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Líder diz que Taleban quer dividir poder
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IGOR GIELOW
SECRETÁRIO DE REDAÇÃO
DE BRASÍLIA
O líder do Taleban, mulá Mohammad Omar, divulgou mensagem na qual afirma que seu grupo não pretende "monopolizar o poder" no Afeganistão no caso de negociações políticas, as quais não descarta caso haja retirada total de tropas ocidentais do país.
A mensagem anual por ocasião do fim do mês sagrado do Ramadã, é uma tradição do mulá --que não é visto em público desde que o regime que capitaneou entre 1996 e 2001 foi derrubado pelos americanos na esteira dos ataques do 11 de Setembro, planejados pela rede terrorista Al Qaeda sob sua proteção.
Omar, ou quem quer que assine o texto em seu lugar, já que de tempos em tempos sua morte é anunciada, dá sinais de que o Taleban pode sentar à mesa de negociação desde que as forças lideradas pelos EUA retirem seus 130 mil homens do Afeganistão.
Ou seja, não muda muita coisa na prática. Mas há sinais de composição: ele afirma que o Taleban não quer dominar o Estado, mas assegurar que o Afeganistão seja independente e islâmico.
E mais: "Todas as etnias devem ter participação no regime e cargos serão distribuídos considerando méritos", e "todos os afegãos têm direito de exercer sua responsabilidade de proteger e governar o país". Durante seu governo, a etnia pashtun, majoritária no país e base do Taleban, dominou a vida pública.
Do ponto de vista militar, a novidade é que o líder taleban nega abandonar a jihad (guerra santa) contra os EUA caso haja alguma tropa em bases permanentes após a retirada americana --que começou este ano e está prevista para acabar em 2014.
O texto cita negociações recentes para a soltura de talebans presos, que segundo Omar "não representam uma negociação compreensiva".
No texto, ele volta ao discurso triunfalista das outras edições, dizendo que a "vitória é iminente", adicionando fatos contemporâneos, como a crise financeira mundial.
"O estado das coisas não é mais pró-EUA como foi no passado. A economia americana está enfrentando problemas terríveis. O povo dos países da Otan estão conhecendo a realidade da guerra. Os países da região estão cansados da diplomacia de canhões", diz Omar.
Omar elenca o que considera vitórias da insurgência, como a derrubada de "aeronaves", uma referência ao ataque que destruiu um helicóptero com membros do esquadrão de elite que matou Osama bin Laden no Paquistão em maio. Diz que "aprendeu as táticas do inimigo" e "tem mais acesso a material" para a guerra.
O Taleban reafirma que rejeita a conferência sobre o futuro do Afeganistão que ocorrerá em dezembro em Bonn (Alemanha) por considerá-la ilegítima.
Por fim, Omar cita as riquezas minerais afegãs, estimadas pelos EUA em US$ 1 trilhão e que já atraem investimentos chineses, como o passaporte para a independência econômica do país.
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