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Forças da ONU no Haiti enfrentam indignação por suposto estupro
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DA REUTERS
O presidente haitiano, Michel Martelly, condenou o suposto caso de estupro de um morador local de 18 anos por fuzileiros uruguaios da ONU, no mais recente incidente a ameaçar a imagem das forças de paz da Organização das Nações Unidas no Haiti, comandadas pelo Brasil.
A indignação pública na nação caribenha, assolada por um terremoto no ano passado, tem aumentado por causa de um vídeo gravado por uma câmera de celular que está circulando na internet, mostrando tropas uruguaias da ONU segurando um jovem haitiano com o rosto virado para o colchão e aparentemente assediando a vítima sexualmente, em uma cidade no sul do país.
Autoridades haitianas, a Missão da ONU no Haiti e o Ministério da Defesa do Uruguai lançaram uma investigação sobre o vídeo. Os quatro soldados suspeitos de envolvimento foram detidos e a Marinha uruguaia substituiu o chefe do contingente naval da missão de paz da ONU no Haiti.
"A Presidência condena veementemente esse ato que revoltou a consciência da nação e aguarda um relatório detalhado estabelecendo os fatos e as circunstâncias exatas", disse o gabinete de Martelly em comunicado divulgado na noite de domingo.
A vítima e sua mãe prestaram depoimento sobre o suposto ataque a um juiz haitiano em Port-Salut.
Forças de paz da ONU no Haiti já enfrentaram a indignação pública antes, particularmente por conta de alegações de que soldados nepaleses da ONU trouxeram a epidemia de cólera ao país, depois que os banheiros do acampamento contaminaram um rio local. Isso gerou tumultos no ano passado contra o contingente de 12 mil soldados de paz da ONU.
A epidemia de cólera matou mais de 6.200 pessoas desde outubro no Haiti, país que ainda luta para se recuperar do terremoto devastador de 2010, em que mais de 300 mil pessoas morreram, segundo o governo haitiano.
A atual missão de paz da ONU no Haiti, conhecida como a Minustah, e comandada por forças brasileiras, foi criada pelo Conselho de Segurança da ONU em 2004 e está ajudando a polícia haitiana a manter a segurança no instável país caribenho, tendo atuado especialmente durante as eleições, que foram marcadas por fraude e violência.
Martelly, que venceu as eleições em março, reconheceu que o Haiti ainda necessita das forças de paz, mas pediu uma redefinição do papel das tropas estrangeiras no futuro e na criação de uma força de segurança haitiana que poderá assumir as funções mais adiante
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