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25/07/2011 - 12h11

Polícia reduz número de vítimas em ataques na Noruega para 76

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DE SÃO PAULO

A polícia da Noruega reduziu nesta segunda-feira para 76 o número de vítimas do tiroteio na ilha de Utoeya e da explosão de um carro-bomba na sexta-feira (22). O saldo anterior indicava ao menos 93 mortos.

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Em pronunciamento público, a polícia disse que o número de mortes no violento ataque na ilha de Utoyea foi reduzido de 86 para 68. Um porta-voz do órgão informou que um dos possíveis motivos da confusão quanto aos números é de que alguns corpos devem ter sido contados mais de uma vez.

A polícia elevou, contudo, de sete para oito o número de vítimas da explosão de um carro-bomba no centro de Oslo, perto da sede do governo.

Emilio Morenatti/Associated Press
Menino acende vela em homenagem às vítimas do duplo atentado de sexta-feira; número de vítimas foi reduzido a 76
Menino acende vela em homenagem às vítimas do duplo atentado de sexta-feira; número de vítimas foi reduzido a 76

Eles alertaram, contudo, que o número pode voltar a subir, já que as equipes ainda não encerraram os trabalhos de resgate na ilha.

A polícia disse ainda que as equipes forenses trabalham para identificar todas as vítimas.

"É uma pequena boa notícia", disse o porta-voz da polícia, acrescentando que o trabalho ainda está em andamento e que "não há forma de fazer isto [identificação das vítimas] mais rápido do que fazemos no momento".

"Esta indo de acordo com o plano, mas consome muito tempo, reunir informação das famílias", disse o porta-voz, acrescentando que espera ter um número final de vítimas na quinta-feira (28).

"Agora é importante que a vida em Oslo volte ao normal", completou o porta-voz.

Os noruegueses ficaram em choque na sexta-feira quando um carro-bomba explodiu próximo à sede do governo, no centro de Oslo, matando oito pessoas.

Duas horas depois, o norueguês Anders Behring Breivik atirou contra os participantes de uma colônia de férias da juventude do Partido Trabalhista (no poder) na ilha de Utoya, 40 km a oeste da capital, provocando ao menos 68 mortes.

A hipótese mais sólida era de que o suspeito ativou o carro-bomba que explodiu na capital para depois seguir em direção à ilha, situada a cerca de 40 quilômetros da capital.

PRISÃO PREVENTIVA

Mais cedo, Breivik, que confessou ser o autor do massacre, compareceu no tribunal e não quis se declarar culpado.

Ele explicou ao juiz Kim Heger que não se considera culpado pois precisava ter cometido estes atos para enviar "um forte sinal" aos noruegueses e proteger o país contra a "invasão" dos muçulmanos. Ele afirmou que trabalhava em conjunto com "duas outras células".

Dois psiquiatras vão avaliar o estado de saúde mental de Breivik, que, segundo a polícia, se manteve calmo durante seu depoimento e parece não ter sido afetado pelos eventos.

O juiz determinou que Breivik fique detido por oito semanas, metade das quais deve ficar em solitária e isolamento --sem cartas, telefonemas ou contato com sua família ou a mídia.

Segundo o promotor que participa do caso, Breivik sabe que passará o resto da vida atrás das grades.

Jon-Are Berg-Jacobsen/Aftenposten/Reuters
Anders Behring Breivik (de vermelho) é levado em comboio policial depois de participar de audiência em Oslo
Anders Behring Breivik (de vermelho) é levado em comboio policial depois de participar de audiência em Oslo

Normalmente, o acusado é levado à corte a cada quatro semanas enquanto os promotores preparam o caso, para que o juiz possa aprovar sua contínua detenção. Em casos de crimes sérios ou quando o réu é confesso, é comum este período ser ampliado.

Breivik foi indiciado por atos de terrorismo. O juiz afirmou que sua confissão e outras evidências encontradas pela polícia permitem o indiciamento.

O norueguês de 32 anos disse ainda ao juiz que quis induzir a maior perda possível ao governista Partido Trabalhista, para que não consiga mais recrutar novos filiados.

Ele acredita que o partido falhou com o povo ao não protegê-lo de uma "tomada muçulmana" e o preço desta traição foram os ataques de sexta-feira --um carro-bomba detonado perto da sede do governo, em Oslo, e um tiroteio em um acampamento de jovens na ilha de Utoeya, que deixaram 76 mortos.

Breivik, definido como um fundamentalista cristão, islamófobo e ultradireitista, queria transformar a audiência desta segunda-feira uma ampla declaração de suas crenças perante o juiz e a imprensa.

Ele afirmou em seu manifesto na internet, publicado antes dos ataques, que apareceria na corte de uniforme e faria uma longa defesa de sua tese.

A audiência, contudo, foi realizada a portas fechadas, um esforço para evitar que um palanque do extremismo. A sessão durou cerca de 35 minutos.

Segundo Geir Lippestad, advogado do acusado, Breivik acredita que seus crimes foram "atrocidades, mas necessários" e que não merece nenhum castigo por eles.

 

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