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Jornal traz versão de suecas que acusam criador do WikiLeaks de crimes sexuais
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DE SÃO PAULO
O fundador do site WikiLeaks, o australiano Julian Assange, esteve na Suécia no começo de agosto para dar palestras e saiu de lá sendo acusado por crimes sexuais contra duas mulheres.
As duas moças, na faixa dos 20 anos, teriam descoberto por acaso que ambas tiveram relações sexuais com Assange em questão de dias, e decidiram procurar a polícia, informa o tabloide britânico "Daily Mail". Uma delas era uma "fã" de Assange, chegou a pagar os bilhetes de trem para ele e ficou aborrecida porque ele nunca mais telefonou.
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A promotoria sueca especificou nesta terça-feira ao tribunal britânico de Westminster as quatro acusações de agressão sexual que pesam contra ele. A advogada Gemma Lindfield, representante legal das autoridades suecas no processo, disse ao juiz britânico Howard Riddle que uma mulher identificada como senhorita A acusou Assange de "coerção ilegal" na noite de 14 de agosto. A mulher argumentou que o australiano usou o peso de seu corpo para imobilizá-la com intenção sexual.
A segunda acusação é de "agressão sexual" à mesma senhorita A por praticar sexo sem preservativo, ignorando o "desejo expresso" dela de usar camisinha.
A terceira acusação é de que, em 18 de agosto, ele "assediou deliberadamente" a mesma pessoa" "de uma maneira voltada a violar sua integridade sexual".
A quarta e última acusação se refere a uma segunda mulher, identificada como senhorita W, que o acusa de ter mantido relações sexuais sem preservativo enquanto ela dormia.
Uma das mulheres disse a um jornal sueco, segundo o "Daily Mail": "A responsabilidade pelo que aconteceu a mim e à outra garota cabe a um homem que tem uma atitude distorcida em relação às mulheres e um problema em ouvir não como resposta".
O tabloide "Daily Mail" teve acesso a uma cópia do depoimento das supostas vítimas à polícia, com algumas partes mais explícitas removidas. Leia a seguir trechos da versão publicada pelo jornal britânico.
*
DIVIDINDO O APARTAMENTO
"Assange chegou a Estocolmo [Suécia] em 11 de agosto, onde ficavam vários servidores do site WikiLeaks, para dar uma palestra três dias depois, organizada pelo Partido Social Democrata.
A moça A, na faixa dos 20 anos, que trabalha para o braço cristão do partido, era a principal organizadora do evento, mas eles nunca tinham se encontrado antes. Ela se ofereceu para hospedar Assange em seu apartamento de um quarto em Sodermalm, em Estocolmo, pois planejava visitar sua família do outro lado do país e ficaria fora de casa até o dia da palestra, no sábado.
Porém, ela disse que ficou ansiosa por causa da palestra e resolveu voltar para casa na sexta-feira. Segundo uma fonte policial, "eles tiveram uma conversa e decidiram que seria OK dividir o espaço, então saíram juntos para jantar".
"Quando voltaram, eles tiveram relações sexuais, mas houve um problema com o preservativo --que estourou. Ela pareceu achar que ele tinha feito isso intencionalmente, mas ele insistiu que foi um acidente."
FASCINADA
Apesar do incidente, a moça parecia tranquila no dia seguinte, durante a palestra, onde Assange conheceu a segunda moça, outra loira na faixa dos 20 anos, porém mais nova que a primeira.
No depoimento à polícia, a moça B conta ter visto uma entrevista com Assange na TV, após o vazamento de informações secretas sobre a Guerra do Afeganistão, e ter ficado fascinada por ele na mesma hora. Ela disse ter o achado "interessante, corajoso e admirável".
Nas duas semanas seguintes, a moça B leu tudo o que achou sobre Assange na internet e seguiu o noticiário sobre suas atividades. Ela soube que ele visitaria a Suécia para uma palestra, e mandou um email para os organizadores se oferecendo para ajudar no evento. Ela se inscreveu e pediu folga do trabalho no sábado.
Ela vestiu uma blusa de lã cor de rosa, e disse ter se sentido deslocada em meio aos jornalistas vestidos de terno na sala, mas sentou-se na primeira fileira. Pediram que ela comprasse um cabo de computador para Assange. Ninguém se importou em agradecer, reclamou ela depois.
A moça esperou do lado de fora do prédio, antes de se aproximar de um membro do grupo de Assange, que a convidou para um almoço em um restaurante simples, chamado Bistro Boheme. No almoço estavam dois social-democratas, um jornalista free-lancer amigo de Assange, o próprio Assange e a moça, única mulher no grupo.
Um dos homens presentes no almoço a descreveu como parecendo nervosa e deslocada. "Parecia uma pessoa estranha e querendo chamar a atenção de Julian", disse ele.
A moça admitiu ter tentado puxar papo com Assange, e que ele olhou para ela "vez ou outra", até que passou a lhe dar mais atenção. Em um momento, ele estava colocando queijo em um pão, e ela perguntou se ele gostava disso. Assange olhou para ela e começou a lhe dar comida na boca.
Em seguida, Assange disse a ela que precisava de um carregador para seu laptop, e ela ofereceu ajuda. Assange sorriu, pôs o braço em suas costas e disse: "Ah, sim, foi você que me deu o cabo [de computador na palestra]".
Eles começaram a procurar um carregador. Ela comprou o bilhete do trem para ele, porque ele disse estar sem dinheiro. No trem, ele foi reconhecido por um jovem, que elogiou o WikiLeaks. Eles acabaram no Museu de História Natural, onde Assange foi até um computador e começou a tuitar sobre seu dia.
NO CINEMA
Às 18h, eles entraram no cinema para assistir a um curta-metragem sobre o oceano, chamado "Deep Sea". No escuro, Assange tornou-se mais amoroso. Eles se mudaram para a última fileira, onde, pela declaração da moça, foram além de beijos e carícias. Após o filme, eles foram em direção a um parque. Ele se virou para ela e disse: "Você é muito atraente... para mim".
Assange disse que tinha uma festa para ir e precisava descansar, então eles se deitaram lado a lado na grama e ele dormiu. Ela ficou acordada e o chamou 20 minutos depois. Ela perguntou se eles se encontrariam novamente, e ele respondeu: "Claro".
Ele não disse que a festa era organizada por uma moça com quem tinha dormido dois dias antes, e onde provavelmente dormiria naquela noite. Quando ela chegou de volta a sua casa e carregou seu celular, havia uma mensagem de Assange pedindo que ela ligasse. Ele ainda estava na festa.
No dia seguinte, a moça B tentou ligar para Assange, mas o telefone estava desligado. Ela finalmente conseguiu falar com ele na segunda-feira, e ele concordou em se encontrar naquela noite, e sugeriu passar a noite no apartamento dela.
Ela queria ir a um hotel, mas ele disse que queria vê-la em casa.
Novamente, ela comprou o bilhete do trem porque ele não tinha dinheiro, e alegou que não queria usar seu cartão de crédito para que seus movimentos não fossem rastreados.
Ele passou a maior parte dos 45 minutos da viagem navegando pela internet em seu laptop, lendo histórias sobre si mesmo e tuitando ou mandando mensagens de seu celular. "Ele prestava mais atenção no computador do que em mim", disse a moça.
CAFÉ DA MANHÃ
Quando chegaram na casa dela, estava escuro e tinha esfriado. "A paixão e a atração pareciam ter desaparecido", disse ela. A maior parte do depoimento da moça em seguida foi apagado, com exceção de: "Estava chato e parecia uma rotina".
Uma fonte próxima à investigação disse que a moça insistiu em usar camisinha, mas na manhã seguinte ele fez sexo com ela sem preservativo. Essa é a base para a acusação de estupro. Após o incidente, ela parecia bem o bastante para sair e comprar comida para o café da manhã dos dois.
A única preocupação da moça era deixá-lo sozinho no apartamento. "Senti que não o conhecia o bastante", explicou.
Eles comeram em uma atmosfera tensa, apesar de ela dizer, em seu depoimento, que tentou descontrair o ambiente brincando sobre a possibilidade de estar grávida.
Eles se separaram amistosamente, ela comprou o bilhete de trem dele para Estocolmo, e perguntou se ele telefonaria. Ele disse: "Sim, vou ligar". Mas ele não ligou, nem atendeu aos telefonemas dela.
DISPUTA
A história mudou de tom quando a moça B ligou para o escritório da moça A, com quem tinha se encontrado rapidamente durante a palestra de Assange. As duas conversaram e perceberam que tinham sido vítimas do charme de Assange; aparentemente, ficaram preocupadas em relação a doenças sexualmente transmissíveis (DST).
Depois, a moça A disse que não queria apresentar queixa, mas que foi até a polícia para apoiar a moça mais nova, que queria conselho sobre como conseguir que Assange fizesse um teste de DSTs.
Uma policial na recepção e outros dois agentes, um da unidade de crimes sexuais, acharam que havia provas o suficiente para chamar a promotora, que divulgou o mandado de prisão.
A história chegou aos ouvidos de um tabloide sueco e o caso foi passado para uma promotora mais experiente. Após ler os depoimentos, ela concluiu não haver evidências de estupro.
A promotora concordou com a acusação de ataque sexual em relação à primeira moça, mas mesmo isso foi retirado depois.
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