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29/09/2011 - 14h19

Ex-premiê ucraniana diz que processo contra ela foi premeditado

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DA EFE

A ex-primeira ministra e líder opositora ucraniana Yulia Tymoshenko afirmou nesta quinta-feira que o julgamento que enfrenta por acusações de abuso de poder já tinha a sentença decidida antes mesmo do desenvolver do processo judicial pelo presidente do país, Victor Yanukovich.

Segundo ela, o presidente acredita que ela é uma rival perigosa, e a decisão do juiz será de que ela é culpada, para impedi-la de participar de futuras eleições.

Tymoshenko, acusada de abusar de suas funções para firmar acordos no setor de gás com a Rússia em 2009, se declarou inocente, ressaltando que sua atuação foi "legal, lógica e eficaz".

A líder opositora afirmou que as investigações relativas às negociações começaram depois do início do processo penal, o que mostraria a influência de Yanukovich, que quer persegui-la. Ela classificou as acusações a que responde de absurdas e circenses.

"Se mesmo deixando claro isso [inocência], for declarada uma sentença de culpabilidade, não será uma sentença contra mim, porque não houve delitos em minha atuação", ressaltou, dizendo que está convencida de que, cedo ou tarde, será absolvida nos tribunais internacionais.

Segundo ela, Yanukovich vem mantendo-a presa para frustrar o fechamento de um acordo com a União Europeia, que advertiu a Ucrânia que a condenação de Tymoshenko poderia afetar as negociações pela associação no bloco e por uma zona de livre comércio.

Tymoshenko, importante figura da oposição, é ré desde junho pela acusação de abuso de poder na assinatura de um acordo de gás com a Rússia em 2009. Ela pode ser condenada a até dez anos de prisão.

O governo do presidente Viktor Yanukovich diz que por causa desse acordo a Ucrânia está pagando um preço exorbitante pelo gás russo. Tymoshenko nega a acusação e se diz vítima de uma vingança política.

Os EUA e vários países da UE ficaram ao lado dela. Alguns governos europeus alertaram que o julgamento pode inviabilizar um acordo de aproximação política e comercial com a ex-república soviética.

 

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