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Vazamento pelo WikiLeaks não muda relações com os EUA, diz Afeganistão
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HAMID SHALIZI
EMMA GRAHAM-HARRISON
DA REUTERS, EM CABUL
Documentos diplomáticos secretos vazados do Departamento de Estado dos EUA que descrevem o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, como "extremamente fraco" e o irmão dele como um corrupto traficante de drogas não irão prejudicar os laços com Washington. A afirmação foi feita ontem pelo porta-voz de Karzai, Waheed Omer.
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As mensagens secretas enviadas de Cabul também alegam que um ex-vice-presidente deixou o Afeganistão com mais de US$ 50 milhões em dinheiro.
O porta-voz minimizou o conteúdo dos documentos. "[O vazamento] não terá um efeito significativo em nossa ampla relação com os EUA", afirmou Omer. "Não há muito nos documentos para nos surpreender e não vemos nada substantivo que irá afetar nosso relacionamento, mas ainda há mais para vir."
Até agora, apenas uma parte dos mais de 250 mil documentos --enviados a quatro jornais europeus e um americano-- foi divulgada, mas eles pintam uma imagem particularmente negativa do meio-irmão de Karzai, Ahmad Wali Karzai, figura importante na cidade do sul afegão de Candahar.
"Enquanto precisamos lidar com Ahmad Wali Karzai como o chefe do Conselho Provincial, ele é largamente tido como corrupto e um traficante de narcóticos", diz um documento confidencial enviado de Cabul, datado de outubro de 2009 e assinado pelo embaixador dos EUA, Karl Eikenberry.
O próprio presidente é descrito como fraco e tende a acreditar em teorias conspiratórias.
"Um homem extremamente fraco que não atenta a fatos mas em vez disso era facilmente influenciado por qualquer um que viesse com um relato, mesmo as mais bizarras histórias ou planos contra ele", segundo uma mensagem sem data publicada pelo jornal britânico "Guardian".
A Embaixada dos EUA em Cabul condenou o vazamento mas, como Karzai, disse que isso não irá afetar as relações bilaterais.
"Nossos objetivos compartilhados não mudam baseados na divulgação de supostos relatórios diplomáticos do passado", disse Eikenberry em um comunicado.
DOCUMENTOS
Os chamados "cables" revelam detalhes secretos --alguns bastante curiosos-- da política externa americana entre dezembro de 1966 e fevereiro deste ano, em um caso que começa a ficar conhecido como "Cablegate".
São 251.288 documentos enviados por 274 embaixadas. Destes, 145.451 tratam de política externa, 122.896, de assuntos internos dos governos, 55.211, de direitos humanos, 49.044, de condições econômicas, 28.801, de terrorismo e 6.532, do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
O site, que já causou outras saias-justas para os EUA com a revelação de documentos secretos das guerras no Afeganistão e Iraque, tornou público um mundo secreto dos bastidores da diplomacia internacional. A maioria representa retratos críticos dos EUA a líderes estrangeiros, desde aliados como a Alemanha, Itália e Afeganistão, a nações como Líbia e Irã.
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