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04/10/2011 - 17h53

Nos EUA, Obama acusa republicanos de defender milionários

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DA FRANCE PRESSE, EM WASHINGTON

O presidente americano, Barack Obama, acusou nesta terça-feira seus adversários republicanos de defender as reduções de impostos aos mais ricos em detrimento do plano de estímulo que ele quer que seja aprovado pelo Congresso.

Dirigindo-se a seus partidários perto de Dallas, no Texas, Obama atacou diretamente o chefe da maioria republicana na Câmara dos Representantes, Eric Cantor, que considerou como "morto" o plano para o mercado de trabalho anunciado pelo presidente.

"Nem sequer querem submetê-lo a votação", queixou-se Obama, segundo trechos do discurso divulgados antecipadamente.

Larry W. Smith/Efe
Com uma cópia do seu plano de empregos nas mãos, Obama acusou republicanos de defender milionários
Com uma cópia do seu plano de empregos nas mãos, Obama acusou republicanos de defender milionários

"Gostaria que o senhor Cantor viesse aqui, em Dallas, e explicasse quais são os aspectos deste plano para o emprego nos quais ele não acredita", disse Obama.

"Não acredita na reconstrução das estradas e das pontes dos Estados Unidos? Não acredita nos cortes de impostos para as pequenas empresas, ou nos esforços para ajudar os veteranos?", questionou.

"Venha, diga aos pequenos empresários e aos trabalhadores desta região por que prefere defender os cortes de impostos para os milionários antes dos cortes de impostos para a classe média", afirmou o presidente.

PRESSÃO

Obama exigiu nesta segunda-feira que o Congresso vote seu plano de emprego de US$ 447 bilhões antes do fim do mês. Cantor se disse disposto a aceitar algumas disposições, mas não as que preveem aumentar os impostos aos mais ricos.

No Senado, de maioria democrata, Obama também não está certo de que seu plano será aprovado.

O presidente reconheceu na segunda-feira que não é favorito para a eleição presidencial em 2012. Segundo uma nova pesquisa encomendada pelo jornal "The Washington Post" e a emissora de TV ABC News, o índice de aprovação do presidente caiu para 42% e o de desaprovação subiu para 54%, um novo recorde.

Apenas 37% dos entrevistados disseram acreditar que Obama não será reeleito, uma porcentagem que os analistas consideram preocupante, já que as expectativas podem afundar o entusiasmo por um candidato.

ENTENDA A ESTRATÉGIA DE OBAMA

O plano de geração de empregos, no valor de US$ 447 bilhões, foi apresentado por Obama ao Congresso no dia 8 de setembro.

Em seu quinto pronunciamento a uma sessão conjunta do Congresso, reunindo deputados e senadores, o presidente defendeu sua estratégia para acelerar a retomada do crescimento da economia americana, que ainda patina após a crise, com a atual taxa de desemprego em 9,1%.

Leia a cobertura do discurso, minuto a minuto

Obama, cujo plano de reeleição em 2012 depende de sua habilidade de reduzir a taxa de desemprego propôs estender o seguro-desemprego a um custo de US$ 49 bilhões, modernizar escolas com gasto de US$ 30 bilhões e investir mais US$ 50 bilhões em infraestutura de transporte.

Quando assumiu o poder, em 2008, o democrata encontrou um país em recessão no período da crise financeira internacional, e desde então os índices econômicos americanos não tomaram uma rota estável de recuperação. A recessão de 2007 a 2009 durou 18 meses, a mais longa desde a Grande Depressão.

No dia 19 de setembro -seis dias após os EUA divulgarem um aumento recorde do número de americanos vivendo abaixo da linha da pobreza, agora em 46,2 milhões- Obama anunciou detalhes de outra medida polêmica. O plano para reduzir o deficit em US$ 4 trilhões.

Num discurso na Casa Branca, o presidente defendeu a elevação dos impostos sobre grandes fortunas -algo duramente criticado pelos republicanos- e advertiu que vetaria qualquer projeto de lei que colocasse o peso dos cortes somente sobre a classe média.

Obama deixou claro em seu discurso que não vai abrir mão do novo imposto para os americanos que recebem mais de US$ 1 milhão por ano e ressaltou em diversos momentos que classifica os benefícios fiscais injustos.

Dentre os US$ 4 trilhões anunciados, US$ 1 trilhão já integrava um plano anterior, apresentado em abril, e os outros US$ 3 trilhões foram detalhados em setembro, sendo que US$ 1,5 trilhão deve ser obtido através de aumento de impostos.

Entre os outros valores de ajustes anunciados em comunicado estão US$ 580 bilhões no setor de saúde e programas sociais --inlcuindo US$ 248 bilhões no Medicare e US$ 72 bilhões no Medicaid.

 

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