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11/02/2011 - 15h09

Ministro de Defesa deve chefiar governo egípcio, diz agência

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O ministro de Defesa do Egito, Mohamed Hussein Tantawi, será o novo chefe de Governo do Egito, após a renúncia do ditador Hosni Mubarak.

Segundo a agência de notícias Reuters, que cita fontes militares, Tantawi é o chefe do Conselho Superior das Forças Armadas, a quem Mubarak entregou a administração do país.

Master Sgt. Jerry Morrison/AP
O ministro egípcio da defesa Mohamed Hussein Tantawi (à esq.); ele deve chefiar governo egípcio, diz agência
O ministro egípcio da defesa Mohamed Hussein Tantawi (à esq.); ele deve chefiar governo egípcio, diz agência

As Forças Armadas tentaram se manter distantes do epicentro da crise política. Ao mesmo tempo que prometeram não reagir aos manifestantes que lotaram as ruas da capital Cairo, os militares pediram inúmeras vezes pelo fim dos protestos e a volta da normalidade e disseram apoiar as reformas propostas por Mubarak antes de sua renúncia.

O governo de mão de ferro de Mubarak confiou no poder de suas Forças Armadas desde que chegou ao poder, em 1981. Ele mesmo ascendeu como chefe das Forças Aéreas.

E foi sem o apoio claro das Forças Armadas que Mubarak renunciou ao poder após 18 dias de intensos e violentos protestos que tomaram diversas cidades do Egito.

Patrick Baz/AFP
Manifestantes antigoverno celebram renúncia do ditador Hosni Mubarak na praça Tahrir, Cairo
Manifestantes antigoverno celebram renúncia do ditador Hosni Mubarak na praça Tahrir, Cairo

O anúncio foi feito pelo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, na TV estatal. Em poucos minutos, centenas de milhares estavam em festa e aos gritos na praça Tahrir, epicentro das manifestações de oposição.

"Presidente Hosni Mubarak decidir renunciar como presidente do Egito", disse Suleiman, em um breve anúncio. Segundo Suleiman, a decisão foi tomada diante das "difíceis circunstâncias pelas quais o país passa".

Mohammed Abed/AFP
Multidão comemora saída de Mubarak; ministro da Defesa deve chefiar governo egípcio
Multidão comemora saída de Mubarak; ministro da Defesa deve chefiar governo egípcio após renúncia

A saída de Mubarak solidifica a crise no mundo árabe, sendo a segunda ditadura a ruir na região em menos de um mês. No dia 14 de janeiro, a Revolução Jasmim levou o ditador da Tunísia, Zine el Abidine Ben Ali, a abandonar o país, em meio ao movimento que se alastrou para outros países, causando protestos na Mauritânia, Argélia, Jordânia e Iêmen.

Após o anúncio, uma explosão de alegria tomou as ruas do Cairo. Centenas de milhares de egípcios agitaram bandeiras, choraram e se abraçaram em celebração. "O povo derrubou o regime", cantavam em coro.

A renúncia ocorre menos de 24 horas depois de fortes rumores de sua saída imediata do poder. Na noite de quinta-feira, Mubarak discursou à nação e disse que passava parte de seu poder a Suleiman, mas permaneceria até setembro --quando estão previstas eleições presidenciais. O discurso de "fico" causou fúria nos manifestantes que marcharam em direção ao Palácio Presidencial aos gritos para que deixasse o poder.

Mubarak anunciara antes, em uma tentativa de acalmar os manifestantes, que não concorreria às eleições presidenciais de setembro próximo, mas alertou que ficaria no poder até lá para evitar o "caos" no país. Ele mandou ainda seu vice, Omar Suleiman, negociar com a oposição --oferta que foi rejeitada. Os manifestantes exigiam que Mubarak deixasse o poder antes de iniciar qualquer diálogo.

SAÍDA DO CAIRO

Mais cedo, o porta-voz do partido de Mubarak havia confirmado que o mandatário e sua família viajaram para o balneário de Sharm el-Sheikh, no mar Vermelho.

"Ele está em Sharm el-Sheikh", afirmou Mohammed Abdellah, do Partido Nacional Democrático. Pouco antes, fontes ligadas ao governo informaram que Mubarak e a família haviam deixado o Cairo nesta sexta-feira, mas sem deixar claro qual era o destino.

A TV estatal egípcia informou também que uma importante declaração de Mubarak será transmitida em breve, mas não deu mais detalhes.

A edição digital do jornal pró-governo "Al Ahram" afirma, citando fontes próximas às Forças Armadas, que Mubarak esteve em uma base militar durante as últimas 48 horas para garantir sua segurança.

O jornal diz ainda que, "devido à situação na capital, foi impossível para o presidente mover-se com segurança com sua comitiva habitual".

A informação sobre a viagem de Mubarak também foi divulgada pelas redes de TV árabes Al Arabiya e Al Jazeera. Sharm el-Sheikh, localizado no extremo sul da península do Sinai, é o local em que Mubarak costuma receber personalidades estrangeiras e realizar conferências internacionais.

Os violentos protestos registrados no Egito por mais de duas semanas registraram quase 300 mortes, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), além da morte de jornalistas e diversos ataques à imprensa.

Iniciadas no Cairo, as manifestações se espalharam por outras cidades, como Alexandria e Suez.

Nesta sexta-feira, centenas de milhares de pessoas fizeram orações na praça Tahrir, onde clérigos traçaram paralelos entre a luta dos manifestantes contra Mubarak e a do profeta Moisés com o antigo faraó. "Que Deus force os opressores para fora!", os clérigos diziam. "Amém, amém", respondiam os fiéis. Depois, seguiram para o palácio presidencial.

Do lado de fora do prédio, homens rezavam atrás de veículos blindados. Os militares não interferiram, apesar de eles terem bloqueado as principais ruas que levam ao palácio, um grande complexo onde Mubarak conduz a maioria de suas tarefas oficiais.

"Abaixo, abaixo Hosni Mubarak!", cantavam os manifestantes. Centenas deles andaram por mais de uma hora para chegar até o palácio na noite de quinta-feira, saindo do epicentro dos protestos, a praça Tahrir, no centro do Cairo.

"Não sairemos até que Mubarak renuncie e, se Deus quiser, o protesto de hoje será pacífico", disse Yasmine Mohamed, 23, uma estudante universitária. "Tudo ficará bem e ele renunciará com certeza."

Na segunda maior cidade egípcia, Alexandria, na costa mediterrânea, centenas de milhares de pessoas foram às ruas após as orações. O xeque Ahmed al Mahalawi, em seu sermão na principal mesquita da cidade, pediu aos fiéis para não desistirem.

"Não recuem de sua revolução porque a história não irá recuar", afirmou o xeque em um sermão transmitido pela rede Al Jazeera. Mahalawi disse aos fiéis que eles estavam derrubando um "regime corrupto" que não serve para governar.

 

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