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Portugal anuncia pedido de socorro financeiro à União Europeia
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Atualizado às 17h11.
O primeiro-ministro demissionário de Portugal, José Sócrates, anunciou nesta quarta-feira que seu governo enviou um pedido de socorro financeiro à União Europeia (UE).
"O governo decidiu dirigir à Comissão Europeia um pedido de ajuda financeira para garantir as condições de financiamento", disse Sócrates em breve pronunciamento na TV.
| Jose Sena Goulao/AP | ||
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| Imerso em crise, premiê demissionário de Portugal José Sócrates anunciou pedido de socorro à União Europeia |
O valor do resgate financeiro ainda não foi anunciado, mas analistas do mercado financeiro estimam que pode chegar a 80 bilhões de euros [R$ 185 bilhões].
Portugal se torna, assim, o terceiro país da zona do euro a pedir ajuda aos parceiros europeus.
Resistente a um pedido de socorro, Sócrates renunciou em 23 de março, depois de ver seu plano de ajuste fiscal derrotado no Parlamento. O pacote havia sido elaborado para evitar o resgate internacional. A ajuda externa estará condicionada ao país cumprir duras exigências de ajuste econômico.
ENTREVISTA
Antes do anúncio de Sócrates, o ministro das Finanças de Portugal, Fernando Teixeira dos Santos, havia admitido que o país precisaria pedir ajuda financeira externa. As declarações foram dadas ao diário português "Jornal de Negócios".
Na entrevista, publicada nesta quarta-feira no site do jornal, Santos indica que o socorro financeiro deve vir da União Europeia, mas não entrou em detalhes sobre se o país vai recorrer ao fundo de resgate da crise criado pelo bloco.
"Perante esta difícil situação, que podia ter sido evitada, entendo que é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu", afirmou o ministro em uma entrevista enviada por escrito ao jornal.
| Hugo Correia/Reuters | ||
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| Mais de 2.000 manifestantes exigiram novas políticas econômicas durante protestos em Lisboa no dia 1º de abril |
Santos disse, ainda, que o seu país foi "irresponsavelmente empurrado para uma situação muito difícil nos mercados financeiros", em uma referência indireta à ação da oposição para derrubar o pacote de ajuste fiscal no Parlamento, em 23 de março.
O ministro admitiu que o leilão de títulos da dívida realizado nesta quarta-feira a juros recordes mostrar a "deterioração das condições dos mercados" nacionais depois da rejeição da proposta de ajuste.
"A procura externa [por títulos de Portugal] é bem menor e as taxas refletem o agravamento, sem precedentes, registado nas últimas semanas em virtude do aumento da incerteza que paira sobre o país", afirmou Santos. Ele acrescentou que 90% dos investidores que compraram os títulos nesta quarta-feira são portugueses.
| Editoria de Arte / Folhapress/Editoria de Arte / Folhapress | ||
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Santos encerrou a entrevista garantindo que Portugal vai honrar seus compromissos financeiros, "tomando as iniciativas necessárias de modo a assegurar os meios indispensáveis".
Em 15 de abril, o governo português terá que pagar 4,2 bilhões de euros [R$ 9,7 bilhões] da dívida a vencer. Outros 4,9 bilhões de euros [R$ 11,3 bilhões] vencem em junho.
LEILÃO
O governo de Portugal promoveu nesta quarta-feira um novo leilão de títulos da dívida do governo de curto prazo. Os juros foram novamente recorde, o que aumenta as expectativas de que o país vai precisar de um socorro financeiro estrangeiro em breve.
No leilão, foram vendidos 1 bilhão de euros em títulos [R$ 2,3 bilhões]. Desse total, 560 milhões de euros [R$ 1,2 bilhão] são papéis com vencimento em outubro desde ano e os 450 milhões de euros [R$ 1,04 bilhão] restantes com vencimento em um ano.
As taxas de juros exigidas pelos investidores que compraram os títulos que são considerados de risco elevado foram recordes. Nos títulos com vencimento em seis meses, os juros são de 5,11% e nos com vencimento em um ano, de 5,9%.
| Editoria de Arte / Folhapress/Editoria de Arte / Folhapress | ||
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No mês passado, em leilões semelhantes, o Tesouro de Portugal havia pago 3% nos títulos de seis meses e 4,3% naqueles que vencem em 12 meses.
A escalada do prêmio exigido pelos investidores mostra a deterioração da situação financeira portuguesa. O país já teve sua nota de risco rebaixada por todas as grandes agências de classificação de risco.
O próximo leilão de títulos do governo está marcado para 20 de abril.
DÍVIDAS
Neste mês, o governo tem elevadas dívidas a pagar. Em junho, há uma nova concentração de vencimentos de títulos. Há um risco de o país não conseguir honrar com esses compromissos financeiros. Por isso, um pedido de resgate do FMI (Fundo Monetário Internacional) e de vizinhos da União Europeia pode estar próximo.
No mercado secundário, onde investidores negociam entre si os títulos do governo, os papéis da dívida de Portugal com vencimento em 10 anos atingiram 8,78% ao ano. Esses juros vem batendo recordes sucessivos desde a piora da crise portuguesa, em 23 de março. Os títulos de 10 anos são considerados uma referência do nível de risco do país.
Analistas do mercado financeiro já mencionam que Portugal irá precisar de um socorro de 80 bilhões de euros.
Políticos portugueses, no entanto, se recusam a aceitar a necessidade de ajuda externa, sob o argumento de que as condições que serão impostas em troca iriam prejudicar a população.
| Editoria de Arte / Folhapress/Editoria de Arte / Folhapress | ||
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