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12/04/2011 - 20h15

Ex-ditador egípcio é hospitalizado após ataque cardíaco; saiba mais

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DA FRANCE PRESSE, NO CAIRO

O ex-ditador Hosni Mubarak --internado nesta terça-feira em uma UTI (unidade de tratamento intensivo) após sofrer um ataque cardíaco durante um interrogatório-- governou o Egito durante três décadas antes de ser deposto no dia 11 de fevereiro por uma revolta popular.

Aos 82 anos, ele precisou deixar o poder após uma rebelião iniciada em 25 de janeiro para denunciar os problemas de seu país: desemprego, pobreza, corrupção, falta de liberdade e violência policial.

Após 18 dias de manifestações, Mubarak entregou o poder ao Exército e deixou o Cairo pelo balneário egípcio de Sharm el Sheikh, no mar Vermelho, onde foi posto em prisão domiciliar.

Amr Nabil-8.fev.2011/AP
Aos 82 anos, Hosni Mubarak renunciou ao comando do Egito após três décadas à frente da ditadura no país
Aos 82 anos, Hosni Mubarak renunciou ao comando do Egito após três décadas à frente da ditadura no país

Convocado pela Justiça, assim como seus filhos Alaa e Gamal, no âmbito de investigações sobre corrupção e violência contra os manifestantes durante a rebelião, que deixou oficialmente 800 mortos e milhares de feridos, estava sendo interrogado nesta terça-feira quando sofreu um ataque cardíaco.

Foi então hospitalizado em uma unidade de tratamento intensivo do Hospital Internacional de Sharm el-Sheikh.

Em março de 2010, Mubarak havia sido operado na Alemanha da vesícula biliar e de um pólipo no duodeno.

No domingo, saindo do silêncio pela primeira vez desde a sua queda, havia denunciado em uma mensagem sonora as "campanhas de difamação" e as "tentativas de atentar contra sua reputação e sua integridade".

Nesta mensagem ressaltou que nem ele nem sua mulher, Suzanne, tinham fortuna no exterior e que estava disposto a cooperar com a Justiça.

GOVERNO

O regime de Mubarak esteve marcado por sua obstinada oposição aos pedidos de abertura do sistema, evocando o risco de uma desestabilização catastrófica de seu país.

Poucos se atreviam a apostar em sua permanência no poder quando, em 1981, ele assumiu após a morte de Anwar el Sadat, assassinado por islamitas.

No entanto, Mubarak, ex-comandante da Força Aérea, conseguiu manter a estabilidade do Egito, e a de seu poder, aferrando-se a um sistema acusado de asfixiar a vida política.

Também se opôs ferreamente ao islamismo radical ao estilo da rede terrorista Al Qaeda, embora não tenha conseguido impedir o fortalecimento de um islã tradicionalista inspirado no poderoso movimento da Irmandade Muçulmana.

De cabelos sempre negros e frequentemente usando óculos de sol, tornou-se, com o passar dos anos, uma figura familiar das reuniões internacionais, impondo o Egito como um pilar moderado dentro do mundo árabe.

Pragmático, e habituado a viajar pelo país, manteve contra o vento e maré a posição de seu país no lado pró-americano e preservou os acordos de paz com Israel, que custaram a vida a seu predecessor.

BIOGRAFIA

Mohamed Hosni Mubarak nasceu em 4 de maio de 1928 de uma família da pequena burguesia rural do delta do Nilo. Escalou os degraus de hierarquia militar até tornar-se comandante em chefe das forças aéreas, e depois vice-presidente, em abril de 1975.

Durante sua longa carreira escapou de pelo menos seis tentativas de assassinato, e jamais levantou o estado de emergência instaurado desde que subiu ao poder.

A ascensão de seu filho mais novo Gamal, um empresário, alimentava até o início dos protestos as suspeitas de uma transmissão "hereditária" do poder na eleição presidencial programada para setembro de 2011.

Ante numerosos apelos --incluindo dos Estados Unidos-- em favor de uma abertura do sistema, Mubarak apresentava regularmente o cenário de uma desestabilização catastrófica do país árabe mais populoso, e chegou a dizer que sua renúncia levaria o "caos" ao Egito.

No entanto, o liberalismo econômico, que se acentuou nos últimos anos, permitiu iniciar a decolagem econômica, com o surgimento de "paladinos" egípcios nos campos das telecomunicações e da construção, fundamentalmente.

Apesar disso, cerca de 40% dos 80 milhões de egípcios ainda vivem com menos de dois dólares diários, segundo estatísticas internacionais, enquanto o país é regularmente acusado de casos de corrupção.

 

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