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Em resposta a Dilma, UE diz que faz mais que planos de austeridade
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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, afirmou nesta terça-feira, durante a 5ª Cúpula Brasil-União Europeia, em Bruxelas, que "a União Europeia faz muito mais que impor medidas de austeridade" a países em dificuldades.
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"Conseguimos a convergência de 17 democracias, 17 economias, e isso não é fácil. Apesar disso, fizemos o que precisávamos fazer, e sabemos que devemos fazer mais", assinalou o dirigente europeu.
A declaração é uma resposta à fala da presidente brasileira, Dilma Rousseff, que mais cedo condenou a adoção de medidas de austeridade como única forma de conter a crise econômica.
"Não faz sentido só a adoção de ajustes recessivos", advertiu Dilma. "A história nos mostra que a saída da crise somente virá pelo estímulo ao crescimento econômico, por políticas de estabilidade macroeconômicas, conjugadas com políticas sociais de geração de renda e empresas", afirmou a presidente aos europeus.
| Virginia Mayo/Associated Press | ||
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| Dilma, à esquerda, concede entrevista coletiva ao lado de Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu |
Os dirigentes da UE elaboraram planos rígidos para sair da recessão, que incluem medidas drásticas de austeridade para os países em dificuldades, sobretudo para a Grécia.
Nesta terça-feira, Dilma Rousseff ressaltou que a UE pode contar com o Brasil para enfrentar a crise da dívida na região. "A UE pode contar com o Brasil", disse a presidente brasileira em entrevista coletiva ao lado do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e do presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. "É fundamental a coordenação política dos países para enfrentar este momento", completou.
"O Brasil, e aqui estou certa que exprimo também a perspectiva das economias em desenvolvimento, está pronto a assumir a sua responsabilidade num espírito de cooperação. Somos parceiros da UE", reforçou.
O Brasil integra o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que recentemente se declarou disposto a considerar, se necessário, um apoio, via FMI ou outras instituições financeiras internacionais, para enfrentar os desafios da estabilidade financeira mundial.
Dilma afirmou ainda que os debates sobre a solução para a crise na região devem envolver também "toda a América do Sul". "É por isso que os ministros das Finanças da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) se encontrarão nos próximos dias para coordenar posições comuns".
DESCONTENTAMENTO
As declarações de Dilma foram feitas ao mesmo tempo em que um grande debate sobre medidas para combater a crise da dívida acontece na zona do euro, com alguns países, como Grécia e Itália, adotando cortes especialmente em áreas sociais.
Os dirigentes da UE elaboraram planos rígidos para sair da recessão, que incluem medidas drásticas de austeridade para os países em dificuldades.
"É preciso evitar que a população perca a esperança no futuro", disse. "Assim demonstra a experiência latino-americana nas décadas passadas".
Um dos principais focos da crise, a Grécia assiste nesta terça-feira a um novo dia de protestos por conta de tais medidas. Trabalhadores do setor público bloquearam o acesso a diversos ministérios para protestar, atrapalhando as negociações de inspetores da UE e do FMI (Fundo Monetário Internacional) sobre uma nova parcela da ajuda financeira ao país.
Dilma alertou que, caso não haja medidas que incentivem a economia combinadas com os diversos cortes nos gastos públicos, a consequência será "mais recessão produtiva, aumento do desemprego e desigualdade social".
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