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Corpos são achados na Líbia com mãos atadas e sacos na cabeça
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SAMY ADGHIRNI
ENVIADO ESPECIAL A TRÍPOLI
Dezenas de corpos foram encontrados ontem em Trípoli com as mãos amarradas, num claro sinal de que execuções coletivas estão sendo conduzidas no conflito entre governistas e rebeldes líbios.
As execuções, conjugadas à intensificação dos combates de rua e a ataques ousados de franco-atiradores governistas, geram temores de escalada do conflito.
| Francois Mori/Associated Press |
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| Rebelde líbio caminha ao lado de corpos em Abu Salim, Trípoli; corpos são achados sem cabeça e de mãos atadas |
Há sinais de que os dois lados cometeram massacres, violando a Convenção de Genebra, que proíbe execuções de prisioneiros de guerra. Nos arredores de Bab al Azizia, complexo de prédios usado como sede do regime, foram encontrados corpos com mãos atadas, sacos plásticos na cabeça ou injeções de soro no braço.
Detalhes como lenço verde (cor do regime de Gaddafi) amarrado ao uniforme e a aparência de africanos subsaarianos, possivelmente mercenários de países vizinhos, sinalizam que as vítimas eram membros das forças leais ao ditador.
Num hospital de Trípoli também foram encontrados corpos com as mãos amarradas. Segundo a TV Al Jazeera, trata-se de prisioneiros políticos mortos pelo regime quando insurgentes chegaram a Trípoli, no domingo.
ESTRATÉGIA
Um representante rebelde disse que houve execuções de dissidentes em uma prisão de Trípoli ainda sob controle governista. Segundo os insurgentes, soldados de Gaddafi trancaram os detidos e jogaram granadas nas celas.
Os relatos surgem em meio a combates que não parecem arrefecer nas ruas de Trípoli. A estratégia de Gaddafi para impedir o controle dos rebeldes parece se delinear em torno de duas ideias centrais. A primeira consiste em fomentar a resistência em bairros predominantemente governistas, como Abu Salim. Relatos não confirmados diziam que Gaddafi estaria em um prédio residencial.
O segundo alicerce da estratégia governista é semear terror pelas ruas de Trípoli posicionando atiradores de elite em vários pontos da cidade. Ontem, o hotel Corinthia, que abriga dezenas de jornalistas estrangeiros, foi alvo de um ataque governista que desencadeou tiroteio de ao menos 20 minutos.
Rebeldes admitem que setores da capital, inclusive fora das áreas sob comando do regime, estão "infestadas" de atiradores gaddafistas.
"Nossa prioridade número um no momento é limpar a cidade das ameaças à população", disse à Folha o porta-voz rebelde Anis Sharif. "Muitos combatentes estão vindo de outras regiões do país para ajudar a liberar nossa capital", afirmou Sharif. Em novo discurso transmitido em áudio, Gaddafi convocou ontem tribos aliadas a defender o regime. Rebeldes chegaram a anunciar que o haviam encurralado em Trípoli, mas ele não foi preso.
Os rebeldes ontem anunciaram a transferência de sua "capital" de Benghazi para Trípoli.
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