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07/12/2010 - 16h42

Promotoria sueca nega pressão política pela prisão do fundador do site WikiLeaks

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DE SÃO PAULO

Atualizado às 16h43.

Uma promotora sueca negou nesta terça-feira que o mandado de prisão contra o fundador do site WikiLeaks, o australiano Julian Assange, tenha qualquer tipo de motivação política ou esteja ligado a seu trabalho de divulgar documentos secretos dos EUA.

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Assange se apresentou à polícia britânica nesta terça-feira e deve permanecer sob custódia até 14 de dezembro, após ter um pedido de fiança negado. Ele entrou na lista de procurados da Interpol (polícia internacional), após a Suécia ter emitido uma ordem de prisão internacional contra ele por estupro e assédio sexual. Ele nega todas as acusações e alega que o caso é apenas uma estratégia para desmerecer as revelações feitas por seu site.

O Wikileaks é um site conhecido por divulgar documentos sigilosos. Embora no ar há alguns anos, ele ganhou destaque internacional neste ano, ao levar a público 77 mil documentos da inteligência americana sobre o Iraque e, nas últimas semanas, mais de 250 mil documentos secretos do Departamento de Estado dos EUA.

Andrew Gombert/Efe
Carro traz fundador do WikiLeaks, Julian Assange, para tribunal de Westminster, onde lutará contra extradição à Suécia
Carro traz fundador do WikiLeaks, Julian Assange, para tribunal de Westminster, onde lutará contra extradição

"Quero deixar claro que não recebemos nenhum tipo de pressão, política ou de outro tipo", disse Marianne Ny, diretora da promotoria sueca, em comunicado.

"Os promotores suecos são completamente independentes em suas tomadas de decisão", disse ela.

O jornal "Aftonbladet" cita ela dizendo, em entrevista coletiva em Gothenburg, que não via nada que indicasse um complô. "A investigação criminal não tem nada a ver com o WikiLeaks. Tem a ver com ele pessoalmente", disse ela.

Ao ser questionada se os EUA também procuram Assange, ela teria dito, segundo uma rádio sueca: "Nenhuma autoridade estrangeira pediu informações. Apenas jornalistas e pessoas buscaram informações".

"Não divulguei um mandado de prisão europeu para que ele seja entregue aos EUA", disse ela, segundo a agência de notícias TT.

EXTRADIÇÃO

O juiz da primeira instância deve definir a data de uma audiência sobre a extradição. Isso deve ocorrer dentro de 21 dias a partir de sua detenção, nesta terça-feira. Se um juiz aprovar, sua extradição será autorizada. Ele ainda poder recorrer contra a decisão em instâncias mais elevadas.

Os advogados de Assange temem que a extradição à Suécia leve à sua extradição aos Estados Unidos, onde o WikiLeaks enfrenta investigação do Departamento de Justiça. A batalha legal, alertam, pode durar meses.

PRISÃO

A primeira versão da ordem de prisão sueca foi emitida em 18 de novembro, com o objetivo de interrogá-lo por "suspeitas razoáveis de estupro, agressão sexual e coerção" no caso.

Sem sucesso, a Promotoria sueca pediu o alerta internacional da Interpol para a prisão de Assange, declarado em 30 de novembro. Na época, o advogado Stephens disse que as autoridades suecas rejeitaram diversas ofertas para conversar com Assange.

Kirsty Wigglesworth/AP
Mark Stephens, advogado de Assange, chega ao tribunal e é cercado por jornalistas
Mark Stephens, advogado de Assange, chega ao tribunal e é cercado por jornalistas; seu cliente "está bem"

Segundo a imprensa britânica, as autoridades não puderam detê-lo na semana passada devido a um erro no primeiro mandado. Assange enfrenta acusações de estupro e assédio sexual, mas a primeira versão do mandado incluiria apenas a sentença máxima para o mais grave dos crimes. As autoridades britânicas exigem que a pena máxima seja descrita para todos os crimes alegados.

A Suécia emitiu na sexta-feira passada (3) um novo documento, com uma informação que faltava, e que foi entregue ao Reino Unido. O novo mandado permitiu a prisão de Assange.

CASO

Segundo a Justiça sueca, ele cometeu estupro, assédio sexual e coerção ilegal contra duas mulheres. Os argumentos usados pela promotoria não estão claros, mas a prática de sexo desprotegido pode ser considerada uma categoria leve de estupro na Suécia. Assange manteve relações sexuais com duas mulheres, em datas distintas, enquanto dava palestras em Estocolmo.

Assange afirma que as relações foram consensuais. Segundo depoimentos das vítimas, o preservativo estourou com uma delas e com a outra Assange teria se recusado a usá-lo. A defesa de Assange alega que a ação da Suécia é uma retaliação em relação a vazamentos divulgados pelo WikiLeaks sobre o país.

Em um imbróglio judicial, a Justiça sueca chegou a reabrir a investigação sobre a acusação de estupro. A decisão reverte sentença da procuradora-geral em Estocolmo, Eva Finné, que fechou o caso de estupro pro falta de indícios, mantendo apenas uma denúncia, por outra vítima, de assédio sexual. Finné, por sua vez, havia revertido a decisão de uma instância inferior de investigar a denúncia.

O caso chegou a render uma ordem de prisão contra Assange no dia 21 de agosto, retirada pouco depois. Assange nega as acusações e diz que as denúncias são uma tática do Pentágono para desmerecer seu site.

Há uma semana, a promotora federal, Marianne Ny, voltou a emitir uma ordem de detenção de Assange, que acabou escalada no alerta vermelho da Interpol.

Caso seja condenado, Assange pode receber sentença de até quatro anos de prisão.

O WikiLeaks, que despertou a fúria de Washington com suas publicações, prometeu continuar com a divulgação dos 250 mil documentos secretos obtidos. "A ação de hoje contra o nosso editor-chefe Julian Assange não afetará as nossas operações: vamos divulgar normalmente mais documentos esta noite", disse o WikiLeaks em sua página no Twitter.

COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

 

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