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03/10/2011 - 18h47

Após ser inocentada, Amanda Knox deixa prisão na Itália

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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Após ser declarada inocente nesta segunda-feira no caso da morte da estudante britânica Meredith Kercher, em 2007, a americana Amanda Knox deixou a prisão de Perugia, na Itália, onde ficou detida por quatro anos.

Ela e seu ex-namorado italiano, Rafaelle Sollecito, foram inocentados pela Justiça italiana mais cedo. Ambos, que haviam sido condenados anteriormente a 26 e 25 anos de prisão, respectivamente, pelo assassinato da britânica durante uma sequência de jogos sexuais, foram libertados.

A decisão foi comemorada em Seattle, cidade natal da americana. "Foi como uma corrente elétrica através do meu corpo", disse Margaret Ralph, amiga de infância de Knox.

Pier Paolo Cito/Associated Press
Amanda Knox chora ao ouvir veredicto que a inocentou no caso da morte da britânica Meredith Kercher
Amanda Knox chora ao ouvir veredicto que a inocentou no caso da morte da britânica Meredith Kercher

"Penso em como sua mãe deve estar feliz, e o quanto ficará aliviada ao saber que sua filha está livre, sã e salva, após quatro anos", afirmou Kallane Henry, amigo dos pais de Knox.

O caso controverso, que atraiu a atenção da mídia internacional, foi encerrado hoje após quatro anos de altos e baixos. Embora o DNA dos acusados tenha sido identificado na cena do crime, as provas foram consideradas inconclusivas.

Eles alegaram estar na casa do italiano na noite da morte de Kercher. Com isso, o único acusado que continua cumprindo sentença de prisão no caso é Rudy Guede, cidadão da Costa do Marfim com antecedentes criminais, que também se declarou inocente.

JULGAMENTO

Os dois enfrentavam na Justiça italiana acusações de terem matado a jovem, que era colega de quarto da americana, durante uma noitada de jogos sexuais em novembro de 2007.

Kercher foi encontrada morta seminua, com ferimentos no corpo, na casa que dividia com Knox em Perugia, região da Úmbria.

O caso, que se arrastava na Itália há quase quatro anos, atraiu a atenção de todo o mundo e vinha sendo acompanhando com expectativa sobretudo na Itália, Reino Unido e nos Estados Unidos.

Antonio Calanni/Associated Press
Aline (esq.) e Stephanie Kercher, mãe e irmã da britânica morta em 2007, falaram à imprensa nesta segunda-feira
Aline (esq.) e Stephanie Kercher, mãe e irmã da britânica morta em 2007, falaram à imprensa nesta segunda-feira

A leitura da sentença foi acompanhada pela mãe e pela irmã da jovem britânica.

POSSÍVEIS VEREDICTOS DO CASO

Segundo a emissora americana CNN, havia três possíveis resultados finais para o caso.

Na primeira, caso o veredicto de condenação fosse mantido, a americana e o italiano continuariam a cumprir suas sentenças de 26 e 25 anos de prisão, respectivamente. No entanto, a Corte de Apelação de Perugia poderia também levar em consideração o pedido da promotora de acusação Manuela Comodi, que recentemente solicitou que as penas fossem aumentadas para prisão perpétua.

Massimo Percossi/Efe
Dezenas de jornalistas aguardaram o veredicto na Itália. O caso atraiu a atenção da mídia em todo o mundo
Dezenas de jornalistas aguardaram o veredicto na Itália. O caso atraiu a atenção da mídia em todo o mundo

Na segunda possibilidade, o veredicto seria revertido e o casal, inocentado das acusações, seria libertado --que foi o que ocorreu.

E por último, o veredicto de condenação poderia ser parcialmente revertido, com a redução do tempo de prisão dos acusados.

DEFENSORES

Em Seattle, a cidade natal de Knox nos EUA, amigos e parentes que acreditam na sua inocência aguardavam a divulgação do veredicto com expectativa de que ela e seu namorado fossem libertados.

"O fim está próximo, e nós esperamos que seja positivo", disse ainda na manhã de segunda-feira Tom Wright, um amigo da família Knox.

Mais de dez pessoas acompanharam a cobertura do caso desde domingo (2) à noite num hotel no centro da cidade, na costa oeste dos Estados Unidos.

RECURSO

Mais cedo, os advogados de defesa da americana entraram com um último recurso na Corte de Perugia.

"Eu quero voltar para casa, eu quero minha vida", disse Knox nesta segunda-feira, alegando inocência. "Tenho respeito pela Corte. Peço Justiça", acrescentou.

Daniele La Monaca/Reuters
A americana Amanda Knox, e seu namorado, Raffaele Sollecito, acusados de envolvimento no assassinato de estudante britânica
Imagem de arquivo da americana e seu namorado italiano acusados de envolvimento no assassinato da britânica Meredith Kercher

"Eu perdi uma amiga do modo mais brutal e inexplicável", afirmou a norte-americana. "Não quero ser privada da minha vida e do meu futuro por algo que não fiz. Eu sou inocente", defendeu-se, ressaltando que foi "manipulada" e que não estava na casa na noite do crime.

Durante o dia, o tribunal pediu "respeito" durante a leitura do veredicto. "Não é uma partida de futebol. Não há espaço para fanatismos. Vamos relembrar que uma bela jovem morreu e que a vida de outros dois está em jogo", afirmou o presidente da corte, Claudio Pratillo Hellman.

ENTENDA O CASO

Na sexta-feira (30), em suas considerações finais, promotores descreveram a americana Knox como uma "assassina fria" que matou Kercher durante um jogo sexual em 2007.

De acordo com as acusações, o casal matou a colega de quarto da americana na Itália. Após serem condenados com 26 e 25 anos de prisão, respectivamente, a americana e o italiano decidiram apelar da decisão.

A britânica foi encontrada morta seminua, com ferimentos no corpo, na casa que dividia com Knox em Perugia, região da Úmbria.

Knox e Sollecito negavam a participação no crime e dizem que passaram a noite do assassinato no apartamento do italiano.

Rudy Guede, cidadão da Costa do Marfim com antecedentes criminais, foi condenado no caso e cumpre pena. Ele também se declarou inocente.

 

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