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29/09/2010 - 17h25

Pergunta de jornalista irrita Chávez; Caracas pede que imprensa não seja "ator político"

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DE SÃO PAULO
DA FRANCE PRESSE, EM CARACAS

Atualizado às 17h38.

A pergunta de uma jornalista parece ter incomodado o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, após a divulgação dos resultados das eleições legislativas do último domingo (26).

Em entrevista coletiva na noite de segunda-feira (27), a jornalista Andreína Flores, correspondente da Rádio Francia Internacional e da RCN da Colômbia, pediu a Chávez que explicasse como seu partido tinha vencido as eleições se a oposição tinha conquistado a maioria dos votos.

Irritado, o presidente perguntou se Andreína conhecia a Constituição venezuelana e acusou sua emissora de difundir mentiras sobre a "revolução bolivariana".

Segundo os resultados oficiais divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), os deputados de tendência governista conquistaram 98 cadeiras na Assembleia Nacional, com 5.399.574 votos. Já os deputados de oposição ficaram com 65 assentos, com 5.312.293 votos. Já os deputados do Pátria Para Todos (PPT), um dissidente do chavismo, ficaram com dois lugares, somando 330.260 votos.

Contabilizando os votos do PPT como de oposição, a coalizão opositora comemorou ter obtido a maioria do número de votos no país, apesar de isso não significar a maioria dos assentos na Câmara.

Continuando a novela, nesta quarta-feira Ministério da Informação emitiu um comunicado à Associação de Imprensa Estrangeira (Apex) da Venezuela, pedindo que "não se preste a participar na vida nacional como um ator político a mais, e sim que seus membros desenvolvam seu trabalho com um total respeito às instituições e à ética jornalística".

"O presidente fez uma crítica respeitosa a uma pergunta tendenciosa da jornalista. É um direito que todo cidadão tem, inclusive o presidente da República", afirma o comunicado.

O texto foi uma resposta a um comunicado da Apex, que pede ao governo respeito e abertura ao trabalho dos jornalistas e demonstra solidariedade e apoio a Andreína.

O Sindicato de Jornalistas Venezuelano (SNTP) e o Colégio Nacional de Jornalistas (CNP) também condenaram a reação do presidente.

Já a jornalista afirmou, na rede social Twitter: "Antes do impasse com Chávez tinha cerca de 600 seguidores, agora já são quase 13 mil".

 

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