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14/02/2011 - 21h31

Vice de Alejandro Toledo pode estar envolvido com o narcotráfico

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BRUNO TORANZO
DE SÃO PAULO

Os sobrinhos de um dos vice-presidentes do candidato líder nas pesquisas para a Presidência do Peru, Alejandro Toledo, estão sendo acusados de envolvimento com um dos principais grupos de traficantes de drogas do país.

De acordo com a revista peruana "Caretas", os sobrinhos de Javier Reátegui mantêm relações próximas com o narcotraficante Manuel Sánchez Paredes. Reátegui é considerado um dos homens de confiança do ex-presidente peruano (2001-2006).

Na reportagem, os jornalistas exploram a relação próxima dos irmãos Adolfo Miguel e Manuel Ignacio Reátegui Reyna, sobrinhos de Javier Reátegui, com Fidel Sánchez Alayo, o filho mais velho de Manuel Sánchez Paredes.

Como evidência, descrevem uma visita de Manuel Reátegui à sede da mineradora San Ramón, de propriedade do clã Sánchez Paredes. A matéria ainda afirma que Fidel Sánchez vive em uma casa que está registrada no nome do secretário-geral do Peru Possível e postulante ao cargo de vice-presidente.

RELACIONAMENTO ANTIGO

Em março de 2006, pouco antes de deixar a Presidência, Alejandro Toledo, ao lado da esposa Eliane Karp, assistiu a uma exposição de cavalos na fazenda Mamacona no distrito ecológico de Lurín. Segundo a revista "Caretas", o casal presidencial foi recebido por Manuel Sánchez Paredes, também criador de cavalos Paso, os cavalos peruanos. O casal e Paredes almoçaram tranquilamente e tiraram até mesmo fotografias juntos.

Naquela época, não se pode dizer que ninguém desconfiava da legalidade das atividades dos Sánchez Paredes. As suspeitas sobre a família já eram fortes. Perciles Sánchez, irmão de Manuel, tinha cumprido pena por narcotráfico nos anos 80 e foi assassinado no começo da década de 90.

Mariana Bazo-27.jan.2011 /Reuters
O candidato à Presidência Alejandro Toledo, que já ocupou o cargo, conversa com a imprensa estrangeira
O candidato à Presidência Alejandro Toledo, que já ocupou o cargo, conversa com a imprensa estrangeira

O presidente Alan García, em janeiro de 2008, anunciou o começo de uma megainvestigação sobre os negócios da família baseada na suspeita de lavagem de dinheiro originado do tráfico de drogas.

Manuel Sánchez Paredes se mantém muito próximo dos partidos políticos. A imprensa especula constantemente, mas sem provas concretas, que os Sánchez Paredes costumam financiar campanhas. Em fevereiro de 2008, a revista "Caretas" publicou documento interno atribuído a Fidel Sánchez Alayo. Os papéis mostram uma série de pagamentos a políticos, entre eles o congressista do Apra, o partido de García, Elías Rodríguez Zavaleta, que recebeu US$ 10 mil de Alayo.

A equipe do presidente Alan García aceitou em 2006, durante o período de campanha eleitoral, doação de US$ 5 mil de um dos Sánchez Paredes. García se defendeu dizendo que não sabia, na ocasião, a procedência do dinheiro, já que havia um intermediador no processo. Há alguns dias, depois que a informação resultou em uma imagem fortemente negativa, o mandatário devolveu os US$ 5 mil que havia recebido.

CONSTRUTORAS BRASILEIRAS

Na semana passada, o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol), autoridade, entre outras funções, responsável pela contagem dos votos, divulgou o valor das doações recebidas pelos candidatos. A imprensa peruana destacou os altos valores disponibilizados pelas construtoras brasileiras Camargo Corrêa, Galvão Engenharia e Queiroz Galvão.

Segundo o jornal "Perú21", a empresa que aparece no balanço como "Queipuz Galvan" se trata da Queiroz Galvão. A reportagem também afirma que a Queiroz Galvão passou de uma das empresas mais requisitadas pelo governo durante a época de Alejandro Toledo na Presidência para completamente esquecida nos anos de Alan García. De 2008 para frente, com base nos números do portal "Transparencia Económica", a construtora não conseguiu nenhum contrato sequer.

A Camargo Corrêa destinou para a campanha de Toledo 168 mil soles (a moeda peruana), o equivalente a pouco mais de R$ 101 mil. A Queiroz Galvão enviou praticamente 183 mil soles, o equivalente a pouco mais de R$ 110 mil. Já a Galvão Engenharia doou 180 mil soles, pouco mais de R$ 108 mil. São essas as três operações que constam nos documentos.

A Folha entrou em contato com as três. A assessoria de imprensa da Queiroz Galvão respondeu, por e-mail, que "o diretor responsável pela área está em viagem" e não obteve sucesso na tentativa de se comunicar com ele.

Em nota, a Camargo Corrêa disse que a empresa "contribuiu com a campanha de Toledo respeitando a legislação em vigor". A reportagem não conseguiu ouvir o posicionamento da Galvão Engenharia, já que ninguém respondeu aos chamados telefônicos.

 

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