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Divulgar foto de Bin Laden morto pode gerar ódio, diz Casa Branca
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
O porta-voz da Casa Branca, Jim Carney, disse nesta terça-feira em entrevista coletiva que divulgar fotos do líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, morto pode incitar o ódio devido ao "conteúdo forte", mas que o governo americano analisa se irá tornar públicas as imagens do corpo.
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"É correto dizer que o conteúdo é repulsivo. Há dúvidas sobre se é apropriado divulgar tais fotografias", disse Carney, referindo-se às imagens tiradas após a morte de Bin Laden, durante operação militar americana no domingo (1º) em uma casa onde o terrorista se refugiava, em Abbottabad, a cerca de 50 km da capital paquistanesa.
No entanto, grupos islâmicos já questionam se Bin Laden realmente foi morto pelas forças americanas. No Afeganistão, o Taleban diz que a notícia da morte é "prematura", e que os EUA "não forneceram evidências suficientes de que ele foi assassinado". O grupo abrigou Bin Laden após os ataques de 11 de Setembro.
Por outro lado, críticos nos EUA dizem que, se divulgadas, tais fotos podem ofender os muçulmanos ou ser exploradas por extremistas. "Nós não queremos divulgar nada que possa ser mal compreeendido ou causar outros problemas", disse John Brennan, principal assessor de contraterrorismo do presidente americano, Barack Obama, à Rádio Pública Nacional.
Autoridades americanas dizem que um software de reconhecimento facial e exames de DNA comprovam que o corpo é mesmo de Bin Laden.
BIN LADEN DESARMADO
Na coletiva, Carney também confirmou que Bin Laden, não estava armado durante a operação. Repórteres indagaram o motivo, então, da decisão de matá-lo ao invés de apenas capturá-lo e trazê-lo para julgamento em solo americano, por exemplo.
Em resposta, o porta-voz da Casa Branca limitou-se a dizer que "outras pessoas estavam armadas na casa" e que o próprio Bin Laden "ofereceu resistência" antes de morrer.
Carney disse ainda que Obama e as outras autoridades que acompanhavam a ação em tempo real na sala de controle da Casa Branca foram apenas "observadores".
"Todas as decisões foram tomadas no local. Cabia aos que estavam em solo executar o plano".
Saiba mais sobre os Seals, a força de elite dos EUA que matou Bin Laden
O porta-voz disse também que as operações no Afeganistão e o ritmo da retirada das tropas serão determinados "somente pelas condições no campo de batalha" e que a morte de Bin Laden não influenciará estas decisões.
DETALHES DA OPERAÇÃO
A Casa Branca disse ainda que os Seals apenas atiraram "na perna" de uma das supostas mulheres de Bin Laden, mas não a mataram. Ainda ontem (2), o governo americano já tinha desmentido relatos iniciais de que uma mulher teria servido de "escudo humano".
Carney confirmou ainda que o corpo do terrorista foi lavado, posto num lençol branco e lançado numa localização no norte do mar da Arábia. Até ontem o local onde o cadáver tinha sido lançado era somente informado por "fontes do governo", mas não tinha sido confirmado pelo governo de forma oficial.
Quanto às fotos, Carney disse que as imagens registradas têm conteúdo forte e "caráter inflamatório", apontando que os EUA consideram que divulgá-las pode resultar em retaliações contra o país.
"Estamos analisando se isso servirá nossos interesses ou se danidficará nossos interesses e também os interesses globais", disse.
RELAÇÕES EUA x PAQUISTÃO
Sobre a crise entre os EUA e o Paquistão, Carney disse que trata-se de uma "relação complicada, mas que não pode ser abandonada".
| Jonathan Ernst/Reuters - 6.mai.2009 |
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| Imagem de arquivo mostra os presidentes dos EUA, Barack Obama (esq.) e do Paquistão, Asif Ali Zardari, em Washington |
Questionado sobre as discussões no Congresso americano de suspender a ajuda financeira a Islamabad até que se prove se o país ajudou ou não Bin Laden, Carney disse que os paquistaneses "contribuíram com dados de inteligência que permitiram realizar a operação" e que os EUA "manterão contato" com o aliado.
As afirmações chegam horas depois da confirmação de que os Estados Unidos não informaram o Paquistão sobre a operação porque temiam que o governo paquistanês alertasse Bin Laden, segundo entrevista do diretor da CIA, Leon Panetta, à revista "Time".
Panetta disse ainda que foi decidido "que qualquer esforço por trabalhar com os paquistaneses poderia colocar em risco a missão: eles poderiam alertar aos objetivos".
A última acusação da CIA, agência de inteligência americana, aumenta a pressão sobre o governo do Paquistão e deve estremecer ainda mais a relação entre os dois países.
O governo de Islamabad só foi informado da presença de helicópteros e forças de elite da Marinha americana após o término da operação --numa clara violação da soberania do Estado paquistanês.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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| Clique e conheça a casa que abrigou o homem mais procurado do mundo |
Nesta terça-feira, a embaixada norte-americana no Paquistão e os consulados dos Estados Unidos em Lahore, Karachi e Peshawar foram fechados ao público "até nova ordem", informou um comunicado no site da embaixada dos EUA em Islamabad.
Em reação aos últimos desdobramentos, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, se defendeu nesta terça-feira das acusações de que o país estava abrigando secretamente o líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden.
"Alguns na imprensa americana sugeriram que o Paquistão não teve a vitalidade necessária em sua luta contra o terrorismo, ou pior, que fomos dissimulados e protegemos os terroristas que dizíamos buscar", disse Zardari.
"Tal especulação sem base pode ser excitante para os jornais, mas não reflete a realidade", completou.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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