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Para analista, morte de Bin Laden não afeta "Guerra ao Terror"
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LUCIANA COELHO
EM BOSTON
A morte de Osama bin Laden afetará as operações dos EUA no Afeganistão e no Paquistão, mas não sua estratégia de combate ao terrorismo, cada vez mais focada na inteligência, diz o cientista político e historiador Angel Rabasa.
Rabasa é um dos principais nomes do centro de estudos de segurança Rand a focar insurgência, terrorismo e a politização do islã. Para ele, a morte do líder da Al Qaeda pode facilitar o "desligamento" dos EUA do conflito em campo afegão.
FOLHA - A morte de Osama Bin Laden pode afetar a estratégia dos EUA em sua chamada "Guerra ao Terror"?
ANGEL RABASA - Não acho. A localização e a morte de Bin Laden foram uma conquista importante em termos de inteligência e serão vistas como validação dos métodos que têm sido usados.
Mas até agora tivemos uma combinação das operações de inteligência com uma guerra de fato, em campo, no Afeganistão. Essa combinação perdurará, uma vez que a inteligência prevaleceu?
Claro que a morte de Bin Laden terá um impacto tanto na abordagem que os EUA têm do conflito armado no Afeganistão quanto em suas relações com o Paquistão.
Quanto ao que acontecerá no Afeganistão, temos de separar o esforço para encontrar Bin Laden, essencialmente de inteligência e contraterrorismo, do conflito em solo, que é uma operação de contra-insurgência com elementos de construção de nação, algo muito mais difícil de cumprir.
É difícil saber agora, porém, como a morte do Bin Laden vai afetar o conflito em si. Sendo ele o principal líder da Al Qaeda, talvez sua morte facilite o desligamento dos EUA, porque a razão primeira para eles estarem lá era evitar que o país se tornasse um santuário para a Al Qaeda. Uma vez que a rede está enfraquecida...
A Al Qaeda existe em dois planos: o núcleo, cujas operações Bin Laden e Ayman al Zawahiri comandavam, e a marca Al Qaeda, com satélites similares a franquias. Como marca, a Al Qaeda perde força? Algum grupo pode preencher seu vácuo?
Bin Laden era o único líder carismático na Al Qaeda. Al Zawahiri, que deve substituí-lo, não tem o mesmo carisma e pode ter dificuldade em manter seus seguidores.
Esse grupos [satélites] continuarão a operar. Talvez outro individuo tente ocupar o vácuo. Um potencial candidato é [Anuar] al Awlaki, da Al Qaeda no Iêmen, que aparece bastante bastante no noticiário e é fluente em inglês --eles querem ter apelo no Ocidente.
De agora em diante, em que focarão os EUA?
Acho que no núcleo da Al Qaeda, que está localizado no Paquistão, e em grupos emergentes, como o AQAP (Al Qaeda na Arábia Peninsular), no Iêmen, além de procurar células terroristas dentro dos EUA e d de países ocidentais, muitas das quais têm ligação com o Paquistão. Não vejo muita mudança aí.
E como fica a relação com o Paquistão?
O caso paquistanês é muito difícil, porque há perguntas sobre em que medida elementos na estrutura de poder do Paquistão, sejam civis ou militares, continuaram a apoiar o Taleban e a Al Qaeda. Há perguntas a fazer sobre o que o Paquistão sabia.
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