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09/07/2011 - 18h06

Primeiro líder do Sudão do Sul quer construir paz com rival do Norte

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Ao ser jurado como primeiro presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir relembrou as quase cinco décadas de conflitos que deixaram milhares de mortos e disse que trabalhará com Omar al Bashir, ditador do Norte, para atingir uma "paz justa para todos".

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O líder prometeu promover a paz em regiões fronteiriças (as mais atingidas pela violência) e ofereceu anistia a grupos armados que lutam contra o seu governo, horas depois de seu Estado ter declarado independência do Norte.

Thomas Mukoya/Reuters
Salva Kiir (esq.) e Omar al Bashir (dir.) acenam a multidão; líderes prometeram cooperação para construir a paz
Salva Kiir (esq.) e Omar al Bashir (dir.) acenam a multidão; líderes prometeram cooperação para construir a paz

Em contrapartida, o ditador Al Bashir disse que o êxito do Sul representa o êxito do Norte, e afirmou que vai trabalhar para manter a segurança entre as duas nações.

"Respeitamos nossos compromissos em relação ao novo Estado do Sudão do Sul, e vamos ajudá-los em seus primeiros passos, já que desejamos que triunfe. Seu êxito será nosso êxito. É nossa responsabilidade comum construir [uma relação] de confiança, que permitirá resolver as questões em suspenso", acrescentou.

Salva Kiir fez questão de frisar as vítimas dos anos de guerra. "Eu quero assegurar ao povo de Abyei, Darfur, Nilo Azul e Kordofan do Sul que não os esquecemos. Quando vocês choram, nós choramos. Quando vocês sangram, nós sangramos", afirmou.

"Eu prometo a vocês hoje que acharemos uma paz justa para todos", afirmou, acrescentando que a cooperação com o Norte tornará este objetivo possível.

Todas as regiões mencionadas pelo novo líder estão na problemática fronteira que o Sul divide com o Norte e que, segundo especialistas, podem reacender as tensões após a separação.

"Um dia feliz como este não deve ser ofuscado por lembranças ruins, mas é importante lembrar que esta terra sofreu durante várias gerações (...). Devemos perdoar, ainda que não tenhamos esquecido", afirmou Kiir.

Na véspera da declaração da independência da nova nação, o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu por unanimidade enviar ao Sudão do Sul uma missão de 7.000 soldados, 900 civis e especialistas para contribuir com a construção do país e com a segurança.

RECONHECIMENTO

A comunidade internacional, com Estados Unidos, China, Rússia e a União Europeia (UE) na liderança, reconheceu rapidamente o novo país africano que está entre os mais pobres do mundo, apesar de suas vastas reservas petrolíferas, assegurando que o apoiarão.

O chefe do Parlamento, James Wanni Igga, anunciou a "declaração de independência do Sudão do Sul" diante de milhares e habitantes eufóricos e pouco depois hasteou a bandeira do novo Estado.

Editoria de Arte / Folhapress

Horas antes da meia-noite, diversos líderes mundiais, entre eles 30 líderes africanos e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegaram a Juba para as comemorações da independência do novo Estado.

"O povo do Sudão do Sul realizou seu sonho. A ONU e a comunidade internacional continuará do lado do Sudão do Sul", declarou Ban Ki-moon ao chegar ao aeroporto da capital.

O presidente americano, Barack Obama, também anunciou que os Estados Unidos reconhecem formalmente a República do Sudão do Sul.

"Num momento em que sudaneses do sul empreendem a dura tarefa de construir seu novo país, os Estados Unidos prometem acompanhá-los enquanto buscarem segurança, desenvolvimento e um governo responsável, que realize suas aspirações e respeite os direitos humanos", acrescentou.

Andrew Burton/Associated Press
Tapete vermelho da cerimônia na capital; comunidade internacional reconheceu independência do Sudão do Sul
Tapete vermelho da cerimônia na capital; comunidade internacional reconheceu independência do Sudão do Sul

O Brasil saudou a independência do Sudão do Sul e anunciou o estabelecimento de laços diplomáticos com a nova nação.

O primeiro-ministro britânico David Cameron também anunciou o reconhecimento oficial do Reino Unido.

Da mesma forma, o presidente francês Nicolas Sarkozy anunciou o reconhecimento de seu país. "A França reconhece e dá as boas-vindas ao Sudão do Sul na comunidade dos Estados", afirmou a Presidência francesa em comunicado.

COMEMORAÇÕES

Uma multidão em delírio celebrou à meia-noite de sexta-feira para sábado, em Juba, a proclamação da independência.

Ao soar os sinos de meia-noite, uma explosão de alegria comemorou a chegada do primeiro dia de vida do novo Estado. "Somos livres! Somos livres! Adeus ao norte, bem-vinda a felicidade!", clamava em meio à multidão a sul-sudanesa Mary Okach.

Thomas Mukoya/Reuters
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"Lutamos muitos anos e este é nosso dia, vocês não podem imaginar como me sinto", declarou por sua vez o estudante universitário Andrew Nuer, 27 anos, que viajou do Cairo especialmente para assistir aos festejos da independência.

O ruído era ensurdecedor na capital do novo Estado, cujo céu iluminou-se com fogos de artifício enquanto carros e ônibus repletos de pessoas que percorriam as ruas com bandeiras do Sudão do Sul em suas portas e janelas, enquanto os motoristas buzinavam.

 

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