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02/05/2011 - 15h28

EUA afirmam que Bin Laden foi jogado ao mar sob tradições islâmicas

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DE SÃO PAULO

Atualizado às 16h00.

John Brennan, assessor de segurança nacional do presidente americano, disse nesta segunda-feira que o corpo de Osama bin Laden foi lançado ao mar seguindo as tradições islâmicas.

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Bin Laden foi morto com um tiro de um dos cerca de 20 militares da Marinha dos Estados Unidos que invadiram, em três helicópteros, sua mansão de alta segurança em Abbottabad, cidade a cerca de 50 km da capital paquistanesa. A operação durou 40 minutos e, segundo as autoridades americanos deixou ainda um dos filhos de Bin Laden, uma mulher e dois homens mortos. Nenhum militar americano ficou ferido.

Em uma entrevista coletiva, Brennan confirmou os relatos de funcionários do governo americano de que o corpo do líder da Al Qaeda foi lançado ao mar, após confirmação de sua identidade.

Brennan, contudo, não quis dar detalhes da cerimônia e de quem esteve presente. Questionado sobre detalhes como o lençol branco no qual o corpo é enrolado, ou a presença de um imame (ministro da religião islâmica), o assessor do presidente Barack Obama reiterou apenas que as tradições islâmicas foram seguidas.

Saul Loeb/France Presse
Assessor de Obama, John Brennan revela que uma das mulheres de Bin Laden morreu ao servir de escudo humano
Assessor de Obama, John Brennan revela que uma das mulheres de Bin Laden morreu ao servir de escudo

"Sabíamos que o enterro no mar era o mais apropriado", disse Brennan, que não revelou o local exato. "[O enterro] foi feito de maneira apropriada, com as pessoas apropriadas lá", disse, se recusando a citar nomes de pessoas consultadas.

Questionado se este tipo de funeral era seguro, Brennan afirmou que o sepultamento no mar é comum, e que segue as tradições islâmicas.

A estratégia atenderia à cultura islâmica de sepultamento imediato dos mortos e evitaria a criação de túmulo que se tornaria um local de veneração para terroristas. Além disso, dificilmente um país aceitaria enterrar o homem mais procurado do mundo em seu território.

Mais cedo, fontes do governo americano disseram que o sepultamento de Bin Laden ocorreu às 2h (18h de domingo em Brasília), depois de 50 minutos de preparações.

"Os procedimentos tradicionais para enterro islâmico foram seguidos. O corpo do falecido foi lavado e colocado em um lençol branco. O corpo foi colocado em uma sacola com peso. Um militar leu as frases religiosas preparadas que foram traduzidas para o árabe por um local. Depois que as palavras foram completadas, o corpo foi colocado em um barco preparado, no qual o corpo entrou no mar", disse um funcionário consultado pela agência de notícias Reuters.

A Academia de Investigação Islâmica de Al Azhar, o maior centro teológico sunita do mundo, condenou, contudo o sepultamento do corpo de Bin Laden no mar, o que representaria um pecado na tradição islâmica.

O sunita Mahmoud Ashour, membro da academia, afirmou à agência de notícias Ansa que o corpo do ex-líder da rede terrorista Al Qaeda deveria ser sepultado em terra, segundo as regras islâmicas, e que para tal poderia ser usada uma tumba sem identificação.

No entanto, algumas fontes islâmicas admitem o lançamento de defuntos ao mar, mas com ressalvas. De acordo com o site alislam.org, o corpo só deve ser levado ao mar caso se tema que inimigos possam violar a sepultura e amputar partes do corpo morto. Neste caso, o lançamento deve ocorrer em uma região longe de possíveis predadores.

ESCUDO HUMANO

Brennan afirmou ainda que, durante o tiroteio, uma mulher de Bin Laden foi usada de escudo humano para tentar proteger o líder terrorista dos disparos do comando militar americano.

Iftikhar Tanoli/ABC/Efe/Reuters
Montagem mostra o complexo residencial onde Bin Laden morava e uma das camas; assista imagens do local
Montagem mostra o complexo residencial onde Bin Laden morava e uma das camas; assista imagens do local

Brennan não deu mais detalhes e não soube dizer se a mulher de Bin Laden foi forçada por ele ou outro dos presentes a proteger o líder, ou se fez por vontade própria.

Ele confirmou, contudo, que ela é a mulher morta na operação.

Brennan negou ainda as declarações de funcionários do governo de que a missão americana tinha como objetivo matar, e não capturar, Bin Laden.

"Se tivéssemos a oportunidade de pegá-lo vivo, pegaríamos", disse o assessor. Questionado se Bin Laden resistiu à invasão dos militares, ele afirmou que as pessoas no complexo reagiram, mas não soube dizer se o líder da rede terrorista Al Qaeda chegou a pegar em armas.

"Ele estava engajado no tiroteio, não sei se ele tinha uma arma na mão", disse.

Brennan tentou desviar das diversas perguntas dos jornalistas sobre como os EUA não sabiam que Bin Laden viviam em um complexo residencial tão grandioso e tão próximo a Islamabad.

Ele disse várias vezes que as autoridades americanas estão investigando como ele conseguiu se esconder na casa por tantos anos e ressaltou que o líder da Al Qaeda tinha uma grande rede de proteção no país.

NOTÍCIA

Brennan falou ainda da reação do presidente ao saber que Bin Laden estava morto.

Ele disse que houve um sentimento crescente de expectativa, desde a operação, monitorada passo a passo pela liderança americana, até a morte de Bin Laden e a confirmação de sua identidade.

"Foi muito tenso, as pessoas estavam segurando o fôlego. Houve muito silêncio enquanto aguardávamos. Houve uma tremendo alívio quando soubemos a notícia, quando tivemos a notícia de que nosso pessoal estava fora de risco", disse o assessor.

"Não houve um momento ahá", disse Brennan, acrescentando, "quando descobrimos [que Bin Laden estava morto], dissemos: nós o capturamos".

 

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