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15/10/2010 - 09h48

Um terço dos judeus israelenses acredita que árabes não deveriam votar

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DA EFE, EM JERUSALÉM

Cerca de 36% dos judeus israelenses pensam que os cidadãos não judeus do país (em sua maioria árabes, que representam 20% da população) não deveriam ter direito a voto, segundo uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira pelo jornal "Yedioth Ahronoth".

O estudo indica que apenas 3% da população judaica se define como fascista e 10% como "nacionalista", enquanto 80% asseguram se identificar com os valores democráticos.

Apesar disso, 36% estão de acordo em que o direito de voto se restrinja por razões étnicas ou religiosas e que se impeça a quem não seja judeu de ir às urnas.

Entre os ultra-ortodoxos judeus, a percentagem de quem tiraria dos árabes o direito a voto chega a 68%, enquanto entre os israelenses seculares diminui para 25%.

Quanto a outros valores democráticos, mais da metade dos participantes da enquete, 55%, consideram justificado limitar a liberdade de expressão, apesar de esta não colocar em risco a segurança do estado.

Para 56% dos indagados, o ministro de Exteriores, o ultradireitista Avigdor Lieberman, é culpado pela ascensão do extremismo nacionalista e do fascismo em Israel.

UNIÃO EUROPEIA

Ainda na terça-feira (12), a União Europeia (UE) considerou que Israel deve garantir igualdade de direitos a todos os seus cidadãos, depois que o governo israelense pediu aos palestinos que reconheçam o "Estado judeu".

"O futuro Estado palestino e Israel devem garantir igualdade completa aos seus cidadãos. No caso de Israel, mesmo que não sejam judeus", afirmou Maja Kocijancic, porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.

Kocijancic, que evitou entrar em mais detalhes sobre como se posicionam os membros do bloco, afirmou que a UE apoia a existência de dois Estados "democráticos, vivendo um junto ao outro em paz e segurança".

Aproximadamente um quinto da população de Israel é árabe e os palestinos insistem na reivindicação do direito ao retorno dos refugiados da criação do Estado israelense em 1948, bem como de seus descendentes.

O posicionamento chega em reação à proposta do premiê Binyamin Netanyahu, que um dia antes disse diante do Knesset, o Parlamento israelense, que o governo poderia suspender as atividades de construção nos assentamentos judaicos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental em troca de que os palestinos reconheçam Israel como "Estado judeu", algo que a direção palestina classificou rapidamente como "inaceitável".

"Se a liderança palestina disser inequivocamente ao seu povo que reconhece Israel como a terra do povo judeu, eu estarei pronto a convencer o meu governo e requerer nova suspensão [das colônias]", disse Netanyahu ao Parlamento israelense.

Segundo o premiê de Israel, o reconhecimento de Israel como um Estado judeu é essencial para que um Estado palestino possa ser criado na Cisjordânia e na faixa de Gaza.

 

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