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Se Lula fosse sindicalista no Irã estaria preso, diz jornalista iraniana
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SIMONE IGLESIAS
DE BRASÍLIA
A jornalista iraniano-americana Roxana Saberi, 33, presa por cerca de cem dias pelo Irã no ano passado, se reuniu na tarde desta quarta-feira com o assessor especial de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, no Palácio do Planalto.
Saberi entregou ao assessor uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que pede que o governo brasileiro apele ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para que liberte mais de 500 prisioneiros políticos, entre eles militantes estudantis, ativistas pelos direitos das mulheres, integrantes da oposição ao regime, jornalistas e blogueiros.
| Silvia Zamboni/Folhapress |
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| Roxana Saberi participa de sabatina no auditório da Folha; ele pede ajuda a Lula para libertar presos políticos iranianos |
"Se Vossa Excelência tivesse sido sindicalista no Irã, teria compartilhado o mesmo destino de Mansour Ossanlu [sindicalista iraniano], que em 2007 foi sentenciado a cinco anos de prisão", diz em trecho da carta.
Saberi pede, ainda, que o governo Lula modifique sua posição de abstenção apresentada na semana passada durante a votação do projeto de resolução da ONU (Organização das Nações Unidas) que critica o histórico de direitos humanos no Irã para votar a favor da resolução na Assembleia Geral, em dezembro.
Em debate na Folha, nesta segunda-feira (22), a jornalista contou que sofreu "tortura branca" para assinar confissão de que espionava para os EUA.
Ela afirmou ter sido submetida a isolamento, intimidação e ameaças para admitir culpa. Na sala de interrogatório da prisão de Evin, onde ficou, as paredes eram revestidas para que os presos pudessem ser atirados contra ela sem ficarem marcados.
Leia a íntegra da carta entregue ao presidente Lula
"Senhor presidente,
Gostaria de aproveitar esta oportunidade para expressar minha gratidão pela gentileza e cuidado com que fui recebida no Brasil. Tenho observado que o povo brasileiro se preocupa com as injustiças enfrentadas por muitos iranianos e percebi que nossos destinos estão interconectados.
O governo brasileiro busca o diálogo e as relações diplomáticas com o Irã, e agora é chegado o momento de dar um passo adiante e relembrar o governo iraniano de suas obrigações para com o seu povo por meio da observância dos direitos humanos universais.
Escrevo como uma entre muitos indivíduos que foram injustamente aprisionados pelas autoridades iranianas.
Amo o Irã, e meu foco sobre os direitos humanos naquele país surge hoje não de um sentimento de raiva ou de ressentimento, mas da solidariedade que sinto para com os iranianos que estão lutando para fazer com que suas próprias vozes possam ser ouvidas.
Brasil e Irã são parceiros cujo potencial de relacionamento pode florescer. Os próximos passos de Vossa Excelência poderão mudar o futuro do Irã e de seu povo. Peço humildemente que considere as seguintes sugestões que o governo brasileiro pode adotar junto a seus contrapartes iranianos, como o início de um caminho que poderá ajudar a dar aos diversos povos do Irã a oportunidade de viver livremente, como vivem os brasileiros hoje.
Peço que solicite a libertação dos mais de 500 prisioneiros de consciência existentes no Irã, incluindo militantes estudantis, ativistas pelos direitos das mulheres, figuras da oposição política, jornalistas e blogueiros.
De acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras, o Irã é a terceira maior prisão para jornalistas do mundo. Algumas dezenas de jornalistas detidos hoje incluem Henghameh Shahidi, sentenciada a seis anos de prisão; Issa Saharkhiz, sentenciada a três anos; e o pioneiro dos blogs, Hossein Derakhshan, condenado a mais de 19 anos de prisão.]
Enquanto isso, os sete líderes da minoria religiosa iraniana bahá'í continuam atrás das grades, cumprindo a inacreditável e injusta sentença de dez anos de prisão.
Também encontram-se presos defensores dos direitos humanos como Nasrin Sotudeh, detida desde setembro, um dos casos sobre os quais a Alta Comissária de Direitos Humanos das Nações Unidas, Navi Pillay, expressou preocupação na última terça-feira.
E se Vossa Excelência tivesse sido sindicalista no Irã, teria compartilhado o mesmo destino de Mansour Ossanlu, que em 2007 foi sentenciado a cinco anos de prisão.
Gostaria ainda de respeitosamente solicitar que seu governo modifique sua posição de abstenção apresentada na semana passada durante a votação do projeto de resolução das Nações Unidas que critica o histórico de direitos humanos no Irã para votar a favor da resolução na Assembleia Geral, em dezembro.
Peço que conclame as autoridades iranianas a considerar tomar ações imediatas acerca destas questões. A vida de muitos iranianos inocentes dependem de ações de coragem de pessoas como Vossa Excelência.
Sinceramente,
Roxana Saberi"
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