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07/12/2010 - 19h57

Terrorista de Lockerbie foi solto por pressão de Gaddafi, revela WikiLeaks

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DE SÃO PAULO

Em mais uma leva de documentos diplomáticos americanos, o site WikiLeaks revela que o líbio Abdel Basset Al Megrahi, condenado pelo atentado de Lockerbie, foi libertado pelo Reino Unido sob pressão do ditador da Líbia, Muammar Gadaffi, que ameaçou "ações duras e imediatas" contra os interesses britânicos.

Veja como funciona o WikiLeaks
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Leia íntegra dos arquivos do WikiLeaks obtidos pela Folha

Megrahi foi o único condenado pelo ataque a bomba contra o voo 103 da Pan Am sobre Lockerbie, que deixou 270 mortos em 1988, a maioria americanos. Ele foi sentenciado à prisão perpétua por uma corte especial escocesa, em 2001.

Amr Nabil-20ago.09/AP
Abdel Baset Al Megrahi é recebido como herói no aeroporto de Tripoli; pressão líbia teria ajudado em sua libertação
Abdel Baset Al Megrahi é recebido como herói no aeroporto de Tripoli, na Líbia

A polêmica libertação de Megrahi foi decretada em agosto de 2009 pelo governo escocês por motivos humanitários, já que ele teria um câncer de próstata em fase terminal --e no máximo três meses de vida. O ex-agente dos serviços secretos foi recebido como herói na Líbia. Em julho de 2010, professor Karol Sikora examinou Megrahi para o governo líbio e disse ao jornal "Sunday Times" que o líbio poderia viver mais dez anos.

Recentemente, o Comitê de Relações Exteriores do Congresso dos Estados Unidos abriu investigação sobre os bastidores da libertação de Megrahi. A suspeita é de que a gigante do petróleo British Petroleum (BP) fez lobby com o governo escocês pela libertação de Megrahi para facilitar um acordo de US$ 900 milhões para exploração de petróleo com a Líbia.

Segundo os documentos vazados pelo WikiLeaks e divulgados pelo jornal britânico "The Guardian", Gaddafi fez ameaças explícitas de interromper todos os acordos comerciais com o Reino Unido e ameaçou inclusive a equipe da embaixada britânica. Ao mesmo tempo, ainda segundo o jornal, a Líbia ofereceu várias recompensas às autoridades escocesas se o libertassem. O telegrama ressalta, contudo, que as ofertas foram recusadas.

O encarregado de negócios de Londres, Richard LeBaron, escreveu em um telegrama para Washington em outubro de 2008 que o Reino Unido estava em "uma posição difícil" e "entre a cruz e a espada". "Os líbios afirmaram ao governo da Vossa Majestade que haverá "enormes repercussões" para a relação bilateral Reino Unido-Líbia se a libertação antecipada de Megrahi não for concretizada".

POLÊMICA

Em maio de 2007, o então premiê britânico, Tony Blair, elogiou o acordo de exploração de petróleo entre a BP e a Libya Investment Corp. como um marco da relação entre os dois países e chegou a abraçar Gaddafi, após duas horas de reunião em uma tenda.

No mesmo mês, Reino Unido e Líbia assinaram um memorando de entendimento para negociar acordos de extradição, assistência legal mútua, aproximação civil e comercial e transferência de presos.

Pouco mais de um ano depois, em 17 de novembro de 2008, os dois países assinaram o acordo para a transferência de presos --ratificada pelo Parlamento no ano passado.

Pouco após a libertação de Megrahi, a BP reconheceu em comunicado que pediu ao governo britânico que acelerasse a transferência de um prisioneiro da Líbia em 2007, lembrando que a demora poderia trazer consequências negativas aos interesses comerciais britânicos.

Agora, a BP ressalta que não falou especificamente no caso de Megrahi e que a ratificação do acordo de exploração com a BP era apenas um dos muitos interesses comerciais envolvidos no processo.

O governo britânico sempre defendeu que a libertação de Megrahi era uma decisão exclusivamente escocesa, na qual não poderia interferir. A Escócia tem poderes legais dentro do sistema britânico.

Com agências de notícias

 

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