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03/10/2011 - 18h31

Índia oferece treinamento a afegãos

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JAMES LAMONT e MATTHEW GREEN
DO "FINANCIAL TIMES", EM NOVA DÉLI E ISLAMABAD

A Índia ofereceu dar treinamento a policiais afegãos para ajudá-los a prevenir ataques terroristas futuros, em uma iniciativa que provavelmente será vista como alta provocação por sua rival de longa data Paquistão.

Nas últimas semanas, Islamabad vem refutando acusações de autoridades seniores americanas e afegãs segundo as quais seus aliados no Afeganistão são responsáveis por uma onda de ataques. Uma iniciativa de Nova Déli, que há muito tempo vem acusando o Paquistão de apoiar grupos terroristas que atuam na Índia, no sentido de treinar policiais afegãos pela primeira vez correria o risco de elevar ainda mais a temperatura em uma das regiões mais explosivas do mundo.

O governo indiano espera fechar um acordo sobre o novo programa de treinamento com o presidente afegão, Hamid Karzai, na visita de dois dias que ele fará à capital indiana a partir desta terça-feira; a informação é de uma pessoa familiarizada com a oferta. Se Karzai aceitar, o treinamento de policiais afegãos de alto escalão na Índia, conduzido por especialistas, pode começar antes do final do ano, segundo pessoas próximas das negociações.

Um representante do Ministério do Exterior indiano disse que a visita de Karzai a Nova Déli, a segunda este ano, também representa "uma oportunidade para os dois países consolidarem sua parceria estratégica e discutirem questões bilaterais, regionais e globais".

As forças armadas do Paquistão temem há muito tempo que a Índia possa tentar estreitar seus laços com o Afeganistão. Islamabad vem há décadas dando apoio sigiloso a grupos militantes afegãos, em um esforço para prevenir a emergência de um governo pró-Índia em Cabul.

Autoridades afegãs afirmam que a agência de Inteligência Inter-Serviços (conhecido pela sigla ISI), do exército paquistanês, intensificou seu apoio a facções do Taleban afegão nos últimos anos, alegações que o Paquistão nega. Recentemente o governo de Karzai acusou o ISI de exercer um papel no assassinato, em setembro, do ex-presidente afegão Burhanuddin Rabbani, e investigadores disseram que o assassino foi um paquistanês. Outro ataque à embaixada dos EUA em Cabul foi atribuído à rede militante Haqqani, que o Pentágono considera ser um braço dos serviços de inteligência do Paquistão.

De acordo com C. Raja Mohan, membro sênior do Centro de Estudos de Política, sediado em Déli, uma luta por influência no Afeganistão entre seus vizinhos nuclearizados é inevitável na contagem regressiva para a retirada das tropas americanas, prevista para 2014.

"Será muito mais difícil lidar com uma retirada americana (que com a presença das tropas dos EUA)", disse ele. "As ameaças à Índia por parte do Afeganistão e Paquistão nas próximas duas décadas serão de tipos muito diferentes."

Karzai reiterou suas críticas ao Paquistão em discurso feito na segunda-feira, condenando o que afirmou ser o "jogo duplo" paquistanês, pelo fato de apoiar a militância afegã. Mas ele também reiterou que acredita que o único caminho eficaz para negociar um fim da insurgência será por meio de conversações com o Paquistão, que, para ele, controla os líderes do Taleban baseados em seu território.

Karzai disse que promoverá um encontro tradicional, ou "Loya jirga", para discutir a melhor maneira de reativar sua campanha de reconciliação após o assassinato de Rabbani, que estava liderando a iniciativa de paz.

Desde que o regime do Taleban foi deposto, em 2001, policiais vêm sendo os maiores alvos dos ataques terroristas no Afeganistão. Apenas nos últimos 16 meses morreram estimados 1.800 policiais.

A Índia afirma há muito tempo que o apoio que dá ao Afeganistão é de natureza civil, movida pelo que suas autoridades descrevem como sendo "vínculos civilizacionais". Seu programa de US$1,5 bilhão de ajuda ao Afeganistão foca principalmente projetos de desenvolvimento em pequena escala. Além disso a Índia oferece treinamento a muitos funcionários públicos afegãos e proporciona tratamento médico a afegãos. Muitos funcionários do gabinete de Hamid Karzai estudaram na Índia.

A Índia também tem esperanças de aprofundar seu engajamento econômico com o Afeganistão nas próximas semanas. Um consórcio de empresas indianas, liderado pela Autoridade Siderúrgica da Índia, vai participar de licitação para uma concessão de extração de minério de ferro na região central do Afeganistão.

Tradução de Clara Allain

 

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