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Amorim se defende de críticas à sua gestão no Itamaraty
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MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULO
Ministro das Relações Exteriores durante os dois mandatos do governo Lula, Celso Amorim, se defendeu nesta quinta-feira de críticas a sua gestão em um seminário em São Paulo.
"Fomos muito criticados de sermos generosos com relação a Bolívia [na renegociação do preço do gás], mas nunca perdemos uma molécula de gás", disse ele. "No longo prazo, a generosidade atende aos nossos próprios interesses."
O embaixador, que brincou que nunca teve tanto tempo livre como agora, também se defendeu com relação à política de apoio ao Irã e outros países autoritários no Oriente Médio. "Diziam que nossa política não tinha foco. Mas o maior superavit do Brasil é justamente com os países árabes."
RODADA DOHA
O ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, afirmou nesta tarde em um seminário em São Paulo, que os problemas causados pelo Real valorizado para a indústria nacional alteram a posição do Brasil perante as negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio).
"Quando a Rodada Doha fracassou, em julho de 2008, diziam que dali a seis meses poderíamos retomar as negociações", disse Amorim. "Mas aí veio a crise financeira e agora tudo está mais difícil. Com a questão cambial, agora não podemos ter a mesma posição na área de manufatura que tínhamos lá em 2008."
Para Amorim, apesar das diferenças entre Brasil e União Europeia, o país e o bloco europeu eram os "únicos atores" nas negociações multilaterais com "visão estratégica". "Claro que todos têm interesses nacionais, mas nós éramos os únicos que também estávamos preocupados com o interesse global."
Dirigindo-se ao ex-ministro do comércio britânico Peter Mandelson, que estava na plateia, Amorim disse que em Doha "não houve ninguém de quem eu discordasse mais durante às negociações. Mas estávamos tentando obter sucesso [nas negociações]."
Amorim participou do seminário Foresight Brasil, cujo tema era "Traçando novos rumos: O Brasil em um mundo multipolar". O seminário foi organizado pela Sociedade Alfred Herrhausen em parceria com o Instituto Policy Network e o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
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