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29/09/2011 - 15h18

No Reino Unido, revista satírica "Private Eye" completa 50 anos

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DA FRANCE PRESSE, EM LONDRES

Irreverente com a classe política, por vezes hilariante, às vezes polêmica, a revista quinzenal satírica britânica "Private Eye" celebra em outubro seu 50º aniversário de impertinência e jornalismo de investigação que fizeram seu sucesso.

Durante este tempo, a publicação negou-se a ceder à moda: continua sendo publicada em um papel de qualidade ruim, e seu site não inclui mais que uma pequena seleção de artigos.

Carl de Souza/France Presse
Exemplares da "Private Eye", que completa 50 anos no Reino Unido
Exemplares da "Private Eye", que completa 50 anos no Reino Unido

"Acredito que se fosse impressa em papel acetinado e tivesse um layout moderno, os leitores a odiariam", estimou Adam Macqueen, jornalista da revista e autor do livro "Private Eye: os 50 primeiros anos".

"Não iria parecer autêntico. É importante que tenha este aspecto ligeiramente amarrotado, um pouco amador", explicou à AFP na sede da revista, uma espécie de labirinto de minúsculos escritórios em uma casa em ruínas do centro de Londres.

A revista é em grande parte fruto de quatro homens que foram ao mesmo instituto e trabalharam para o mesmo jornal escolar. No dia 25 de outubro de 1961 lançaram a "Private Eye", convertida hoje em uma instituição.

Suas principais características: uma capa com fotos de políticos, membros da família real, animais ou objetos que falam através de quadrinhos.

"Como? Tenho que usar burca?", se revolta o sofá em forma de sereia da residência da filha do ex-líder líbio Muamar Kadhafi, Aisha, na capa do número do início de setembro.

O jornal, dirigido hoje por Ian Hislop, também inventou alguns eufemismos que hoje formam parte da linguagem comum no Reino Unido, como "cansado e emotivo" para bêbado, ou "cigarro exótico" para baseado.

SÁTIRAS

Em 50 anos de sátiras, a "Private Eye" provocou polêmicas. Uma das maiores foi desatada pelo número que ridicularizava a onda de histeria e devoção após a morte da princesa Diana, em 1997.

Diante do escândalo, uma rede de distribuidores da imprensa retirou de venda o polêmico número da "Private Eye".

Mas nesta época de crise para a imprensa escrita, as vendas da revista se mantêm há três anos em torno dos 205 mil exemplares.

"Os momentos ruins para o país são bons para a Private Eye", afirma Adam MacQueen, que inclui nesta categoria "crises financeiras, governos de coalizão, guerras impopulares, escândalos de gastos de deputados, distúrbios e escutas telefônicas".

ESCÂNDALO

O escândalo no grupo de meios de comunicação de Rupert Murdoch é um presente para a "Private Eye", que ataca regularmente o magnata, apelidado por ela de "catador de lixo".

"Te pegamos", era a manchete da revista neste verão (boreal), retomando uma famosa capa do Sun. Em maio de 1982, o jornal sensacionalista propriedade de Murdoch acolheu deste modo o naufrágio do barco argentino "General Belgrano" por um submarino nuclear britânico durante a guerra das Malvinas.

A Private Eye tem certamente um bom futuro pela frente, prevê Adam Macqueen. Se o governo "se tornasse de repente absolutamente transparente, assim como os meios de comunicação e todo o resto, provavelmente não haveria muito lugar para a revista, mas não acredito que isso ocorra em um futuro próximo".

 

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