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28/01/2011 - 09h18

Egito bloqueia internet e celular para conter megaprotestos

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Atualizado às 09h31.

O Egito bloqueou nesta sexta-feira a internet e o serviço de telefonia móvel e deteve membros da oposição, em medidas extremas para tentar conter a sexta-feira de fúria convocada para pedir a queda do presidente Hosni Mubarak, há 30 anos no poder.

O reformista e Nobel da Paz Mohamed ElBaradei voltou ao país na noite passada para participar do protesto. Ele participou nesta sexta-feira de uma oração com 2.000 pessoas no centro do Cairo, pouco antes das novas manifestações convocadas contra o regime, informou uma jornalista da agência de notícias France Presse.

A rede de TV americana CNN relata que as manifestações já começaram em Alexandria e Cairo, onde manifestantes lançam pedras nas forças de segurança --que por sua vez usam gás lacrimogêneo para tentar dispersar o movimento.

A oposição convocou, usando principalmente a internet, a população para que vá às ruas depois das orações das 12h (8h em Brasília) no quarto dia dia seguido de protestos contra o regime repressor de Mubarak.

Uma das principais vozes da oposição, o Movimento 6 de Abril, fala em transformar esta sexta-feira em um dia de "fúria e liberdade" e clamou aos egípcios de todos os cantos do país que façam parte.

O Ministério do Interior já afirmou que nenhuma manifestação será permitida nesta sexta-feira, o que significa que todos os protestos serão considerados ilegais.

Para tentar conter a comunicação entre os manifestantes e evitar organização dos protestos, o governo do Egito cortou o serviço de telefonia celular no Cairo e em outros pontos do país, pouco depois do bloqueio do sinal de acesso à internet.

Os telefones que funcionam com os dois principais provedores de telefonia celular do Egito, Mobinil e Vodafone, deixaram de operar no meio da manhã desta sexta-feira. Ainda não foi confirmada a razão do bloqueio.

Desde as primeiras horas desta sexta-feira não é possível enviar mensagens pelo celular, mas é possível fazer chamadas. No entanto, no meio da manhã o serviço foi suspenso totalmente.

Pelo menos na cidade de Alexandria, a segunda em importância do país e às margens do Mediterrâneo, estão tendo os mesmos problemas na telefonia celular, como informaram à Agência Efe moradores dessa cidade.

O acesso à internet também está bloqueado no Egito desde as primeiras horas desta sexta-feira, depois das interrupções nos dias anteriores dos acessos as redes sociais como Facebook e o Twitter.

A telefonia celular e a internet são os principais sistemas de comunicação utilizados entre os ativistas da oposição e os participantes das manifestações que estão produzindo no Egito desde a terça-feira.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, criticou duramente a decisão do Egito de cortar o serviço de internet, dizendo que viola os princípios democráticos de liberdade de expressão e de associação.

Em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial, Ban disse que segue de perto os protestos no mundo árabe e disse que os líderes deveriam vê-los como uma chance de falar de "preocupações legítimas" sobre o povo.

"Todas as pessoas envolvidas deveriam garantir que a situação nesta região e particularmente no Egito não leve a mais violência", disse Ban.

Até esta sexta-feira, os confrontos entre manifestantes e a polícia deixaram sete mortos no Cairo e em Suez. Outras dezenas ficaram feridas e mais de mil pessoas foram detidas.

PRISÕES

Também nesta sexta-feira, ao menos sete dirigentes do grupo Irmãos Muçulmanos --que tem grande influência religiosa na sociedade e na política egípcia-- foram detidos no Cairo.

As detenções ocorreram na sede da organização política, que mesmo sendo considerada ilegal é de certa forma tolerada pelo regime de Mubarak, no poder desde 1981.

Fontes ligadas ao grupo não descartaram que possam ter acontecido outras detenções em domicílios particulares e em outros escritórios do movimento.

A organização Irmãos Muçulmanos é uma das que apoiam os protestos. Apesar de terem sido avisados de que seriam detidos se participassem das manifestações, membros do grupo se infiltraram entre os manifestantes, segundo o Ministério do Interior egípcio.

 

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