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Vazamento de lama tóxica na Hungria chega ao rio Danúbio
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
O vazamento de lixo tóxica causada pela ruptura de um reservatório na região sudoeste da Hungria chegou nesta quinta-feira ao rio Danúbio, e autoridades tentam agora impedir que a lama se alastre pelos demais países europeus banhados por ele.
Veja imagens da lama tóxica na Hungria
Segundo o governo húngaro, o componente tóxico do lodo tem se diluído, e nenhuma morte de peixes foi registrada até agora nos rios Raba e Mosoni, afluentes do principal rio do país e um dos principais da Europa.
Já no rio Mercal, localizado nas proximidades do vazamento e o primeiro a ser alcançado pela lama, houve mortes generalizadas de peixes. Segundo a unidade regional de desastres, "todo o ecossistema foi destruído, todos os peixes e a vegetação morreram".
Ao menos quatro pessoas morreram, 150 ficaram feridas e três estão desaparecidas.
| Laszlo Balogh/Reuters | ||
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| Membro de equipe de resgate caminha na lama tóxica no vilarejo de Kolontar, um dos mais atingidos por desastre |
A expectativa é que, dado o tamanho do rio Danúbio, o conteúdo tóxico do lixo se dilua a ponto de não causar danos. Autoridades acreditam, inclusive, ser possível uma diluição total antes de as águas chegarem a outros países.
"Com base em nossas estimativas atuais, a poluição deve permanecer contida na Hungria", disse o diretor do braço húngaro da ONG WWF. "Acreditamos também que chegará a Budapeste em níveis aceitáveis."
O rio Danúbio atravessa Croácia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Ucrânia e Moldova antes de desaguar no mar Negro.
Ontem, a União Europeia (UE) havia manifestado temor de que a lama se alastrasse por outros países. E a Hungria anunciou abertura de investigações pela polícia para determinar as causas do vazamento.
DESASTRE
Desde o rompimento do reservatório de uma refinaria na cidade de Ajka (160 km a oeste de Budapeste), na segunda-feira, cerca de 1 milhão metros cúbicos de resíduos tóxicos foram espalhados pela região de Kolontar e outras duas vilas.
| Arte Folha |
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| mapa do local do vazamento na Hungria |
O vazamento carregou carros nas ruas, danificou casas e pontes, e levou cerca de 400 moradores a deixarem a região. Entre os quatro mortos está ao menos uma criança, de 3 anos. Seis pessoas estão desaparecidas e 120 ficaram feridas --duas em estado grave--, a maioria com queimaduras e irritação nos olhos causada por chumbo e outros elementos corrosivos presentes na lama vermelha. Muitos animais também morreram.
Para o secretário de Estado do Ministério do Meio Ambiente, Zoltan Illés, este é o acidente químico mais grave da história da Hungria. "O vazamento de lama vermelha é uma catástrofe ecológica."
A lama vermelha é um resíduo do processo de transformação da bauxita em alumina, matéria-prima para a fabricação do alumínio. A produção de uma tonelada de alumínio gera quase três toneladas de lama vermelha.
RECUPERAÇÃO
O governo húngaro estima que serão necessários pelo menos um ano e milhões de dólares para limpar as cidades atingidas pelo desastre ambiental, que levou à decretação de estado de emergência em três cidades do sudoeste do país.
O premiê Viktor Orban visitou nesta quinta-feira a cidade de Kolontar e disse não ver motivo para a remoção de destroços em ao menos uma parte do vilarejo, uma vez que, segundo ele, será impossível alguém voltar a viver lá.
"É difícil encontrar palavras. Se isso tivesse acontecido à noite, todos estariam mortos", afirmou Orban.
O premiê voltou a dizer que o desastre é a maior catástrofe ambiental da história da Hungria e descartou que tenha tido causas naturais. "Um erro humano é mais do que provável. A parede [do reservatório] não se desintegrou em um minuto. Isso deveria ter sido detectado."
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