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Vaticano diz que palavras do papa Bento 16 pedem uma sexualidade responsável
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÌCIAS
O Vaticano assegurou neste domingo que as palavras do papa Bento 16 sobre o uso do preservativo, segundo ele justificável em "alguns casos", não são "uma mudança revolucionária", mas uma "visão compreensiva" para levar a humanidade "culturalmente muito pobre rumos ao exercício responsável da sexualidade".
O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, deu um comunicado oficial pelo qual as manifestações de Bento 16 "não reformam ou mudam as doutrinas da Igreja, mas as reafirmam, na perspectiva do valor e da dignidade da sexualidade humana como expressão de amor e responsabilidade".
Lombardi disse que o papa não justifica moralmente o exercício "desordenado" da sexualidade, mas considera que o uso de profilático para diminuir o risco de contágio da aids "é um primeiro ato de responsabilidade, um primeiro passo para uma sexualidade mais humana".
DECLARAÇÕES
No livro a ser lançado na terça-feira (23) na Alemanha e na Itália, o papa Bento 16, 83, afirma que o uso de preservativos é aceitável "em certos casos", especialmente para reduzir o risco de infecção do HIV, mas insiste que não é a "verdadeira" maneira para combater a Aids, já que para ele é necessária uma "humanização da sexualidade".
O livro, que tem como título "Light of the World: The Pope, the Church and the Signs of the Times" (Luz do Mundo: O Papa, a Igreja e os Sinais do Tempo), é baseado em 20 horas de entrevistas conduzidas pelo jornalista alemão Peter Seewald.
Alguns capítulos foram publicados neste domingo pelo jornal do Vaticano, "L'Osservatore Romano".
As declarações surpreendentes, apesar de não questionarem a proibição da camisinha na doutrina da Igreja, foram consideradas um passo importante que muda a imagem ultraconservadora do pontífice alemão, segundo analistas.
"O papa deu o passo em um momento maduro, que já era esperado por muitos teólogos e conferências episcopais", afirmou o vaticanista Luigi Accatoli do jornal "Corriere della Sera".
DEBATE
A inédita abertura do chefe da Igreja Católica ao uso do preservativo, rejeitado de todos os modos até o momento, abre o debate dentro da instituição sobre uma aceitação ou não do uso da camisinha como um "mal menor" para salvar vidas.
Com a abertura "clamorosa", como a qualificou à France Presse o vaticanista Marco Politi, o Papa "consente com cautela" o uso da camisinha 20 mesos depois das reações negativas provocadas por uma declaração dada pelo pontífice na África, continente devastado pela Aids, de que o preservativo "agravava o problema".
Importantes nomes da Igreja, como os cardeais Carlo Maria Martini e o africano Peter Kodwo Appiah Turckson, já haviam se pronunciado publicamente a favor do uso da camisinha em casos específicos, como quando um dos membros do casal está contaminado.
"Desta vez parece que fala como pastor, com tom tolerante, mais que cmo chefe da Igreja. São declarações que não podia fazer de forma oficial", declarou à France Presse o analista Bruno Bartolini.
Para Politi, o papa percebeu que "demonizar" o preservativo era "insustentável do ponto de vista científico, teológico e moral", mas afirmou que seria melhor ter pronunciado estas palavras em um contexto eclesiástico e não por meio de uma entrevista.
Ao mesmo tempo, pessoas ligadas ao pontífice, tentaram minimizar o alcance da afirmação.
"A doutrina católica não muda, o uso do preservativo está proibido", afirmou Giovanni Maria Vian, editor do "L'Osservatore Romano".
"O sumo pontífice se refere a um ato de caridade e não à mudança da doutrina", destacou o escritor católico Vittorio Messori.
Mas para o diretor do programa Unaids, criado pela ONU para combater a propagação do vírus da Aids, a declaração é um "passo adiante".
"É um passo adiante significativo e positivo do Vaticano", afirma em um comunicado o diretor executivo do Unaids, Michel Sidibé.
"Este avanço reconhece que um comportamento sexual responsável e o uso do preservativo têm um papel importante na prevenção do HIV-Aids", completa a nota.
Sidibé disse ainda que em 2009 teve conversas de longo alcance com representantes do Vaticano sobre a prevenção da Aids.
"Juntos podemos construir um mundo sem novas infecções por Aids, sem discriminação e sem mortes como consequência da doença", destacou.
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