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30/09/2011 - 14h02

EUA são pressionados a dar visto ao defensor dos curdos

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KIRK SEMPLE
DO "NEW YORK TIMES"

Kerim Yildiz, um importante defensor da causa dos direitos humanos para o povo curdo, visitou os Estados Unidos regularmente durante duas décadas. Cidadão britânico residente em Londres, ele fez palestras regulares em universidades americanas, participou de reuniões de trabalho com outros defensores dos direitos humanos e deu briefings a funcionários governamentais em Washington.

Mas alguma coisa mudou. Onde antes ele era autorizado a ingressar no país sem problemas, agora Yildiz aguarda há quase um ano para a administração Obama aprovar seu visto de entrada. As autoridades não lhe deram uma explicação para a demora.

"É uma surpresa", disse Yildiz esta semana em entrevista telefônica desde Londres, onde ele é diretor executivo do Projeto Direitos Humanos Curdos. "Não sei de nenhuma razão para meu pedido de visto ainda não ter sido deferido."

Defensores das liberdades civis e dos direitos humanos nos EUA aderiram à causa de Yildiz. Alguns desconfiam que a demora do governo se deva a razões políticas.

O caso ecoa o que aconteceu com Tariq Ramadan, destacado estudioso do mundo islâmico que vive na Suíça, e Adam Habib, acadêmico muçulmano da África do Sul, que tiverem sua entrada nos EUA barrada pela administração Bush, dentro dos termos da Lei Patriota. Seus defensores alegaram que eles tinham sido visados por suas posições políticas e críticas à
política externa dos EUA.

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) moveu uma ação em nome dos dois acadêmicos, argumentando que as exclusões eram uma forma ilegal de censura. Hillary Rodham Clinton revogou as proibições no ano passado.

Desde então, o grupo de defesa das liberdades civis vem fazendo lobby em favor de dois outros defensores dos direitos humanos aos quais foram negados vistos de turismo: Hollman Morris, um jornalista colombiano, e a escritora afegã Malalai Joya. Nesses casos, a administração Obama recuou rapidamente e concedeu os vistos.

Citando leis de confidencialidade, uma porta-voz do Departamento de Estado disse que funcionários da administração estão proibidos de comentar o pedido de visto preenchido por Yildiz no outono americano passado.

"Quanto mais tempo demorar, mais temos que perguntar quais são as razões da demora", disse Jameel Jaffer, vice-diretor jurídico da ACLU, que postou uma nota em seu blog sobre o caso de Yildiz, sob o título "Exclusão Ideológica Outra Vez?".

"Espero que isso não esteja relacionado ao trabalho de Yildiz na defesa de direitos humanos", disse Jaffer. "O Departamento de Estado deveria apoiar esse trabalho, e não obstruir ou enfraquecê-lo."

Em 15 de setembro a ACLU, a Associação Americana de Professores Universitários e o Centro Americano PEN enviaram uma carta a Clinton e Janet Napolitano, secretária da Segurança Interna, exortando-as a acelerar a emissão do visto para Yildiz.

"Permitir que ele visite os Estados Unidos será do interesse público, especialmente porque sua área de especialização, os direitos curdos, possui relevância evidente a discussões públicas atuais, entre elas as discussões sobre as relações dos EUA com o Iraque e a Turquia", diz a carta.

Yildiz falou que seu itinerário proposto nos Estados Unidos inclui encontros com doadores e apoiadores, uma reunião com funcionários do Departamento de Estado para discutir questões curdas, palestras na City University de Nova York e na universidade Harvard e uma cerimônia na Filadélfia, onde sua organização de direitos humanos deve receber um prêmio da Fundação
Peter e Patricia Gruber, organização filantrópica que promover a justiça social.

"Este atraso prejudica nosso trabalho pelos direitos humanos", afirmou Yildiz, dizendo estar especialmente preocupado com os curdos que podem beneficiar-se de seu trabalho. "Quem sabe quantas pessoas serão afetadas por isto?"

Tradução de Clara Allain

 

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