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Taxista argentino oferece tratamento VIP a brasileiros
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GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES
No táxi do argentino Juan Vicente Ruperto, 47, todo brasileiro recebe tratamento VIP. O atendimento é em português, e o passageiro pode escolher a música preferida para ouvir enquanto roda por Buenos Aires.
"Tudo beleza! Tudo Certinho!" é o cumprimento padrão do motorista, que decorou seu Corsa Wagon em verde e amarelo e oferece mais de 300 CDs de sertanejo, funk, forró, axé, MPB, pagode e samba de todos os tipos.
Há três anos, Juan Vicente aposta em um serviço focado nos turistas e imigrantes brasileiros para sobreviver no concorrido mercado da capital argentina, que tem 1 táxi para cada 75 habitantes.
Na cidade de São Paulo, por exemplo, a proporção é de 1 táxi para cada 348 habitantes.
| Gustavo Hennemann/Folhapress |
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| O taxista argentino Juan Vicente Ruperto, fã do cantor Zeca Pagodinho |
Para agendar recepções no aeroporto ou passeios turísticos, ele criou uma conta na rede social Orkut, na qual trocou o nome para João.
Desde que se abrasileirou, o taxista garante que já andou com muita "gente importante", e cita uma dezena de empresários, artistas e jogadores de futebol.
O dia mais "feliz", no entanto, foi quando conversou por telefone com Zeca Pagodinho, de dentro do táxi.
Ao verem que Juan Vicente sabia tudo sobre a carreira do brasileiro, duas passageiras paulistas, amigas do músico, fizeram o contato.
"Eu disse ao Zeca que gostava do samba e da filosofia dele. Aprendi a deixar a vida me levar. Se alguma coisa sai mal, deixo passar. Adoro os brasileiros, por isso. Ao contrário dos argentinos, estão sempre contentes, me transmitem essa alegria e ainda são meu ganha pão."
BUSCA POR MULATA
O câmbio favorável, que levou cerca de 1 milhão de brasileiros à Argentina em 2010, fez com que o taxista melhorasse de vida.
No entanto, ainda não tem um carro próprio. Paga o equivalente a R$ 130 diários para rodar com o Corsa e mora em um quarto de hotel.
"É tudo culpa de uma namorada curitibana que eu tive", explica. "Era uma máquina de tragar dinheiro, e eu não consegui me ajeitar na vida. Acabei com ela há dois meses e agora vou poder investir em um computador."
No futuro, quer encontrar uma mulata carioca, ter um montão de filhos, e passar metade do ano na praia, tomando cerveja gelada na praia de Copacabana.
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