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08/09/2011 - 13h15

Será difícil evitar ação palestina na ONU, diz ex-enviado dos EUA

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DA REUTERS

O ex-enviado especial dos Estados Unidos para a paz no Oriente Médio, George Mitchell, disse nesta quinta-feira que havia poucas chances de as autoridades americanas conseguirem persuadir os líderes palestinos a não tentarem um reconhecimento maior nas Nações Unidas.

Mitchell, que deixou o cargo em maio depois de mais de dois anos de esforços infrutíferos para obter a paz entre palestinos e israelenses, estava pessimista com relação às chances de progresso nos próximos meses, mas mais otimista a longo prazo.

Os palestinos prometeram melhorar o status deles na ONU, seja buscando a participação plena nas Nações Unidas para o Estado palestino na faixa de Gaza e na Cisjordânia, seja buscando o reconhecimento como um "estado não membro".

Os Estados Unidos e Israel são contra isso. Eles dizem que o conflito deve ser resolvido em negociações diretas e que tomar medidas nas Nações Unidas iria afastar ainda mais os dois lados.

David Hale, o substituto de Mitchell como o enviado da paz americano no Oriente Médio, e o assessor da Casa Branca Dennis Ross se reuniram com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, na quarta-feira, num último esforço dos EUA de impedir a proposta palestina na ONU.

"Acho que era e é pouco provável que eles sejam bem-sucedidos naquele esforço", disse Mitchell em uma conferência sobre a paz na Universidade Georgetown em Washington.

Se os palestinos ignorarem os EUA e a oposição israelense e buscarem uma participação plena de um Estado palestino na ONU, com o leste de Jerusalém como sua capital, a tentativa provavelmente irá falhar porque Washington vai vetá-la no Conselho de Segurança da ONU.

Ainda não se sabe se os palestinos vão buscar uma participação plena, a melhora no status de observador ou ambos. Mitchell, que ajudou a forjar o acordo que pôs fim ao conflito na Irlanda do Norte, disse que via poucas chances de progresso nos próximos meses, mas que estava mais otimista em longo prazo.

"Há obstáculos tremendos para serem superados, e um deles é a situação política interna nos dois lados", disse Mitchell. "Nós vimos nosso país profundamente dividido nas principais questões políticas (e) não deveríamos nos surpreender que circunstâncias similares existam em outros países, o que dificulta aos líderes tomarem medidas necessárias para sair das posições atuais em direção ao que eu acho que é o resultado principal".

"A curto prazo, e quero dizer com isso nos próximos meses, é difícil ser muito otimista, para dizer o mínimo", afirmou. "Mas acredito que a médio e longo prazo há uma base para acreditar que eles serão capazes de tomar essas medidas principalmente porque a circunstância atual, segundo julgo, está insustentável e as duas sociedades enfrentam riscos muito grandes se continuarem o conflito."

 

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