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Berlusconi faz 75 anos, mas clima na Itália não está para festa
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PHILLIP PULLELLA
DA REUTERS, EM ROMA
Dado seu gosto declarado por mulheres bonitas, Silvio Berlusconi provavelmente não se importaria se uma jovem e sensual atriz cantasse para ele "Parabéns a você, Sr. Presidente."
Ao completar 75 anos nesta quinta-feira, porém, ele e a maioria dos italianos não estão no clima para comemorações que possam evocar o dia em que Marilyn Monroe cantou o parabéns para John F. Kennedy em 1962.
O primeiro-ministro, cujo título, para os italianos, é o presidente do conselho de ministros, foi a uma festa de aniversário na noite de quarta. Mas a mídia italiana disse que seu discurso aos amigos foi marcado por piadas conhecidas aos seus muitos críticos.
As dificuldades econômicas cada vez maiores da Itália e uma sensação de mal-estar social somaram-se às dores de cabeça para Berlusconi, que incluem uma lista de acusações judiciais, uma coalizão dividida e a Igreja, que repentinamente se voltou contra ele.
Crescem os temores de que o Estado italiano, cujas celebrações do aniversário de 150 anos do país neste ano foram silenciadas pelas dúvidas, sofra uma crise da dívida como a da Grécia, apesar de um pacote de austeridade que forçará os italianos a pagar mais impostos e a adiar a aposentadoria.
Em um editorial de primeira página nesta quinta-feira que pareceu traduzir o humor de muitos no país, o jornal romano Il Messaggero lamentou a "crise sistêmica" que deixou a maioria dos italianos desorientados.
"O objetivo da política deveria ser desenvolver a sociedade e restaurar nos cidadãos um sentimento de comunidade autêntica", disse o texto.
Mas o artigo concluiu que a política na Itália se distanciou das necessidades reais do povo. A criminalidade e a corrupção alimentaram um mal-estar social cada vez maior e um "sentimento disseminado de indiferença", afirmou.
Berlusconi, que agora ruma para seu quarto governo depois de entrar para a política em 1994 após ganhar bilhões de dólares com suas empresas, tem se mostrado capaz de sobreviver a escândalos e a gafes diplomáticas que poderiam ter encerrado a carreira de muitos outros líderes
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