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18/03/2011 - 17h33

Após tremor, brasileiros relatam falta de água e comida no Japão

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DE SÃO PAULO

Brasileiros que estavam no Japão enviaram seus relatos à Folha.com sobre como sentiram o tremor e como está a situação no país após o terremoto de magnitude 9,0, que originou ainda um tsunami devastador com ondas de sete metros de altura.

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350 mil brasileiros vivem no Japão; veja telefones de informações
Veja fotos do terremoto e do tsunami

Cinco dias após o pior terremoto da história do Japão, o número de mortos confirmados chegou a 3.373 em 12 prefeituras. Outros 6.746 estão desaparecidos, segundo balanço da Polícia Nacional divulgado pela agência de notícias Kyodo.

O embaixador brasileiro no Japão, Marcos Galvão, afirmou na sexta-feira (11) à Folha.com que não havia notícias de vítimas brasileiras. Segundo ele, as províncias mais atingidas foram Miyagi, Iwate e Fukushima, onde o número de brasileiros é cerca de 800. Ouça a entrevista com o embaixador.

Leia relatos:

"O medo era que ocorresse outro terremoto forte de magnitude 7 ou 8 na região do abrigo. O pior de tudo foi imaginar que pelo horário do Brasil meus pais e familiares ficariam sabendo da tragédia, e eu não conseguia telefonar para minha esposa para que ela pudesse avisar o pessoal no Brasil que eu estava bem".
Patryk Sofia Lykawka, gaúcho, mora há 9 anos em Kansai, região central do Japão.

"Não encontramos água. Falta pão, leite e tivemos muita dificuldade para conseguir arroz. Conseguimos enlatados, lampião, velas. Não pensava em voltar ao Brasil, mas no momento não descarto essa possibilidade, dependendo da situação. Existe uma corrida aos postos de gasolina. Mas a situação não é desesperadora. As pessoas esperam em filas e não ocorre saques. Nos latinos, sempre nos queixamos que os japoneses são frios, mas hoje compreendo que esta tranquilidade é muito útil nestes momentos."
Ricardo Uehara, 39, mora em Tsukubamirai, em Ibaraki

"Nunca tinha enfrentado uma situação assim. Estava na rua quando tudo começou a tremer, e meus amigos japoneses me disseram para comprar mantimentos e ir para casa."
Wilson da Silva, 30, jogador de futebol que vive à oito anos no Japão, em entrevista à BBC

"Querem nos levar para outra província. Não queremos ir porque sabemos que daqui a algumas semanas seremos logo esquecidos lá. Nossa vida está aqui e o que queremos é ir embora para o Brasil."
Andrea Matsubara, 36, paulistana, em entrevista à BBC

"Estou há sete anos no Japão e moro em Nasushiobara, na província de Tochigi, há uns 300 km do epicentro do tremor. Foi assustador, estava trabalhando em uma fábrica de pneus e quando começou a tremer pensei que logo iria parar como os outros tremores que já estamos acostumados, mas não parava e ficava mais forte. Pensei que o teto da fábrica ia cair sobre a gente, era difícil andar. Eu e meus colegas de trabalho, todos brasileiros, nos escondemos debaixo da esteira de onde chega os pneus. O chão parecia que estava mole, como se estivesse em cima de uma gelatina. Na fábrica não houve danos graves, em casa caiu tudo no chão, mas o prejuízo só foram alguns copos e pratos e caíram. Foi a pior coisa que senti na vida."
Hélio Shigueo Ueda, morador de Nasushiobara - Tochigi

"No dia do terremoto, não tinha como comprar nada, porque eles fecharam as lojas de conveniência. Desde o dia [do terremoto] não tem água na cidade. Também cortaram a luz, cortaram o gás [...]. A gente está indo comprar marmita em algumas lojas que a gente encontra abertas. Mas você vai nos supermercados não têm água, não tem galão para ir buscar água nos reservatórios, não tem comida pronta, comida congelada. Pão também a gente não encontra em lugar nenhum. Está um caos. Muitos bancos não abriram para você poder sacar dinheiro. Então quem não tinha dinheiro está em uma situação complicada."
Rodrigo Kouti, brasileiro que vive há 14 anos no Japão, mora em Yaita Shi, a aproximadamente 150 km de Sendai

Ouça

"O tremor destruiu poucos prédios, o tsunami foi o vilão. Víamos na TV exatamente que horas o mesmo atingiria nossa região, e como todo o Japão é protegido por píers, quebra-mares e muros de contenção, na nossa região, 2 metros de tsunami, não causou dano nenhum. Recebíamos avisos pelo celular, rádios, TVs e serviços de alto-falantes."
*Marco Pavilonis"

"Achei que o terremoto ia parar imediatamente, mas foi aumentando. Não sabia se era normal algo naquela intensidade, e fiquei parado numa área coberta com alguns jovens. Segundos depois, ficou muito mais forte e as crianças começaram a sair das salas de aula. No momento do sismo, vi carros estacionados pulando. Tudo estava chacoalhando e era difícil ficar em pé."
Wellinghton Akira Komiyama, 35, está em Mitsukaido, na província de Ibaraki, há apenas 12 dias

"Estamos na Ilha de Páscoa desde quarta-feira. Recebemos o alerta em nossa pousada, que fica defronte ao mar, por volta das 5h, de que deveríamos preparar apenas uma pequena mala e sair. Nos deslocamos até o pequeno aeroporto da ilha, que é o local mais seguro. Retornamos à pousada, pois fomos informados que o tsunami passaria por Ilha de Páscoa por volta das 16h. Agora, estamos todos juntos, no aeroporto, esperando um resgate ou até que a onda passe."
William Thomaz, viaja pela Ilha de Páscoa, no Chile

"Moro no segundo andar de um prédio de cinco andares. No momento do tremor, o prédio balançou como sempre, mas não parava. Fiquei assustado porque jamais tinha sentido um balanço daqueles. [...] Quando cheguei lá no térreo, havia vários japoneses também se protegendo. Vi o prédio e postes balançando como se fossem de borracha, os vidros faziam barulho."
Rafael Ynamotox, 37 mora em Oyama-shi

Rafael Ynamoto

"Moro no Japão ha mais de 10 anos, já morei em varias províncias, e de todos terremotos que já senti, nenhum se compara a este. Não parava de tremer, foram mais de 3 minutos sem parar de tremer. A destruição é imensurável, mas o Japão é um pais preparado para essas calamidades e por isso o número de pessoas mortas e desaparecidas ainda é pequeno se comparado a um terremoto nas Filipinas ou em outros países da Ásia. O governo já tem planos de emergência para reerguer o pais o mais rápido possível. Um grande exemplo para países como o Brasil, que demoraram demais para reagir na tragédia causada pelas chuvas no Rio de janeiro."
Jesana Ueda, mora em Aichi-ken Toyota-shi

"Logo que o tremor começou a aumentar, saímos correndo do edifício e a imagem que vimos era apavorante. Prédios de cinco andares se moviam para um lado e do outro cerca de 10 a 20 centímetros."
Hiro Fukumoto, 34, publicitário, mora na província japonesa de Kanagawa

Hiro Fukumoto

"Tudo [ficou] balançando. O chão parecia se abrir debaixo dos meus pés, as pessoas estavam desesperadas sem saber o que fazer. Aqui no Japão são 22h32 [10h32 em Brasília] e ainda há vários tremores. Estamos muitos abalados e com medo."
Márcia Tardelli, 38, mora em Chiba

"Estava no centro de Tóquio durante o terremoto. Moro aqui há 5 anos e nunca vi nada parecido! Está tudo parado, o metrô não funciona, celulares também não. O governo liberou os telefones públicos de graça. Foi terrível."
Alessandra Albrecht, 19, modelo, mora na capital Tóquio

"Pessoas que iam para o mercado para estocar comida e água se deparavam com o mercado de portas fechadas e cartaz anunciando que estava fechado por período não determinado."
Nathália Ikuma, 24, vive em Chiba

Natalia

"Olhamos pela janela e alguns brinquedos balançavam. No Japão, as crianças são treinadas. Todos anos acontecem terremotos, então já sabem como agir."
Mary Chayamiti, 38, tradutora, mora em Higashiura, na província de Achi

Mary Chayamiti

"Foi o maior tremor que já senti. De 15 a 30 segundos. Apavorante. Estava no trabalho, uma garota começou a berrar, olhei para trás e não entendi. Quando olhei para o teto, tudo chacoalhava, foi aí que senti minhas pernas vibrando. E [os tremores] não paravam. Fiquei imóvel, estático, sem saber o que fazer. [...] É como se imaginássemos uma geleia gigante, vibrando, com pessoas, carros, casas e prédios em cima dela geleia. Na região onde moro [cidade de Okasaki, em Toyota] não temos notícias de mortos, e até agora não ouvi nada sobre a morte de brasileiros. [...] Hoje meu chefe me pediu para trabalhar amanhã [sábado], fazer horas extras. A vida segue como se nada tivesse acontecido. Eu nunca me acostumo com isso."
Milton Miranda, operário de fábrica, mora em Okasaki

 

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