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Unasul terá doutrina de defesa independente dos Estados Unidos
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ALEJANDRO MÉNDEZ
DA EFE, EM BUENOS AIRES
A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) confirmou nesta sexta-feira a decisão de criar sua própria doutrina de Defesa, separada das dos Estados Unidos e outras potências, ao concluir em Buenos Aires uma conferência ministerial que inaugurou o Centro de Estudos Estratégicos do fórum político regional.
Na conferência, que contou com a presença dos ministros da Defesa de nove dos 12 países da Unasul, "ficou claro que todos concordam que o sistema de segurança da OEA [Organização dos Estados Americanos] está defasado", ressaltou o anfitrião argentino, Arturo Puricelli, em entrevista coletiva.
É preciso "uma doutrina de Segurança e Defesa da América do Sul para a América do Sul", declarou o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, em referência à necessidade de criar "estruturas de dissuasão" para proteger a região.
Puricelli comentou que a Unasul aponta também "uma revisão" de "todas" as instituições de Defesa da OEA, como o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR).
"Queremos organizar uma conferência da OEA para adequar estes instrumentos, pois o sistema interamericano já não responde às necessidades sul-americanas", disse o ministro argentino.
Durante a conferência de inauguração do Centro de Estudos Estratégicos da Defesa da Unasul, ministros e especialistas investiram direta e indiretamente contra as doutrinas de segurança dos Estados Unidos e as potências europeias e, coincidiram que o fim dos recursos naturais, o aumento da população, a mudança climática e a política de ações militares "extraterritoriais" dos EUA e seus aliados são algumas das "ameaças" sobre a América do Sul.
O grupo também mostrou suas diferenças sobre as diretrizes que deveria ter a doutrina de segurança e defesa dos "enormes recursos naturais" que possui América do Sul, "a região mais pacífica do mundo", como destacou Jobim.
Entre outras "imensas riquezas", América do Sul possui 25% das terras cultiváveis para agricultura, uma proporção similar de reservas de água potável e 40% da biodiversidade "que é preciso defender respeitando a soberania de cada um", assinalou o ministro brasileiro.
Mas todos os ministros coincidiram que as divergências não impedirão os consensos, porque a Unasul "se demonstrou capaz" de "vencer momentos de maus entendidos e grandes discórdias" entre seus membros "em prol do bem comum", como disse a secretária-geral, a ex-chanceler colombiana María Emma Mejía.
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