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22/09/2011 - 20h31

Na ONU, Ahmadinejad ataca Ocidente; EUA e UE abandonam recinto

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, atacou nesta quinta-feira na ONU o Ocidente por seus malfeitos, mas ignorou em seu discurso a questão do programa nuclear do seu país e a reivindicação palestina de reconhecimento à sua independência.

Em seu pronunciamento de 30 minutos à Assembleia Geral da ONU, o presidente iraniano também deixou de mencionar os movimentos pró-democracia que têm varrido o mundo árabe neste ano, inclusive na Síria, mais importante aliado árabe de Teerã.

Ahmadinejad atacou os EUA por conta do histórico com a escravidão, os acusando de causar as duas Guerras Mundiais, de usar bombas nucleares contra "pessoas inocentes", e de impor e apoiar ditaduras militares e regimes totalitários em nações asiáticas, africanas e latino-americanas.

Delegados norte-americanos abandonaram o plenário quando o iraniano afirmou que "potências arrogantes" ameaçavam com sanções, pressão midiática e ações militares quem questiona o Holocausto e os atentados de 11 de setembro de 2001 contra os EUA.

Outras delegações ocidentais também deixaram o recinto, no que já se tornou uma constante nos discursos anuais de Ahmadinejad na ONU.

Os representantes da UE os seguiram de comum acordo em sinal de protesto, quando Ahmadinejad atacou os europeus.

"Tratou-se de uma posição coordenada da UE quando o presidente iraniano questionou os países europeus por seu 'apoio ao sionismo' e fez referência ao Holocausto", afirmou a missão francesa na ONU.

Ele acusou Washington de usar os "misteriosos" atentados do 11 de Setembro como pretexto para as guerras no Afeganistão e Iraque, e disse que as potências ocidentais "veem o sionismo como uma noção e ideologia sagradas".

Em seu discurso, Ahmadinejad criticou também os Estados Unidos por terem ordenado matar Osama bin Laden em vez de levá-lo à Justiça.

"A hipocrisia e o engano são permitidos para garantir seus interesses e objetivos imperialistas", disse.

REAÇÃO

A Casa Branca minimizou os ataques verbais de Ahmadinejad e acusou o governo iraniano de oferecer um "tratamento vil" aos seus próprios cidadãos. "Acho rico que o presidente iraniano tenha tais críticas", ironizou o porta-voz Jay Carney.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, também lamentou o discurso de Ahmadinejad. "Ele não nos lembrou que governa um país que pode ter algum tipo de eleição, mas que também reprime a liberdade de expressão. Eles fazem tudo o que podem para evitar a responsabilização perante uma mídia livre. Eles impedem manifestações violentamente, e, sim, eles detêm e torturam aqueles que argumentam por um futuro melhor", disse Cameron.

Mark Kornblau, porta-voz da legação dos EUA junto à ONU, disse que Ahmadinejad "novamente recorreu a abomináveis insultos antissemitas e a desprezíveis teorias conspiratórias".

Em frente à sede da ONU, milhares de pessoas protestaram contra Ahmadinejad. A multidão, composta principalmente por iraniano-americanos, gritava "abaixo os ditadores, abaixo Ahmadinejad" e pedia a deposição do presidente, cuja reeleição, em 2009, foi marcada por suspeitas de fraude e desencadeou meses de protestos nas ruas do Irã.

"Esperamos ver que o povo do Irã seja representado na ONU por um funcionário democraticamente eleito", disse Hamid Azimi, engenheiro de computação na Califórnia.

O líder iraniano apresentou-se diante da Assembleia Geral da ONU em Nova York, um dia depois de o presidente americano, Barack Obama, advertir que Teerã se exporia a um isolamento maior se persistisse com seu programa nuclear.

O Irã foi alvo de seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU, quatro delas com sanções, que condenam seu programa nuclear. Teerã afirma que não busca uma arma nuclear, mas os governos ocidentais estão convencidos do contrário.

QUESTÃO NUCLEAR

Apesar de não ter mencionado o imbróglio nuclear iraniano em seu discurso, Ahmadinejad disse, pouco antes, em entrevista, que o país está pronto para parar o enriquecimento de urânio com condições, o que é há anos uma exigência da comunidade internacional.

Ahmadinejad disse que seu país está pronto para interromper a produção de urânio enriquecido a 20% caso tenha garantias de receber combustível para seu reator de pesquisa em Teerã.

"A qualquer momento que eles nos garantirem esta venda (...) interromperemos o enriquecimento a 20%", disse Ahmadinejad em Nova York, onde participa da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Assim que estas garantias sejam dadas, faremos nossa parte", disse ele.

As sanções que o Irã enfrenta das potências internacionais são devido ao seu programa nuclear, acusado pelo Ocidente de ser um disfarce para a produção de armas. Teerã nega, afirmando que o objetivo é a geração de energia.

DISCURSOS

No primeiro discurso latino-americano do dia, o presidente chileno, Sebastián Piñera, defendeu o direito dos palestinos de ter um Estado reconhecido pela ONU, somando-se à voz de vários países da região.

"O povo palestino tem direito de ter um Estado livre, soberano e democrático e o Estado de Israel tem o direito de ter fronteiras reconhecidas, seguras e respeitadas. Só assim israelenses e palestinos poderão conviver e progredir em paz e harmonia", explicou.

Os contatos diplomáticos continuavam um dia antes de o presidente palestino, Mahmoud Abbas, apresentar na ONU seu pedido de adesão plena como Estado.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta quinta-feira que seu governo está concentrado no futuro independentemente do que os palestinos façam na ONU.

"Aconteça o que acontecer amanhã, continuaremos centrados futuro das Nações Unidas", disse Hillary.

Os Estados Unidos prometeram vetar qualquer pedido de adesão de um Estado palestino no Conselho de Segurança, o que originou temores de uma nova crise no Oriente Médio. Milhares de palestinos manifestaram na quarta-feira o apoio a Abbas.

Os palestinos necessitam, no Conselho, de nove votos sobre um total de 15 e que nenhum dos membros permanentes (EUA, França, Grã-Bretanha, China e Rússia) faça uso de seu direito a veto.

Cinco membros do Conselho de Segurança já expressaram seu apoio: Rússia e China (permanentes), Brasil, Líbano e África do Sul (não permanentes). A Colômbia, outro membro latino-americano não permanente, adiantou que se absteria da votação. O restante dos países, com exceção dos Estados Unidos, continuam indecisos.

 

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