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25/06/2011 - 21h51

Em clima tenso, García promete transição pacífica de governo

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DA FRANCE PRESSE, EM LIMA

O presidente do Peru, Alan García, se comprometeu neste sábado a garantir uma transição democrática e pacífica ao esquerdista recém-eleito, Ollanta Humala, mesmo em meio aos violentos protestos contra a mineração em Puno, na fronteira com a Bolívia, que na sexta-feira deixaram cinco mortos e mais de 30 feridos.

"Há objetivos mais importantes, sendo o primeiro deles garantir uma transição pacífica e o início sem problemas do governo (de Humala)", disse García em uma declaração à imprensa, ao defender a revocação da concessão à mineradora canadense Bear Creek, aprovada pelo governo junto de outras normas com as quais se objetiva colocar fim aos protestos em Puno.

Apesar da medida, García denunciou que há "obscuros interesse políticos" por trás dos violentos protestos contra a mineração em Puno, que buscam obter apoio para pressionar o governo de Humala.

"É nítido e claro que estas ações não são contra o governo que termina em alguns dias e sim de interesses políticos em obter uma parte do poder durante a mudança de governo", previsto para o dia 28 de julho, disse García.

García não identificou a nenhum grupo em especial por trás dos protestos, apesar de dias atrás alguns veículos da imprensa terem especulado sobre vínculos entre os líderes aymaras peruanos de Puno e seus pares bolivianos.

O presidente eleito, Ollanta Humala, um nacionalista de esquerda que anunciou novos impostos para as companhias de mineração, pediu o fim dos atos de violência e "que o governo e autoridades da região encontrem uma solução pacífica".

CONFRONTOS

Na cidade de Juliaca, onde houve inclusive uma tentativa de tomar o aeroporto local, houve choques com as forças de segurança que deixaram cinco mortos e mais de 30 feridos e o clima seguia tenso na cidade neste sábado.

Centenas de manifestantes tomaram a praça principal da cidade e realizaram atos de vandalismo tanto na praça quanto no aeroporto da cidade, que incluíram o roubo de luzes que guiam a aterrissagem dos aviões na pista.

O governo esperava conter os protestos ao revocar a concessão da mineradora canadense Bear Creek e ao proibir toda atividade mineira informal em Puno, como era solicitado pelos manifestantes, mas não obteve sucesso.

A sensação nos meios empresariais é de que as medidas não são um bom sinal para o mercado e foram tomadas por um governo encurralado que deseja a mudança rápida do poder, prevista para o dia 28 de julho.

"Essa medida é um péssimo sinal para os investidores", disse Alfonso García Miró, presidente da Sociedade de Comércio Exterior do Peru (Comex).

"Os revoltosos conseguiram o que queriam: mortos e feridos", disse o sociólogo e ex-ministro do Interior, Fernando Rospigliosi. "O governo não deve ceder", completou.

A canadense Bear Creek previa investir US$ 71 milhões para produzir cinco milhões de onças de prata nos próximos anos na mina de Santa Ana.

Os manifestantes alegam a contaminação dos rios e águas que servem para semear terras no sul do Peru. O país é o segundo maior produtor mundial de prata e cobre, além de ser o sexto produtor de ouro.

 

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