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01/03/2011 - 19h09

"Esta revolução é a melhor chance para a paz", diz diretor da Al Jazeera

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FERNANDA EZABELLA
ENVIADA ESPECIAL A LONG BEACH (EUA)

Wadah Khanfar nasceu numa cidade palestina, tem 43 anos e se pergunta, desde criança, se teria chance de ver ainda em vida uma mudança real no mundo árabe que não fosse apenas através de intervenções externas.

"Eles tiraram Saddam Hussein, mas também tiraram a dignidade do povo [iraquiano]", disse Khanfar, diretor-geral da rede árabe Al Jazeera, numa palestra que aconteceu ontem no TED, evento que reúne especialistas de várias áreas em Long Beach, Califórnia.

"Mas estou aqui para dizer que o futuro que estávamos sonhando está acontecendo. A nova geração, conectada, inspirada por valores universais, criou uma nova realidade para a nós, uma nova confiança, um novo significado de liberdade."

Para o executivo, a Al Jazeera não é uma ferramenta para criar revoluções. "Amplificamos a voz do povo tunisiano e a levamos para o mundo árabe. Estamos testemunhando uma mudança histórica."

Khanfar entrou para a Al Jazeera em 1997, um ano depois do lançamento da rede, hoje o canal em árabe mais visto no Oriente Médio e com um serviço em inglês que chega a 230 milhões de residências pelo mundo.

Ele foi primeiro correspondente na África do Sul e, em 2001, foi cobrir a guerra no Afeganistão e depois na região curda ao norte do Iraque. Antes de virar diretor-geral, em 2006, foi chefe de redação em Bagdá, maior operação de mídia dentro do Iraque.

Para Khanfar, os jovens que tomaram as ruas do Egito, da Tunísia e da Líbia são bem "mais espertos e capazes" do que os políticos e das elites dos velhos regimes ideológicos.

"A revolução democrática que está tomando o mundo árabe é a melhor chance para a paz", completou. "A internet criou uma nova mentalidade no mundo árabe. Uma mentalidade que segue fiel à região [não foi imposta ou importada]."

Ele contou que a rede foi durante anos banida da Tunísia, mas que pessoas comuns que tiveram coragem de sair às ruas viraram seus repórteres, mandando vídeos, fotografias e relatos. "Elas se libertaram do medo de inferioridade", disse.

No Egito, o escritório da Al Jazeera chegou a ser invadido, jornalistas foram presos. Ainda assim, a rede continuou a investir no jornalismo.

"Eu me lembro quando me ligaram no meio da noite, direto da praça Tahrir [no Cairo]. E eles diziam: 'por favor, não desliguem suas câmeras, caso contrário vai acontecer um genocídio aqui. Vocês estão nos protegendo'."

A Al Jazeera é uma emissora pública, financiada pelo Estado do Qatar.

O TED, que acontece desde os anos 80 na Califórnia, vai até sexta-feira e contará com nomes como Bill Gates, fundador da Microsoft, e Roger Ebert, crítico de cinema.

 

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