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Após visita de Obama, Brasil pede cessar de ataques contra Líbia
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ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA
Atualizado às 20h00.
Horas depois de o presidente americano, Barack Obama, se despedir do Brasil, o governo de Dilma Rousseff divulga, via Itamaraty, uma nota pedindo o cessar dos ataques contra a Líbia.
Na nota, o governo argumenta que, conforme já previra na votação do Conselho de Segurança da ONU, a intervenção militar do Ocidente está tendo um efeito contrário ao que foi alegado: em vez de proteger os civis líbios, passou a ser instrumento para atingi-los e também matá-los.
A nota, negociada neste momento entre Itamaraty e Palácio do Planalto, segue o mesmo tom já adotado pela Liga Árabe, que critica os países ocidentais pelos excessos cometidos na ação militar e os danos causados aos civis.
Na votação no Conselho de Segurança, na quinta-feira passada (17), Estados Unidos e Brasil já tinham ficado em lados opostos. Enquanto os EUA lideraram os dez votos favoráveis aos ataques, o Brasil foi um dos articuladores das cinco abstenções --dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), mais Alemanha.
Obama deu o seu aval à ofensiva militar durante um encontro privado com Dilma Rousseff, na manhã de sábado, no Palácio do Planalto. O Brasil foi um dos cinco países que se absteve do voto da resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), que permitiu o uso de "todas as medidas necessárias" para conter a violência na Líbia e impor uma zona de restrição aérea.
O Brasil alegou preferir uma solução negociada e pacífica e disse temer que os ataques à Líbia tenham o inesperado resultado de aumentar os confrontos em terra.
A avaliação da diplomacia brasileira é de que o próprio Obama era resistente à ideia de um terceiro front militar, já que os americanos já atuam no Iraque e no Afeganistão, mas foi convencido pela secretária de Estado, Hillary Clinton.
Foi Hillary quem participou da decisão dos bombardeios, tomada no sábado (18), em Paris, na cúpula de países ocidentais e árabes, enquanto Obama se reunia com a presidente Dilma Rousseff em Brasília. Consultado, Obama deu o aval à ação.
ATAQUES DA COALIZÃO NA LÍBIA
Enquanto os rebeldes tentam reconquistar as principais cidades do país, aviões da coalizão internacional bombardeiam Trípoli. O céu da capital foi tomado por aviões da coalizão procedentes de bases na Itália e pelos disparos da defesas antiaérea líbia durante toda a madrugada e parte da manhã.
A Líbia é alvo há três dias da operação Aurora da Odisseia, uma ampla ofensiva militar das forças ocidentais contra as forças de Gaddafi. A operação visa a impedir os ataques do ditador aos civis e rebeldes líbios, que pedem sua renúncia, e impor a zona de restrição aérea --medidas aprovadas na quinta-feira (17) pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
Neste domingo, um míssil da coalizão atingiu um edifício do complexo residencial de Gaddafi. O prédio, situado a cerca de 50 metros da tenda onde Gaddafi recebe geralmente seus convidados importantes, foi totalmente destruído.
DESPEDIDA DO BRASIL
Obama deixou na manhã desta segunda-feira o hotel JW Marriott, em Copacabana, zona Sul do Rio, para seguir com a família ao Aeroporto Internacional do Galeão, de onde partiu para Santiago do Chile.
A saída da comitiva do presidente americano foi acompanhada por uma multidão de curiosos que mantinham guarda na frente do hotel.
Santiago é a segunda etapa da primeira viagem de Obama pela América Latina, que além de Chile e Brasil, conta também com uma passagem por El Salvador.
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