganistão e Iraque, centenas de milhares de pessoas foram mortas, milhões feridas e desabrigadas, e os conflitos ainda continuam e crescem."

Andrew Gombert/Efe
Representantes americanos deixam sala em protesto durante discurso do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na ONU
Representantes americanos deixam sala em protesto durante discurso do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na ONU

O iraniano defendeu que invadir um país "usando como justificativa a liberdade" é um crime que não pode ser perdoado. Várias delegações europeias também saíram. Um diplomata europeu disse que todos os 27 países-membros tinham concordado em sair se Ahmadinejad fizesse declarações inflamadas em seu discurso.

"Em vez de representar as aspirações e a boa vontade do povo iraniano, o senhor Ahmadinejad novamente escolheu declamar teorias conspiratórias repugnantes e calúnias antissemitas, que são tão detestáveis e ilusórias quanto previsíveis", afirmou o porta-voz da missão americana da ONU, Mark Kornblau, em comunicado logo após as declarações polêmicas do iraniano.

EUROPA

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, também afirmou nesta sexta-feira que as declarações do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad sobre os atentados de 11/9 são "escandalosas e inaceitáveis".

"A afirmação do presidente iraniano de que os Estados Unidos foram de alguma forma responsáveis pelos atentados de 11/9 e que a maioria dos americanos também pensa assim é escandalosa e inaceitável", declarou Ashton em um comunicado.

"Esta é a razão pela qual todos os representantes dos 27 países da União Europeia (UE) abandonaram a Assembleia Geral da ONU em Nova York", indicou.

 

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