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Bolivianos vão às ruas pelo direito de mascar folha de coca
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Várias cidades da Bolívia, entre elas La Paz e Santa Cruz --as mais importantes do país--, foram palco nesta quarta-feira de manifestações em apoio a intenção do governo de pedir que a ONU (Organização das Nações Unidas) anule a proibição de mascar folha de coca.
Nos protestos, participaram cultivadores de coca, camponeses, indígenas, mineiros, vendedores de produtos à base da folha, ativistas e parlamentares do partido governista.
"Os países nos apoiam para que possamos descriminalizar [o hábito de mascar a folha de coca]. O único que se opõe é os Estados Unidos", queixou-se Leonilda Zurita, dirigente dos produtores de coca e membro do partido Movimento ao Socialismo (MAS), do presidente do país, Evo Morales.
| David Mercado/Reuters |
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| Plantadores fazem manifestação em frente à Embaixada dos EUA em La Paz pelo direito de mascar folha de coca |
Em um comunicado à imprensa, a delegação americana explicou que "a posição do governo dos EUA de não apoiar a emenda proposta se baseia na importância de se manter a integridade da Convenção de 1961, que constitui uma ferramenta importante para a luta mundial contra o narcotráfico".
Alguns manifestantes se instalaram precisamente --e de maneira pacífica-- em frente à sede da embaixada americana, para onde foram deslocados, preventivamente, com cerca de 50 policiais. Os manifestantes ficaram no local por quase uma hora, mastigando coca.
"A folha é de coca, não é de cocaína", diziam os manifestantes.
A jornada de mastigação --"acullico" ou "pijcheo", como se diz nas línguas aymara e quechua-- ocorreu em diferentes praças de La Paz, Santa Cruz, Cochabamba, Oruro, Potosí e Tarija com a degustação da planta milenar e a exposição de produtos elaborados a base de coca.
A folha de coca --matéria-prima da cocaína-- está incluída em uma lista de substâncias proibidas pela ONU, assim como sua mastigação, cuja prática o governo boliviano pretende descriminalizar.
O chanceler David Choquehuanca realizou um giro por diversos países europeus em busca de apoio à causa.
No próximo dia 31, se encerra o prazo para que os países se pronunciem sobre o tema. Os EUA já manifestaram na semana passada sua oposição ao pedido boliviano.
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