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03/10/2011 - 15h59

Após 3 semanas, protestos contra Wall Street se espalham pelos EUA

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DA FRANCE PRESSE, EM NOVA YORK

Os protestos contra o corporativismo de Wall Street entraram em sua terceira semana sem perder força, e se estenderam a outras cidades dos Estados Unidos, como parte de um movimento similar ao dos "indignados" na Espanha e em outros países da Europa.

As manifestações contra o sistema financeiro, a "ganância" e os cortes no orçamento federal americano se espalharam por Boston, Chicago, Los Angeles e Washington.

CJ Gunther/Efe
Manifestantes acampam na praça Rose Kennedy Greenway, em Boston, como protesto
Manifestantes acampam na praça Rose Kennedy Greenway, em Boston, como protesto

Em Boston, cerca de 3.000 pessoas participaram de uma passeata no sábado (1º) para protestar contra a "avareza das corporações" e para que os bancos interrompam as execuções hipotecárias, em uma mobilização que terminou com 24 detidos.

Já em Los Angeles, apenas 50 pessoas protestavam nesta segunda-feira em apoio à "ocupação" de Wall Street, que começou no dia 17 de setembro e que parecia definhar até receber um impulso publicitário inesperado no fim de semana.

Efetivamente, o que parecia ser mais uma mobilização terminou no sábado com o bloqueio, durante duas horas, da tradicional ponte do Brooklyn, no sul de Manhattan, e com a prisão de 700 pessoas --a maioria liberada no domingo.

Notícia na imprensa nacional e internacional, os manifestantes tentam aproveitar o destaque e crescer como os "indignados" na Espanha.

Lançado em meados de maio em Madri, o movimento civil do qual participam espanhóis de todas as regiões e níveis sociais e profissionais é uma manifestação que mostra a insatisfação das pessoas comuns com seus líderes políticos e do establishment financeiro.

Sua ação talvez mais visível tenha sido impedir o despejo de pessoas incapazes de pagar sua hipoteca, um dos efeitos reais dos problemas econômicos na Espanha.

Mike Segar /Reuters
Manifestante se veste de "zumbi corporativo" em protesto em Wall Street
Manifestante se veste de "zumbi corporativo" em protesto em Wall Street

No caso da convocação para "ocupar Wall Street", começou com uma convocação do movimento anarquista Adbusters e de outros grupos de esquerda através da internet, e também atraiu ecologistas, ONGs de defesa dos Direitos Humanos, assim como presenças individuais de veteranos de guerra, professores universitários, estudantes.

OBJETIVOS

As razões para se manifestar também são muito diferentes: a rejeição à manutenção das práticas corporativistas em Wall Street, apesar da crise de 2008, os cortes no orçamento federal americano em áreas como a educação, a brutalidade policial, o aquecimento global, etc.

"Cada um tem uma razão e um objetivo diferente para estar aqui", afirma neste sentido Anthony, de 28 anos e participante ativo do protesto em Nova York.

John Minchillo/Associated Press
Manifestantes saem às ruas de Nova York em protestos contra a crise financeira
Manifestantes saem às ruas de Nova York em protestos contra a crise financeira

"A única coisa que temos em comum é que somos 99% das pessoas que já não tolerarão a cobiça e a corrupção do 1% (da população)", admite ao site "Occupy Wall Street", que divulga as atividades diárias dos manifestantes.

Se, por enquanto, o movimento "tem uma mensagem positiva" para "fazer com que nossas vozes sejam ouvidas", como afirma outro manifestante, Robert Cammiso, 49, as coisas podem tomar outra direção rapidamente.

"Se alguém tentar se colocar no meio para restringir nossos direitos, bom, então passaremos a resistir, uma resistência pacífica", adverte o ex-trabalhador da construção.

 

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