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02/01/2011 - 08h13

Taxista argentino oferece tratamento VIP a brasileiros

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GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES

No táxi do argentino Juan Vicente Ruperto, 47, todo brasileiro recebe tratamento VIP. O atendimento é em português, e o passageiro pode escolher a música preferida para ouvir enquanto roda por Buenos Aires.

"Tudo beleza! Tudo Certinho!" é o cumprimento padrão do motorista, que decorou seu Corsa Wagon em verde e amarelo e oferece mais de 300 CDs de sertanejo, funk, forró, axé, MPB, pagode e samba de todos os tipos.

Há três anos, Juan Vicente aposta em um serviço focado nos turistas e imigrantes brasileiros para sobreviver no concorrido mercado da capital argentina, que tem 1 táxi para cada 75 habitantes.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, a proporção é de 1 táxi para cada 348 habitantes.

Gustavo Hennemann/Folhapress
O taxista argentino Juan Vicente Ruperto, fã do cantor Zeca Pagodinho
O taxista argentino Juan Vicente Ruperto, fã do cantor Zeca Pagodinho

Para agendar recepções no aeroporto ou passeios turísticos, ele criou uma conta na rede social Orkut, na qual trocou o nome para João.

Desde que se abrasileirou, o taxista garante que já andou com muita "gente importante", e cita uma dezena de empresários, artistas e jogadores de futebol.

O dia mais "feliz", no entanto, foi quando conversou por telefone com Zeca Pagodinho, de dentro do táxi.

Ao verem que Juan Vicente sabia tudo sobre a carreira do brasileiro, duas passageiras paulistas, amigas do músico, fizeram o contato.

"Eu disse ao Zeca que gostava do samba e da filosofia dele. Aprendi a deixar a vida me levar. Se alguma coisa sai mal, deixo passar. Adoro os brasileiros, por isso. Ao contrário dos argentinos, estão sempre contentes, me transmitem essa alegria e ainda são meu ganha pão."

BUSCA POR MULATA

O câmbio favorável, que levou cerca de 1 milhão de brasileiros à Argentina em 2010, fez com que o taxista melhorasse de vida.

No entanto, ainda não tem um carro próprio. Paga o equivalente a R$ 130 diários para rodar com o Corsa e mora em um quarto de hotel.

"É tudo culpa de uma namorada curitibana que eu tive", explica. "Era uma máquina de tragar dinheiro, e eu não consegui me ajeitar na vida. Acabei com ela há dois meses e agora vou poder investir em um computador."

No futuro, quer encontrar uma mulata carioca, ter um montão de filhos, e passar metade do ano na praia, tomando cerveja gelada na praia de Copacabana.

 

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